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          <title>PEBodyCount - Últimas Notícias do Blog - Reportagens</title>
          <link>http://www.pebodycount.com.br/</link>
          <description>Leia as últimas notícias do PEBodyCount - Reportagens</description>
		  <language>pt-br</language>
  
          <item>

            <title>Plano Colômbia</title>
            <link><![CDATA[  http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=670]]> </link>

			<description>
	
				<![CDATA[  
				<p>
				<b><a href='http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=670'>28.11.2007 - violência,crime,segurança</a></b>
				<br><br>
				<p>PLANO COL&Ocirc;MBIA<br />
Manual contra a viol&ecirc;ncia<br />
Publicado em 30.04.2006 </p>
<p>Integra&ccedil;&atilde;o &eacute; arma contra o crime<br />
Publicado em 03.05.2006 </p>
&ldquo;N&atilde;o reclame da escurid&atilde;o. Acenda uma vela.&rdquo; Esse prov&eacute;rbio chin&ecirc;s, que pode ser visto em v&aacute;rios cartazes fixados nos gabinetes da Prefeitura de Bogot&aacute;, capital da Col&ocirc;mbia, traduz a ess&ecirc;ncia do programa que nos &uacute;ltimos dez anos tirou a cidade da posi&ccedil;&atilde;o de mais violenta da Am&eacute;rica Latina, para uma das metr&oacute;poles com menor &iacute;ndice de assassinatos do continente. Em 1996, Bogot&aacute; tinha uma taxa de homic&iacute;dios (57 por 100 mil habitantes) maior do que a do Recife (53 por 100 mil habitantes). Hoje, esse &iacute;ndice se inverteu, e a capital pernambucana &eacute; tr&ecirc;s vezes mais violenta do que a cidade colombiana. Durante duas semanas, o Jornal do Commercio esteve em Bogot&aacute; para conferir as estrat&eacute;gias que fizeram a sociedade local e o poder p&uacute;blico colombianos (mesmo com os problemas adicionais da guerrilha e do tr&aacute;fico de drogas) caminhar em sintonia e manter sob controle a criminalidade. A reportagem que segue at&eacute; a p&aacute;gina 8 &eacute; de Eduardo Machado.  Mau comportamento fomenta a criminalidade<br />
Publicado em 30.04.2006
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<p>Seguran&ccedil;a sofre com inger&ecirc;ncia pol&iacute;tica<br />
Publicado em 30.04.2006 </p>
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A incivilidade enraizada na sociedade pernambucana se junta a outras caracter&iacute;sticas para p&ocirc;r o Recife como campe&atilde;o da viol&ecirc;ncia no Brasil. Baseado em um estudo das altas taxas de homic&iacute;dios e dos baixos &iacute;ndices de desenvolvimento humano, al&eacute;m de pesquisas em torno das autoridades locais, o cientista pol&iacute;tico Daniel Cerqueira, do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Avan&ccedil;ada (Ipea), apontou a desigualdade social em Pernambuco e a inger&ecirc;ncia pol&iacute;tica na pol&iacute;cia como dois dos principais fatores para os altos &iacute;ndices de assassinatos em todo o Estado.
<p>A pesquisa do Ipea mostrou que 45% dos 184 munic&iacute;pios pernambucanos tinham &iacute;ndices de homic&iacute;dios superiores a 30 por 100 mil habitantes. Taxas alt&iacute;ssimas considerando que s&atilde;o o triplo da m&eacute;dia das cidades americanas (9 por 100 mil habitantes) e mais do que o dobro da m&eacute;dia dos munic&iacute;pios da Am&eacute;rica Latina (14,8 por 100 mil habitantes). </p>
<p>&ldquo;Escolhemos a cor vermelha para as cidades que apresentassem os &iacute;ndices mais altos. O mapa de Pernambuco ficou completamente vermelho. A jun&ccedil;&atilde;o de grande contingente de exclu&iacute;dos, alta concentra&ccedil;&atilde;o de renda e pol&iacute;cia falida contribuem para essa peculiaridade local&rdquo;, avaliou Cerqueira, em setembro do ano passado, quando foram divulgados os &iacute;ndices. </p>
<p>O consultor de seguran&ccedil;a Jos&eacute; Vicente da Silva concorda com a avalia&ccedil;&atilde;o de que a pol&iacute;tica interfere muito na pol&iacute;cia pernambucana. &ldquo;Prestei consultoria para o governo de Pernambuco em mais de uma oportunidade e vejo que nenhum secret&aacute;rio at&eacute; hoje conseguiu estabelecer metas e cobrar resultados das pol&iacute;cias. Lidar com uma classe policial altamente politizada e avessa a cobran&ccedil;a inviabiliza os avan&ccedil;os&rdquo;, analisa o ex-coronel da Pol&iacute;cia Militar de S&atilde;o Paulo. </p>
<p>O contraste gritante entre poucos que t&ecirc;m muito e milhares que nada possuem impulsiona os conflitos. N&atilde;o s&oacute; nas pequenas favelas espremidas entre os bairros nobres, mas at&eacute; mesmo nas comunidades carentes da periferia, onde a diferen&ccedil;a entre pobres e miser&aacute;veis pode ser apenas uma casa de alvenaria e um barraco. </p>
<p>De acordo com dados da Secretaria de Defesa Social, em 2003, o bairro do Ibura, na Zona Sul, foi o que mais registrou homic&iacute;dios no Recife. Dos 120 assassinatos contabilizados, 34% ocorreram em apenas quatro favelas: Pantanal, Vila dos Milagres, Jagat&aacute; e Terra Nostra. Exatamente as invas&otilde;es mais recentes no bairro e com condi&ccedil;&otilde;es de vida e moradia mais degradadas. </p>
<p>&ldquo;A aus&ecirc;ncia do Estado na forma de melhorias que d&ecirc;em dignidade a uma comunidade tamb&eacute;m &eacute; uma viol&ecirc;ncia. N&atilde;o uma viol&ecirc;ncia que resulte diretamente em um crime, mas uma viol&ecirc;ncia branca que torna aquele ambiente prop&iacute;cio &agrave; pr&aacute;tica de crimes&rdquo;, pondera a pesquisadora Ronidalva Melo, da Funda&ccedil;&atilde;o Joaquim Nabuco. </p>
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Uma anedota corrente nos meios policiais pernambucanos diz que uma blitz de tr&acirc;nsito nas ruas do Recife n&atilde;o dura mais que uma hora. Esse seria o tempo m&eacute;dio que os policiais respons&aacute;veis pela fiscaliza&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos levariam para ser desmoralizados por uma &ldquo;carteirada&rdquo; ou por um infrator que consegue se livrar da multa telefonando para algum amigo influente. Seguindo o mesmo racioc&iacute;nio, poucas pessoas admitem ter oferecido suborno a um guarda para evitar uma notifica&ccedil;&atilde;o, mas a maioria diz que conhece algu&eacute;m que j&aacute; apelou para isso.
<p>&ldquo;Se voc&ecirc; me perguntar quais a&ccedil;&otilde;es devem ser feitas para tornar uma pol&iacute;cia mais eficiente, posso listar uma s&eacute;rie de iniciativas nacionais e internacionais que deram certo no combate &agrave; criminalidade. No entanto, se o questionamento estiver relacionado com o envolvimento da sociedade, fica bem mais dif&iacute;cil. A nossa classe m&eacute;dia reclama da inefici&ecirc;ncia das autoridades, mas ao mesmo tempo quer uma pol&iacute;cia corrupta e leniente quando lhe conv&eacute;m&rdquo;, avalia o consultor em seguran&ccedil;a p&uacute;blica e coronel reformado da Pol&iacute;cia Militar paulista Jos&eacute; Vicente da Silva. </p>
<p>N&atilde;o &eacute; s&oacute; na pele de corruptor ou de adepto do jeitinho que o brasileiro contribui para a criminalidade. At&eacute; mesmo quando n&atilde;o comete diretamente uma infra&ccedil;&atilde;o ou delito, o cidad&atilde;o comum pode estar pavimentando o terreno para a viol&ecirc;ncia apenas com mau comportamento. De cada dez liga&ccedil;&otilde;es que o Centro Integrado de Opera&ccedil;&otilde;es de Defesa Social (Ciods) da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco recebe, uma tem a ver com perturba&ccedil;&atilde;o da ordem, ou seja, algu&eacute;m chama a pol&iacute;cia para tentar reprimir um comportamento anti-social de um terceiro. Esse tipo de atitude (na maioria das vezes referente a escutar m&uacute;sica no mais alto volume), como tamb&eacute;m passar a noite bebendo com os amigos e depois voltar para casa dirigindo, ou atravessar a rua fora da faixa de pedestre, s&atilde;o alguns exemplos de a&ccedil;&otilde;es cotidianas que, mesmo sem seus autores perceberem, contribuem para o aumento da viol&ecirc;ncia. </p>
<p><strong>MULTAS &ndash;</strong> Uma das primeiras a&ccedil;&otilde;es desempenhadas pela pol&iacute;cia de Nova Iorque no Programa Toler&acirc;ncia Zero, apontado como respons&aacute;vel pela dr&aacute;stica redu&ccedil;&atilde;o na criminalidade daquela cidade americana, foi a retirada dos lavadores de p&aacute;ra-brisa das ruas. Sem poder interferir no direito de ir e vir das pessoas, o m&eacute;todo que a pol&iacute;cia encontrou para barrar a atividade deles foi multar quem atravessasse fora da faixa. Com todos cruzando as ruas apenas pela faixa de pedestre, ficava mais f&aacute;cil at&eacute; mesmo para os motoristas observar quem queria apenas chegar ao outro lado da rua ou quem estava andando entre os carros com outras inten&ccedil;&otilde;es. </p>
<p>O desrespeito ao pr&oacute;ximo, presente no comportamento do brasileiro, foi associado &agrave; viol&ecirc;ncia por pesquisadores que classificaram a conduta, de maneira geral, como incivilidade. </p>
<p>&ldquo;A literatura sobre o assunto aponta que uma das conseq&uuml;&ecirc;ncias da maior exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia, al&eacute;m da restri&ccedil;&atilde;o do uso dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos, pode ser um menor contato entre os vizinhos, afetando mais a coes&atilde;o social, com impacto sobre as expectativas de a&ccedil;&atilde;o coletiva, sobre a efic&aacute;cia coletiva e sobre o capital social. Esses efeitos podem ser ainda mais intensos se prevalecer na comunidade a sensa&ccedil;&atilde;o de que as rela&ccedil;&otilde;es s&atilde;o permeadas pela falta de considera&ccedil;&atilde;o com o outro, por uma sensa&ccedil;&atilde;o de que cada morador zela apenas pelo pr&oacute;prio bem-estar. Medo combinado com a sensa&ccedil;&atilde;o de incivilidade e de desrespeito entre as pessoas &eacute; obst&aacute;culo ao di&aacute;logo&rdquo;, enfatizam Nancy Cardia, do N&uacute;cleo de Estudos da Viol&ecirc;ncia da Universidade de S&atilde;o Paulo, e Sueli Schiffer, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de S&atilde;o Paulo, no artigo &ldquo;Viol&ecirc;ncia e Desigualdade Social&rdquo;. </p>
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<p>Prefeituras precisam agir mais<br />
Publicado em 03.05.2006 </p>
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Absolutamente todas as iniciativas de combate &agrave; viol&ecirc;ncia que deram certo no Brasil e no exterior tiveram o poder municipal como participantes importantes ou at&eacute; mesmo como protagonistas. Assim foi em Bogot&aacute;, na Col&ocirc;mbia, assim foi em Diadema, na Regi&atilde;o Metropolitana de S&atilde;o Paulo. A necessidade do engajamento das prefeituras no enfrentamento do problema e, sobretudo, da Prefeitura do Recife, at&eacute; mesmo por sua representatividade, tamb&eacute;m foi uma unanimidade no debate realizado ontem pela manh&atilde;, no audit&oacute;rio do Jornal do Commercio.
<p>Nas interven&ccedil;&otilde;es do vice-prefeito Luciano Siqueira e do secret&aacute;rio de Defesa Social, Rodney Miranda, ficou claro que n&atilde;o h&aacute; um somat&oacute;rio de esfor&ccedil;os visando integrar a&ccedil;&otilde;es que contribuam para a redu&ccedil;&atilde;o dos &iacute;ndices de viol&ecirc;ncia. Enquanto a prefeitura n&atilde;o deu prioridade nas suas a&ccedil;&otilde;es &agrave;s regi&otilde;es violentas, a SDS segue agindo sem uma contrapartida social. </p>
<p>Enquanto no Recife o Minist&eacute;rio P&uacute;blico e a Justi&ccedil;a j&aacute; adequaram suas estruturas &agrave;s divis&otilde;es da cidade por &aacute;reas propostas pelo governo do Estado, a prefeitura e a Secretaria de Defesa Social continuam de fora da iniciativa. &ldquo;N&atilde;o vejo problema em participarmos dessa integra&ccedil;&atilde;o. A Secretaria de Direitos Humanos e Seguran&ccedil;a Cidad&atilde; da prefeitura ser&aacute; nossa interlocutora nesse processo&rdquo;, garantiu Luciano Siqueira. </p>
<p>Rodney Miranda tamb&eacute;m assegurou que sua inten&ccedil;&atilde;o &eacute; trabalhar de maneira integrada com todas as institui&ccedil;&otilde;es e, principalmente, com as prefeituras. &ldquo;Queremos compartilhar nossos dados com o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, com a Justi&ccedil;a e com o poder municipal&rdquo;, afirmou o secret&aacute;rio. </p>
<p>O procurador-geral de Justi&ccedil;a, Francisco Sales, destacou que nos &uacute;ltimos dois anos a dist&acirc;ncia entre o Minist&eacute;rio P&uacute;blico e as pol&iacute;cias aumentou. Sales frisou que quando a pol&iacute;tica interfere no aparato de repress&atilde;o do Estado, a Justi&ccedil;a n&atilde;o &eacute; alcan&ccedil;ada. &ldquo;Precisamos de pol&iacute;ticas de Estado e n&atilde;o de governo para encarar a viol&ecirc;ncia. Estamos no quinto secret&aacute;rio de Defesa Social e cada um conduz a pasta de acordo com seu perfil&rdquo;, analisou Sales. </p>
<p>O deputado Ant&ocirc;nio Moraes criticou a atual estrutura da Secretaria de Defesa Social. &ldquo;Hoje, a SDS perdeu o seu prop&oacute;sito inicial que era de integrar as pol&iacute;cias. Foi criada uma superestrutura que acabou afastando os secret&aacute;rios que passaram pela pasta de sua atribui&ccedil;&atilde;o primordial, que &eacute; a de coordenador das corpora&ccedil;&otilde;es&rdquo;, opinou Ant&ocirc;nio Moraes. </p>
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<p>Depoimentos<br />
Publicado em 03.05.2006 </p>
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&ldquo;As pessoas s&atilde;o pac&iacute;ficas por &iacute;ndole. Tornam-se violentas quando s&atilde;o violentadas... Vivemos uma chacina social, uma guerra civil de maneira perversa, as v&iacute;timas s&atilde;o os mais pobres, que n&atilde;o t&ecirc;m cidadania&rdquo;
<p>Jones Figueiredo, desembargador </p>
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<p>&ldquo;&Eacute; preciso ter a&ccedil;&otilde;es organizadas, priorizadas e com um sistema de informa&ccedil;&atilde;o confi&aacute;vel, que permita avaliar metas. Foi esse o modelo adotado por Bogot&aacute; e que ainda est&aacute; por se fazer aqui, no Estado e no munic&iacute;pio. Sem informa&ccedil;&atilde;o, como a sociedade vai ajudar no enfrentamento da viol&ecirc;ncia?&rdquo;<em> </em>Fernando Mattos, coordenador do Gajop </p>
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<p>&ldquo;Em nenhum dos munic&iacute;pios, inf&acirc;ncia e juventude s&atilde;o prioridades. Estado e Uni&atilde;o fazem de conta que investem em educa&ccedil;&atilde;o... O sistema de seguran&ccedil;a n&atilde;o recupera o preso. Ele sai da penitenci&aacute;ria pior do que antes&rdquo; </p>
<p>Francisco Sales, procurador-geral de Justi&ccedil;a </p>
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<p>&ldquo;Defendo a reforma no processo penal, a simplifica&ccedil;&atilde;o do inqu&eacute;rito e o retorno do poder do delegado para expedir mandado de busca e apreens&atilde;o, com envio de informa&ccedil;&otilde;es ao juiz...Mas precisamos tamb&eacute;m das prefeituras para enfrentar o crime. Sozinha, a pol&iacute;cia n&atilde;o resolver&aacute; o problema&rdquo; </p>
<p>Rodney Miranda, secret&aacute;rio de Defesa Social </p>
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<p>&ldquo;Estamos construindo um plano municipal de seguran&ccedil;a cidad&atilde;. A viol&ecirc;ncia &eacute; um problema social grave. N&atilde;o pode ser assumido s&oacute; pelo munic&iacute;pio...N&atilde;o basta policiamento ostensivo. Preven&ccedil;&atilde;o e repress&atilde;o precisam ser trabalhados de forma harmoniosa&rdquo; </p>
<p>Luciano Siqueira, vice-prefeito do Recife </p>
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<p>&ldquo;Temos que repensar o papel do munic&iacute;pio de forma criativa. As experi&ecirc;ncias de combate ao crime bem-sucedidas podem receber financiamento federal, mas s&atilde;o coordenadas pelos governos municipais... Precisamos de pol&iacute;ticas que reduzam o crime e diminuam a sensa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a. A mudan&ccedil;a de modelo gerencial de policiamento em Bogot&aacute; reduziu em mais de 50% as mortes&rdquo; </p>
<p>Jos&eacute; Luiz Ratton, da UFPE </p>
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<p>&ldquo;Os pr&oacute;ximos debates sobre seguran&ccedil;a p&uacute;blica devem incluir a Associa&ccedil;&atilde;o Municipalista de Pernambuco, deputados federais e senadores. &Eacute; preciso haver intera&ccedil;&atilde;o entre todas as institui&ccedil;&otilde;es&rdquo; </p>
<p>Ant&ocirc;nio Moraes, deputado estadual</p>
<p>Bogot&aacute; mostra como domou o crime<br />
Publicado em 30.04.2006 </p>
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Quando assumiu a Prefeitura de Bogot&aacute; em 1995, o fil&oacute;sofo e matem&aacute;tico Antanas Mockus, 54 anos, era um estreante na pol&iacute;tica. O &uacute;nico cargo p&uacute;blico ocupado anteriormente por ele foi o de reitor da Universidade Nacional da Col&ocirc;mbia, onde ficou conhecido por conseguir silenciar um protesto estudantil arriando as cal&ccedil;as diante da multid&atilde;o. Na ocasi&atilde;o, o gesto fez os manifestantes ficarem quietos e Mockus conseguiu negociar com os jovens. Suas primeiras a&ccedil;&otilde;es para conter a viol&ecirc;ncia, que colocava a capital colombiana como a metr&oacute;pole mais insegura das Am&eacute;ricas, n&atilde;o foram menos pol&ecirc;micas. Em vez de anunciar refor&ccedil;o de efetivo, mais carros e armas para a pol&iacute;cia, Mockus centrou sua estrat&eacute;gia em uma inova&ccedil;&atilde;o que batizou de cultura cidad&atilde;.
<p>Como a viol&ecirc;ncia era generalizada, o prefeito resolveu trat&aacute;-la como se fosse uma epidemia. O primeiro passo foi fazer um diagn&oacute;stico. Ao contr&aacute;rio do que se pensava, os altos &iacute;ndices de homic&iacute;dios em Bogot&aacute;, que chegaram a mais de 80 por 100 mil habitantes em 1993 (em 2005, a taxa foi de 23 por 100 mil habitantes), n&atilde;o estavam relacionados com a guerrilha nem com os atentados &agrave; bomba que vinham sacudindo a cidade desde a d&eacute;cada de 80. Brigas banais, vingan&ccedil;as e acertos de contas eram os motivos mais freq&uuml;entes. Era preciso atingir o cidad&atilde;o comum de forma preventiva. </p>
<p>&ldquo;N&atilde;o constru&iacute;mos um muro entre os bandidos e os cidad&atilde;os. Nossa vis&atilde;o era de que cada pessoa podia melhorar sua conduta em algum ponto e isso contribuiria para uma sociedade mais harm&ocirc;nica. A cultura cidad&atilde; fortalece e incentiva a auto-regula&ccedil;&atilde;o e a m&uacute;tua regula&ccedil;&atilde;o, alinhando-as com a lei&rdquo;, detalha Mockus, que atualmente &eacute; candidato &agrave; presid&ecirc;ncia da Col&ocirc;mbia. </p>
<p>Um exemplo dessa possibilidade, de cada pessoa poder dar a sua contribui&ccedil;&atilde;o, mereceu uma campanha de preven&ccedil;&atilde;o aos maus-tratos contra a crian&ccedil;a. &ldquo;Se fores me espancar, melhor que me d&ecirc;s apenas uma tapa. Se fores me dar uma tapa, melhor que me xingues. Se fores me xingar, melhor que me repreendas. Se fores me repreender, melhor que converses comigo. Se fores conversar, ent&atilde;o que conversemos&rdquo;, diz o versinho da propaganda oficial. </p>
<p>&ldquo;A id&eacute;ia &eacute; que cada um de n&oacute;s pode subir um est&aacute;gio e melhorar o seu comportamento. Transportamos esse argumento para a prote&ccedil;&atilde;o da vida e desmontamos as supostas raz&otilde;es de que existe motivo suficiente para tirar a vida de algu&eacute;m por vingan&ccedil;a, ou para fazer justi&ccedil;a com as pr&oacute;prias m&atilde;os&rdquo;, completa Antanas Mockus. </p>
<p>O incentivo ao comportamento cidad&atilde;o empreendido pelo prefeito se consolidou com a introdu&ccedil;&atilde;o de um novo elemento no tr&acirc;nsito de Bogot&aacute;: a faixa de pedestre. Uma consultoria chilena foi contratada para estudar o tr&acirc;nsito da cidade. A avalia&ccedil;&atilde;o foi que havia gera&ccedil;&otilde;es de bogotanos perdidas e s&oacute; mesmo ensinando &agrave;s crian&ccedil;as novos valores seria poss&iacute;vel mudar o ca&oacute;tico tr&aacute;fego de ve&iacute;culos da capital. </p>
<p>Mockus n&atilde;o concordou com a avalia&ccedil;&atilde;o e decidiu investir em educa&ccedil;&atilde;o para obter um tr&acirc;nsito menos letal. Em 1995, a taxa de mortes em acidentes de carro em Bogot&aacute; era de 25 por 100 mil habitantes. Definitivamente as ruas da capital colombiana n&atilde;o privilegiavam o pedestre. Assim como na maioria das cidades brasileiras, o estado de conserva&ccedil;&atilde;o das cal&ccedil;adas sempre era pior do que o das vias. Somente para pintar las cebras, como s&atilde;o conhecidas as faixas de pedestre em Bogot&aacute;, foram consumidos tr&ecirc;s meses de trabalhos. </p>
<p>&ldquo;Contratamos m&iacute;micos para ensinar &agrave;s pessoas a import&acirc;ncia das cebras. Eles explicavam teatralmente &agrave;s pessoas que o correto era atravessar na faixa e, aos motoristas, que aquele territ&oacute;rio pertencia aos pedestres. Com o passar do tempo, a pr&oacute;pria popula&ccedil;&atilde;o passava a repreender os transgressores com apitos e vaias. Ent&atilde;o, se uma pessoa n&atilde;o era convencida a respeitar a faixa pelos m&iacute;micos, o povo nas cal&ccedil;adas a repreendia e, se ainda assim n&atilde;o funcionasse, vinha o guarda e aplicava a multa. Essa seq&uuml;&ecirc;ncia representa os tr&ecirc;s mecanismos reguladores dos seres humanos: a moral (representada pelos m&iacute;micos), a cultura (manifestada pela popula&ccedil;&atilde;o vaiando) e a lei (personificada no guarda de tr&acirc;nsito). A cultura cidad&atilde; consiste em fortalecer a moral e a cultura, para que elas caminhem lado a lado com a lei&rdquo;, define o ex-prefeito. </p>
<p>Mas o que o investimento na educa&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito tinha a ver com o combate &agrave; viol&ecirc;ncia? Tudo, pela teoria de Mockus. E isso ficou ainda mais claro em outra iniciativa exc&ecirc;ntrica do prefeito: os cart&otilde;es cidad&atilde;os. Eles consistiam em plaquinhas brancas e vermelhas que deveriam ser mostradas em aprova&ccedil;&atilde;o ou repreens&atilde;o dos comportamentos alheios. Caso a pessoa levasse um tranca no tr&acirc;nsito, em vez de xingar o outro motorista, ela deveria mostrar a plaquinha vermelha com uma m&atilde;o com o polegar virado para baixo. Em contrapartida, se um desconhecido fosse gentil, recebia um cart&atilde;o branco com o desenho da m&atilde;o com o polegar para cima. Com o passar do tempo, a exibi&ccedil;&atilde;o das plaquinhas brancas tornou-se muito mais freq&uuml;ente. &ldquo;Est&aacute;vamos todos aprendendo uma nova linguagem, menos agressiva e mais solid&aacute;ria. Criamos identidade entre as pessoas e come&ccedil;amos a nos tornar menos violentos&rdquo;. No ano passado, a taxa de mortes em acidentes com ve&iacute;culos em Bogot&aacute; caiu para 6,9 por 100 mil habitantes. </p>
<p>ENTREVISTA/HUGO ACERO<br />
&quot; Vacinamos o povo contra a viol&ecirc;ncia&quot;<br />
Publicado em 30.04.2006 </p>
<p><em>O advogado colombiano Hugo Acero conduziu a Subsecretaria de Seguran&ccedil;a da Prefeitura de Bogot&aacute; de 1995 a 2003. O principal n&uacute;mero de sua gest&atilde;o foi uma queda da taxa de homic&iacute;dios de 60 por 100 mil habitantes em 1995, para 23 por 100 mil habitantes em 2003. Atualmente, Hugo Acero &eacute; consultor do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e j&aacute; apresentou o &ecirc;xito de sua experi&ecirc;ncia para plat&eacute;ias de 25 pa&iacute;ses. &ldquo;Os munic&iacute;pios devem assumir o enfrentamento da viol&ecirc;ncia e os prefeitos precisam encarar isso como uma oportunidade e n&atilde;o como um problema a mais em suas gest&otilde;es&rdquo;, avaliou o especialista.</em></p>
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JORNAL DO COMMERCIO &ndash; Antes de ser convidado para assumir a Subsecretaria de Seguran&ccedil;a de Bogot&aacute;, o que o senhor fazia?
<p>HUGO ACERO &ndash; Eu trabalhava no governo federal fazendo um trabalho de desmobiliza&ccedil;&atilde;o das mil&iacute;cias de Medell&iacute;n. Fui convidado pelo prefeito Antanas Mockus para trabalhar com ele. Ent&atilde;o, desde esse momento, passando pela gest&atilde;o de Henrique Pe&ntilde;alosa (1998-2000), at&eacute; a segunda gest&atilde;o de Mockus (2001-2003), coordenei a seguran&ccedil;a de Bogot&aacute;. </p>
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<p>JC &ndash; Como era a Bogot&aacute; que o senhor encontrou em 1995? </p>
<p>ACERO &ndash; Vou repetir as palavras de um jornalista americano que acaba de lan&ccedil;ar um livro que se chama. Como me apaixonei por Bogot&aacute;. Sobre esse momento e come&ccedil;ando o livro, ele diz que Bogot&aacute; era uma cidade suja, uma metr&oacute;pole desorganizada e, de certa maneira, ca&oacute;tica. Dois anos antes, t&iacute;nhamos alcan&ccedil;ado o pico de viol&ecirc;ncia com 80 homic&iacute;dios por 100 mil habitantes. Al&eacute;m disso, havia um alto n&iacute;vel de delinq&uuml;&ecirc;ncia e Bogot&aacute; era classificada internacionalmente como uma cidade altamente insegura. </p>
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<p>JC &ndash; Uma de suas primeiras a&ccedil;&otilde;es foi a ado&ccedil;&atilde;o da lei seca, que em Bogot&aacute; teve outro nome, n&atilde;o &eacute; verdade? </p>
<p>ACERO &ndash; Sim, aqui ficou conhecida como lei cenoura. Porque na Col&ocirc;mbia cenoura (zanahoria) &eacute; uma g&iacute;ria para as pessoas que s&atilde;o saud&aacute;veis, certinhas, que n&atilde;o bebem, que estudam, trabalham, que s&atilde;o muito ajuizadas. Quer&iacute;amos incentivar justamente esse tipo de comportamento, ent&atilde;o passamos a fechar todos os estabelecimentos comerciais da cidade que vendiam bebida alco&oacute;lica &agrave; 1h. Tamb&eacute;m fizemos grandes blitzes em todo o munic&iacute;pio para abordar os motoristas e multar aqueles que estivessem dirigindo alcoolizados. Foi uma medida de muito impacto, com protestos e passeatas nas ruas. Mas em dezembro de 1995, o n&uacute;mero de homic&iacute;dios foi reduzido 25% em rela&ccedil;&atilde;o ao mesmo per&iacute;odo do ano anterior. Naquele Natal ainda contabilizamos uma queda de 20% no n&uacute;mero de mortes por acidentes de carro. </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>JC &ndash; O senhor promoveu uma &ldquo;vacina&ccedil;&atilde;o&rdquo; contra a viol&ecirc;ncia? </p>
<p>ACERO &ndash; Foi uma id&eacute;ia do prefeito Mockus. Encaramos a viol&ecirc;ncia como uma epidemia e organizamos uma vacina&ccedil;&atilde;o. Consistia em colocar postos de atendimento pela cidade e as pessoas faziam fila, mesmo sem saber para qu&ecirc;. Quando entravam na sala se deparavam com um boneco em uma cadeira e uma psic&oacute;loga da prefeitura. A psic&oacute;loga incentivava o paciente a imaginar que aquele boneco era a pessoa de suas rela&ccedil;&otilde;es de que ela mais tinha raiva. Admitindo isso, a pessoa enchia um bal&atilde;o de g&aacute;s, desenhava um rosto e o colocava como a cabe&ccedil;a do boneco. A partir desse momento, o paciente extravasava sua ira desabafando para o manequim todos os problemas que existiam entre os dois. O objetivo era fazer com que a pessoa pusesse a raiva para fora e refletisse sobre as raz&otilde;es do conflito. Foi uma &ldquo;vacina&ccedil;&atilde;o&rdquo; que teve reflexos positivos na preven&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. </p>
<p>&nbsp;</p>
<p>JC &ndash; N&atilde;o houve mudan&ccedil;as na pol&iacute;cia? </p>
<p>ACERO &ndash; Muitas e marcantes, mas o que fez a diferen&ccedil;a foi o investimento no cidad&atilde;o. &Eacute; importante destacar tamb&eacute;m que na gest&atilde;o de Pe&ntilde;alos o foco foi na recupera&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos. Identificamos os locais mais violentos da cidade e os recuperamos com a instala&ccedil;&atilde;o de parques, pra&ccedil;as, quadras. Colocamos a presen&ccedil;a do Estado l&aacute;, na forma de benfeitorias da prefeitura, isso foi determinante para a queda da viol&ecirc;ncia nesses pontos. </p>
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<p>JC &ndash; Foi preciso alterar a legisla&ccedil;&atilde;o para obter as transforma&ccedil;&otilde;es que resultaram na melhoria da seguran&ccedil;a de Bogot&aacute;? </p>
<p>ACERO &ndash; Em 1991, uma mudan&ccedil;a constitucional colocou o comando da pol&iacute;cia nas m&atilde;os dos prefeitos. Essa foi uma decis&atilde;o acertada porque o prefeito &eacute; a autoridade que est&aacute; mais perto da popula&ccedil;&atilde;o. Os munic&iacute;pios devem assumir o enfrentamento da viol&ecirc;ncia e os prefeitos precisam encarar isso como uma oportunidade e n&atilde;o como um problema a mais em suas gest&otilde;es. </p>
<p>Pluralidade de a&ccedil;&otilde;es consolida seguran&ccedil;a<br />
Publicado em 30.04.2006 </p>
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Se por um lado a primeira administra&ccedil;&atilde;o de Antanas Mockus ficou conhecida pela cultura cidad&atilde;, a do seu sucessor Henrique Pe&ntilde;alosa (1998-2000) foi a gest&atilde;o da recupera&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos em Bogot&aacute;. Pe&ntilde;alosa identificou as &aacute;reas mais violentas da cidade e investiu em grandes obras de recupera&ccedil;&atilde;o e melhoramento urban&iacute;stico. Coincidentemente, esses locais concentravam a popula&ccedil;&atilde;o mais carente ou estavam encravados no deteriorado Centro da capital colombiana. Com Pe&ntilde;alosa, pela primeira vez o Estado se manifestava nessas comunidades, trazendo benfeitorias, e n&atilde;o apenas personificado nas botas da pol&iacute;cia.
<p>A obra que se tornou um marco do per&iacute;odo foi a transforma&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea mais degradada do Centro de Bogot&aacute;, conhecida com El Cartucho, no Parque do Terceiro Mil&ecirc;nio. Seiscentos e oitenta pr&eacute;dios velhos e malconservados e que eram ocupados por aproximadamente quatro mil pessoas foram comprados pela prefeitura e transformados num parque de 16 hectares. </p>
<p>O processo enfrentou uma grande rea&ccedil;&atilde;o tanto da popula&ccedil;&atilde;o marginalizada que habitava El Cartucho quanto dos demais bogotanos, revoltados com os indigentes que se espalharam por outros bairros do Centro. No entanto, a taxa de homic&iacute;dios da &aacute;rea passou de 71 por 100 mil habitantes, em 2000, para 27 por 100 mil habitantes em 2002, quando foram conclu&iacute;das as interven&ccedil;&otilde;es. </p>
<p>&ldquo;Caminhar por El Cartucho era um risco que poucos tinham coragem de correr em Bogot&aacute;. Os assaltos eram di&aacute;rios e a vida valia muito pouco aqui. Hoje, tudo mudou. Existem uma escola, v&aacute;rias quadras e equipamentos de lazer. As fam&iacute;lias v&ecirc;m para c&aacute; em busca de divers&atilde;o e encontram um ambiente seguro&rdquo;, explica Henrique Beltr&aacute;n, desempregado contratado pela prefeitura para trabalhar como guia c&iacute;vico no Parque do Terceiro Mil&ecirc;nio. Assim como Beltr&aacute;n, a Prefeitura de Bogot&aacute; paga cerca de R$ 500 por m&ecirc;s a desempregados para atuar como zeladores e orientadores dos visitantes de seus 25 parques urbanos. </p>
<p>A aten&ccedil;&atilde;o ao tr&acirc;nsito permaneceu na administra&ccedil;&atilde;o de Pe&ntilde;alosa com a cria&ccedil;&atilde;o do Transmilenio, um sistema de transporte copiado do Ligeirinho, de Curitiba. Os &ocirc;nibus articulados circulam em corredores exclusivos, param em esta&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias e t&ecirc;m uma velocidade m&eacute;dia bem maior do que os ve&iacute;culos particulares e t&aacute;xis, sempre presos nos enormes engarrafamentos. Apesar de ser um avan&ccedil;o incontest&aacute;vel, o Transmilenio ainda atende menos de 30% da popula&ccedil;&atilde;o da capital colombiana. A maioria dos usu&aacute;rios do transporte p&uacute;blico ainda precisa recorrer aos velhos micro&ocirc;nibus, conhecidos na cidade como busetas. </p>
<p>&ldquo;Em ambientes desordenados, as pessoas de boa &iacute;ndole se sentem minoria e n&atilde;o agem solidariamente. Por outro lado, um lugar bem-conservado d&aacute; a impress&atilde;o de uma comunidade alerta, com cidad&atilde;os atuando em conjunto. Como a comunidade se conhece e interage nos parques, quadras esportivas e espa&ccedil;os p&uacute;blicos em geral, acaba ganhando uma cidade mais segura&rdquo;, escreveu Pe&ntilde;alosa, em um dos artigos no qual defendia a recupera&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos como forma de preven&ccedil;&atilde;o ao crime. </p>
<p><strong>A&Ccedil;&Atilde;O LOCAL</strong> &ndash; No Recife, o mesmo princ&iacute;pio foi adotado na recupera&ccedil;&atilde;o das ruas do Centro, numa parceria entre a prefeitura e a C&acirc;mara de Dirigentes Lojistas (CDL), em 2003. A taxa de homic&iacute;dios chegou a zero nas ruas reordenadas e o n&uacute;mero de roubos e furtos teve queda de 36%. No entanto, a id&eacute;ia n&atilde;o foi adotada como a&ccedil;&atilde;o de governo e se deveu muito mais ao interesse da CDL em tornar o Centro mais atrativo para os compradores, do que uma iniciativa aplic&aacute;vel em outros bairros. </p>
<p>Mesmo com todos os esfor&ccedil;os, taxa de mortes subiu em 2005<br />
Publicado em 30.04.2006 </p>
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Ap&oacute;s 11 anos em queda, o n&uacute;mero de homic&iacute;dios em Bogot&aacute; voltou a subir em 2005 (1.675) em compara&ccedil;&atilde;o com 2004 (1.588). Os cr&iacute;ticos do atual prefeito, Luis Eduardo Garz&oacute;n, apontam o &ldquo;afrouxamento&rdquo; no controle do espa&ccedil;o p&uacute;blico, com a volta do com&eacute;rcio informal ao Centro da capital colombiana, como um dos fatores que impulsionaram a eleva&ccedil;&atilde;o da taxa de criminalidade.
<p>Essa suposta vista grossa com o com&eacute;rcio informal se deveria ao posicionamento de esquerda do atual prefeito, que enxergaria mais a quest&atilde;o social de retirar os camel&ocirc;s das ruas, do que o lado pr&aacute;tico da preven&ccedil;&atilde;o ao crime. &ldquo;A redu&ccedil;&atilde;o da criminalidade em Bogot&aacute; est&aacute; consolidada. Todos os nossos &iacute;ndices est&atilde;o historicamente em queda, tivemos dificuldades com os homic&iacute;dios praticados com armas de fogo, mas as devidas provid&ecirc;ncias foram tomadas. Este ano, entre outras iniciativas, vamos propor uma consulta &agrave; popula&ccedil;&atilde;o, como foi feito no Brasil, sobre a probi&ccedil;&atilde;o do porte de armas&rdquo;, explicou o prefeito. </p>
<p>O subsecret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a da gest&atilde;o de Luis Eduardo Garz&oacute;n, Andres Restrepo, assegurou que uma s&eacute;rie de medidas j&aacute; foi tomada para reduzir novamente a criminalidade. Nos dois primeiros meses de 2006, o n&uacute;mero de homic&iacute;dios foi menor (200) do que no mesmo per&iacute;odo do ano passado (276). </p>
<p>&ldquo;Tivemos um primeiro semestre dif&iacute;cil em 2005. J&aacute; na segunda metade do ano passado, iniciamos uma avalia&ccedil;&atilde;o sobre em que est&aacute;vamos errando e fizemos as corre&ccedil;&otilde;es. O reflexo disso foi uma nova queda na viol&ecirc;ncia. Para este ano, temos algumas provid&ecirc;ncias que est&atilde;o em andamento, que s&atilde;o a contrata&ccedil;&atilde;o de mais dois mil policiais e o estabelecimento de uma central de emerg&ecirc;ncia com um n&uacute;mero de telefone &uacute;nico&rdquo;, adiantou Restrepo. </p>
<p>A decis&atilde;o dos prefeitos Antanas Mockus, Henrique Pe&ntilde;alosa e Luis Eduardo Garz&oacute;n de cuidar da seguran&ccedil;a p&uacute;blica como prioridade n&atilde;o foi apenas uma quest&atilde;o de vontade pol&iacute;tica. A partir de 1991, a Constitui&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica da Col&ocirc;mbia foi alterada e deu novas atribui&ccedil;&otilde;es aos prefeitos: &ldquo;O prefeito &eacute; a primeira autoridade do munic&iacute;pio. A Pol&iacute;cia Nacional cumprir&aacute; com presteza e dilig&ecirc;ncia as ordens dadas pelo prefeito por meio do respectivo comandante (da pol&iacute;cia)&rdquo;, diz o artigo 315 da nova legisla&ccedil;&atilde;o colombiana. </p>
<p>Dessa forma, o que esses prefeitos (os primeiros eleitos ap&oacute;s a mudan&ccedil;a na lei) fizeram foi deixar de ignorar o problema da seguran&ccedil;a, que at&eacute; ent&atilde;o era considerado uma responsabilidade exclusiva do governo federal, e passaram a priorizar os &ldquo;fatores de risco&rdquo; que potencializam a viol&ecirc;ncia. O enfoque foi preventivo e abrangeu todas as secretarias da Prefeitura de Bogot&aacute; e n&atilde;o apenas a Subsecretaria de Seguran&ccedil;a. </p>
<p>A import&acirc;ncia do envolvimento das prefeituras no combate &agrave; criminalidade fica clara em duas iniciativas que deram certo no Brasil. O exemplo cl&aacute;ssico &eacute; o de Diadema, na Grande S&atilde;o Paulo, que reduziu os homic&iacute;dios em 50% em quatro anos, com uma s&eacute;rie de medidas integradas entre pol&iacute;cia e poder municipal. A mais not&aacute;vel delas foi a institui&ccedil;&atilde;o da lei seca. </p>
<p>Nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos, o programa de maior sucesso no Brasil de combate aos altos &iacute;ndices de homic&iacute;dios est&aacute; sendo desenvolvido na capital paulista. O Departamento de Homic&iacute;dios e Prote&ccedil;&atilde;o &agrave; Pessoa (DHPP) utiliza estat&iacute;sticas e rastreia os grupos de exterm&iacute;nio de S&atilde;o Paulo, mas tamb&eacute;m age em parceria com a prefeitura. Os investigadores registram com fotos as &aacute;reas degradadas onde ocorrem os crimes e remetem relat&oacute;rios para o poder municipal cobrando provid&ecirc;ncias. </p>
<p>Maioria dos bogotanos confia na pol&iacute;cia<br />
Publicado em 30.04.2006 </p>
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Nem s&oacute; de id&eacute;ias exc&ecirc;ntricas consistiram as mudan&ccedil;as em Bogot&aacute;. Principalmente no que se refere &agrave; Pol&iacute;cia Nacional da Col&ocirc;mbia, que foi reestruturada e modernizada. Para definir o modelo atual de policiamento, a Prefeitura de Bogot&aacute; buscou inspira&ccedil;&atilde;o em iniciativas vitoriosas dos Estados Unidos, Fran&ccedil;a e Espanha. Em 1995, o n&iacute;vel de confian&ccedil;a dos bogotanos em sua pol&iacute;cia era de 17%, hoje esse percentual chega a 63%.
<p>Ao contr&aacute;rio do Brasil, na Col&ocirc;mbia existe apenas uma pol&iacute;cia. Cada cidade tem um efetivo pr&oacute;prio da Pol&iacute;cia Nacional respons&aacute;vel por seu territ&oacute;rio. Os integrantes da corpora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o podem votar nem ser votados e nem ser donos de empresas de seguran&ccedil;a. </p>
<p>Em Bogot&aacute;, o efetivo da Pol&iacute;cia Nacional &eacute; de 16 mil homens, 2 mil policiais a menos que a PM pernambucana. O equipamento b&aacute;sico de um policial de rua consiste no uniforme, um rev&oacute;lver calibre 38 e, o mais importante, um radiocomunicador. Absolutamente todos os policiais de servi&ccedil;o t&ecirc;m um r&aacute;dio para ser acionados ou pedir refor&ccedil;o em caso de emerg&ecirc;ncia. O policiamento ostensivo &eacute; feito em carros, motos e a p&eacute;. Em v&aacute;rias regi&otilde;es do Centro, a vigil&acirc;ncia &eacute; refor&ccedil;ada por soldados do Ex&eacute;rcito </p>
<p>Segundo o general Alberto Gomes, comandante do Policiamento Metropolitano de Bogot&aacute;, a cidade foi dividida em vinte &aacute;reas. Cada uma delas tem uma esta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;cia. Al&eacute;m disso, existem 124 Centros de Aten&ccedil;&atilde;o Imediata (CAIs) espalhados pelo munic&iacute;pio. Cada CAI conta com tr&ecirc;s policiais de plant&atilde;o 24 horas e mais quatro duplas de motoqueiros para patrulhar as ruas. </p>
<p>&ldquo;Cada um dos comandantes das 20 esta&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;cia trabalha em parceria com os subprefeitos correspondentes. Assim como eu estou sempre em contato com o prefeito e o subsecret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a, os comandantes planejam suas a&ccedil;&otilde;es em parceria com os subprefeitos&rdquo;, explica o general. </p>
<p>A divis&atilde;o da cidade em territ&oacute;rios e a utiliza&ccedil;&atilde;o de estat&iacute;sticas para definir o emprego do efetivo foi uma incorpora&ccedil;&atilde;o do programa Compstat, da Pol&iacute;cia de Nova Iorque. &ldquo;Tamb&eacute;m utilizamos conceitos da Pol&iacute;cia Comunit&aacute;ria da Espanha e t&eacute;cnicas de investiga&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Francesa&rdquo;, completa. </p>
<p>No efetivo de 16 mil homens, 5 mil s&atilde;o cadetes que trabalham armados apenas com cassetetes e se revezam em a&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias e na fiscaliza&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas p&uacute;blicas, na maioria dos casos as esta&ccedil;&otilde;es do Transmilenio (servi&ccedil;o de &ocirc;nibus semelhante ao de Curitiba). Todos os usu&aacute;rios de transporte coletivo precisam abrir bolsas e sacolas e mostrar o conte&uacute;do aos policiais na entrada das esta&ccedil;&otilde;es. A medida &eacute; para evitar atentados. </p>
<p>Tamb&eacute;m h&aacute; 800 homens dedicados &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o de crimes e que trabalham &agrave; paisana, al&eacute;m de 500 nas centrais de intelig&ecirc;ncia, 100 na pol&iacute;cia de menores, 250 nos servi&ccedil;os de fronteiras e 200 em antiterrorismo. </p>
<p>O sal&aacute;rio-base de um policial de Bogot&aacute; &eacute; de US$ 500, cerca de R$ 1.100. N&atilde;o muito diferente do que recebe um soldado da PM ou um agente da Pol&iacute;cia Civil pernambucana. A diferen&ccedil;a &eacute; que, como se trata de uma pol&iacute;cia nacional, todo o efetivo tem assist&ecirc;ncia m&eacute;dica gratuita e benef&iacute;cios sociais. </p>
<p>Distor&ccedil;&atilde;o no Judici&aacute;rio foi reduzida<br />
Publicado em 30.04.2006 </p>
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O sistema judici&aacute;rio colombiano passou por v&aacute;rias transforma&ccedil;&otilde;es nos &uacute;ltimos 15 anos. At&eacute; 1991, o corpo de investigadores da Pol&iacute;cia Nacional apurava os crimes e apresentava o resultado do trabalho diretamente a um juiz. Esse sistema tinha v&aacute;rias distor&ccedil;&otilde;es porque, na pr&aacute;tica, o magistrado comandava a investiga&ccedil;&atilde;o e ainda decidia o destino do r&eacute;u. Com a reformula&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica da Col&ocirc;mbia, foi criada a Fiscalia General de La Naci&oacute;n (Minist&eacute;rio P&uacute;blico) e a Defensoria P&uacute;blica.
<p>&ldquo;Mesmo com a entrada em cena da Fiscalia, nosso sistema penal continuava inquisit&oacute;rio. Apenas o poder que era dos magistrados passou para os fiscais. Somente em 2003 &eacute; que essas prerrogativas foram revistas e o princ&iacute;pio do contradit&oacute;rio, por exemplo, foi estabelecido no processo penal&rdquo;, relata Ivan Gomez, fiscal-chefe da Unidade de Rea&ccedil;&atilde;o Imediata da Fiscalia General de La Naci&oacute;n, em Bogot&aacute;. </p>
<p>Na Col&ocirc;mbia, assim como em 99% dos pa&iacute;ses, segundo estudos de entidades internacionais, n&atilde;o existe a figura do delegado de pol&iacute;cia. Quem comanda as investiga&ccedil;&otilde;es &eacute; um fiscal, auxiliado por investigadores e peritos. Em Bogot&aacute;, 95 fiscais se revezam em um esquema de plant&atilde;o de 12 por 48 horas, em seis unidades de rea&ccedil;&atilde;o imediata (URIs). </p>
<p>As URIs investigam flagrantes e den&uacute;ncias. Nos casos de flagrante com suspeito preso, uma nova reformula&ccedil;&atilde;o na legisla&ccedil;&atilde;o, desta vez no ano passado, introduziu o processo oral de acusa&ccedil;&atilde;o. Assim como no sistema americano, o fiscal plantonista e sua equipe t&ecirc;m 36 horas para apurar o crime no qual o suspeito est&aacute; envolvido, elaborar um relat&oacute;rio e apresentar o acusado a um juiz, que decide se o r&eacute;u vai responder a processo preso ou em liberdade. </p>
<p>Pres&iacute;dios t&ecirc;m modelo a ser seguido<br />
Publicado em 30.04.2006 </p>
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Projetar um pres&iacute;dio digno, seguro e funcional. Essa foi a miss&atilde;o recebida por Eduardo de Irisarri, um dos maiores arquitetos da Col&ocirc;mbia, em 2000. Dois anos depois, Bogot&aacute; receberia a Cadeia Municipal, constru&iacute;da em 1938, totalmente reformada e um modelo de unidade carcer&aacute;ria na Am&eacute;rica Latina.
<p>O sistema carcer&aacute;rio colombiano &eacute; responsabilidade do governo federal. Existem tr&ecirc;s cadeias federais em Bogot&aacute;, al&eacute;m da cadeia municipal. Na unidade administrada pela prefeitura s&oacute; s&atilde;o admitidos presos sentenciados a penas inferiores a quatro anos. </p>
<p>A Cadeia Municipal de Bogot&aacute; tem seis pavilh&otilde;es, um deles feminino, e capacidade para 1.028 pessoas. No &uacute;ltimo m&ecirc;s de mar&ccedil;o, havia 541 detentos cumprindo pena. Todos os presos usam uniformes. Nas celas n&atilde;o h&aacute; tomadas para energia el&eacute;trica, apenas uma lumin&aacute;ria na parede oposta &agrave; porta, dois beliches de alvenaria, uma privada e uma pia. Os presos ficam das 6h &agrave;s 19h30 no p&aacute;tio, onde t&ecirc;m atividades esportivas e laborais. </p>
<p>&ldquo;Temos uma cadeia organizada, limpa e moderna. Apesar disso, &eacute; uma das unidades mais temidas pelos criminosos, exatamente pelo rigor da disciplina&rdquo;, ressalta o diretor Leonardo Ria&ntilde;o. Cada detento da cadeia de Bogot&aacute; custa cerca de R$ 900 por m&ecirc;s aos cofres p&uacute;blicos. Em S&atilde;o Paulo, o custo m&eacute;dio de um preso &eacute; de R$ 700. Em Pernambuco, esse valor n&atilde;o foi devidamente calculado. </p>
<p>A modernidade das instala&ccedil;&otilde;es se estende aos dois andares dedicados &agrave; guarda. H&aacute; um piso s&oacute; para alojamentos e outro com sal&atilde;o de jogos, sala de gin&aacute;stica e TV para o lazer dos 100 sentinelas. Uma empresa de seguran&ccedil;a terceirizada monitora a cadeia com 96 c&acirc;meras de v&iacute;deo. </p>
<p>Perigo ainda ronda periferia<br />
Publicado em 30.04.2006 </p>
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Com 713 mil habitantes e 26% deles vivendo abaixo da linha de pobreza, o bairro de Ciudad Bol&iacute;var, na regi&atilde;o sul de Bogot&aacute;, n&atilde;o experimentou a mesma mudan&ccedil;a radical de seguran&ccedil;a experimentada, sobretudo, na rica &aacute;rea norte da cidade. Os avan&ccedil;os de transporte e urbanismo registrados nas regi&otilde;es centrais, que contribu&iacute;ram para as quedas mais dr&aacute;sticas de homic&iacute;dios, n&atilde;o chegaram aos moradores de Ciudad Bol&iacute;var.
<p>O distante bairro da periferia de Bogot&aacute; lembra muito as &aacute;reas de morro do Recife. Grande parte das ruas n&atilde;o tem pavimenta&ccedil;&atilde;o e as que t&ecirc;m est&atilde;o esburacadas. A taxa de desemprego na capital colombiana &eacute; de 12%, mas em Ciudad Bolivar a falta de ocupa&ccedil;&atilde;o para os moradores &eacute; bem mais gritante pela quantidade de pessoas que ficam pelas esquinas sem ter o que fazer. </p>
<p>&ldquo;J&aacute; fui levado para o posto policial mais de vinte vezes. Os soldados n&atilde;o querem saber. Se nos encontram na rua j&aacute; v&atilde;o pedindo os documentos e revistando. Depois levam a gente preso e ficamos l&aacute; at&eacute; eles decidirem soltar, s&oacute; porque somos desempregados&rdquo;, contam os primos Fred e Ronald Beltr&aacute;n, de 25 e 15 anos respectivamente. </p>
<p>Ronald abandonou a escola e Fred sobrevive anotando os hor&aacute;rios dos &ocirc;nibus em uma agenda e recebendo trocados dos moradores e dos fiscais das empresas pelas informa&ccedil;&otilde;es. No dia em que a reportagem do JC esteve em Ciudad Bol&iacute;var conversando com os dois, um vizinho deles tinha acabado de ser assassinado. </p>
<p>Quase 30% da popula&ccedil;&atilde;o de Ciudad Bol&iacute;var &eacute; formada pelos chamados desplazados, pessoas vindas do interior, que tiveram de abandonar suas terras por causa da guerrilha. </p>
<p>&ldquo;O maior investimento que o governo est&aacute; fazendo em Ciudad Bol&iacute;var &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o de uma esta&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;cia. A preocupa&ccedil;&atilde;o est&aacute; muito mais concentrada em manter aquela popula&ccedil;&atilde;o sob controle do que em proporcionar melhorias para o povo&rdquo;, avalia Lilia Solano, da Organiza&ccedil;&atilde;o N&atilde;o-Governamental Justi&ccedil;a e Vida, que atua em Ciudad Bol&iacute;var. </p>
<p>Para tentar se aproximar das comunidades pobres, a Pol&iacute;cia Nacional mant&eacute;m tr&ecirc;s escolas de ensino prim&aacute;rio em bairros da periferia de Bogot&aacute;. Uma delas em Ciudad Bol&iacute;var. O Centro educativo Amigos da Natureza, coordenado pela oficial Flor Elva, da Pol&iacute;cia Metropolitana de Bogot&aacute;, atende meninos e meninas de 6 a 15 anos. </p>
<p>&ldquo;Temos professores que ensinam as mat&eacute;rias que todas as escolas t&ecirc;m e tamb&eacute;m contamos com cadetes da Pol&iacute;cia Nacional que ensinam li&ccedil;&otilde;es de ecologia, cidadania e direitos humanos. Os estudantes tamb&eacute;m recebem almo&ccedil;o e lanche&rdquo;, explica a coordenadora. </p>
<p>&ldquo;A pol&iacute;cia tenta essa aproxima&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o &eacute; uma transi&ccedil;&atilde;o f&aacute;cil fazer com que a popula&ccedil;&atilde;o de uma &aacute;rea marcada pela viol&ecirc;ncia como Ciudad Bol&iacute;var confie nas autoridades. Trabalho com esse p&uacute;blico h&aacute; oito anos e s&oacute; recentemente come&ccedil;amos a ter alguns avan&ccedil;os&rdquo;, analisa a psic&oacute;loga Claudia Jane Sanchez Reyes, contratada pela Pol&iacute;cia Nacional para desenvolver trabalhos sociais com jovens em situa&ccedil;&atilde;o de risco em Ciudad Bol&iacute;var. </p>
<p>O Coronel Luiz Alberto Ramirez, chefe do Programa Bogot&aacute; Social da Pol&iacute;cia Nacional, assegura que a corpora&ccedil;&atilde;o vem passando por mudan&ccedil;as fundamentais nos &uacute;ltimos dez anos e que o modelo atual de policiamento privilegia o contato comunit&aacute;rio e a integra&ccedil;&atilde;o com a sociedade. </p>
<p>&ldquo;Todos os anos admitimos jovens egressos do servi&ccedil;o militar como auxiliares ou cadetes. Atualmente s&atilde;o 5 mil rapazes que auxiliam o patrulhamento de tr&acirc;nsito, a fiscaliza&ccedil;&atilde;o de locais p&uacute;blicos e realizam a&ccedil;&otilde;es sociais em escolas p&uacute;blicas para dar o exemplo a outros jovens&rdquo;, afirma o coronel. </p>
<p>ENTREVISTA/LILIA SOLANO<br />
&quot; Pobres seguem sendo mortos&quot;<br />
Publicado em 30.04.2006 </p>
<p><em>A cientista pol&iacute;tica e fil&oacute;sofa Lilia Solano fundou a organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Justi&ccedil;a e Vida para denunciar crimes contra as minorias colombianas. Ela garante que para os pobres de Bogot&aacute; a viol&ecirc;ncia continua assustando e fazendo v&iacute;timas.</em></p>
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JORNAL DO COMMERCIO &ndash; A redu&ccedil;&atilde;o dos &iacute;ndices de homic&iacute;dios em Bogot&aacute; &eacute; um exemplo internacional de combate &agrave; criminalidade que deu certo. A senhora contesta essa informa&ccedil;&atilde;o?
<p>LILIA SOLANO &ndash; Depende do ponto de vista. A Bogot&aacute; dos hot&eacute;is e dos parques &eacute; muito bonita e segura, mas essa n&atilde;o &eacute; a Bogot&aacute; de todos. Essa &eacute; a Bogot&aacute; s&oacute; dos que podem pagar por ela. Os pobres seguem sendo mortos em uma limpeza social de pobres, que continua ocorrendo sem que provid&ecirc;ncias sejam tomadas. Hoje &eacute; diferente dos anos 80, quando se matavam na Col&ocirc;mbia os negros, os homossexuais, as prostitutas, as crian&ccedil;as de rua. Atualmente, essa criminalidade est&aacute; voltada para os pobres. </p>
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<p>JC &ndash; Como a senhora chegou a essa conclus&atilde;o? </p>
<p>LILIA &ndash; N&oacute;s fazemos um trabalho social em Ciudad Bol&iacute;var e passamos a receber v&aacute;rias den&uacute;ncias sobre os homic&iacute;dios ocorridos l&aacute;. Essas informa&ccedil;&otilde;es eram muito mais alarmantes do que est&aacute;vamos acostumados a ver na imprensa. Solicitamos &agrave; prefeitura os dados oficias das mortes em Ciudad Bol&iacute;var. Nunca os recebemos. Depois de sermos mandados de uma institui&ccedil;&atilde;o para outra, finalmente a Pol&iacute;cia Nacional nos deu a informa&ccedil;&atilde;o. Foram 156 assassinatos de menores de 25 anos em 2004, somente naquela localidade. </p>
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<p>JC &ndash; Esses n&uacute;meros n&atilde;o estavam &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o no Sistema Unificado de Informa&ccedil;&atilde;o de Viol&ecirc;ncia e Delinq&uuml;&ecirc;ncia? </p>
<p>LILIA &ndash; O Suivd foi uma das fontes de informa&ccedil;&atilde;o indicada para n&oacute;s, mas n&atilde;o servia para a nossa pesquisa porque, al&eacute;m do n&uacute;mero de mortes, quer&iacute;amos saber o andamento das investiga&ccedil;&otilde;es. A pol&iacute;cia nos forneceu esses dados e o que ficamos sabendo &eacute; que na absoluta maioria dos casos, os motivos do crime estavam &ldquo;por esclarecer&rdquo;. Isso &eacute;, as autoridades n&atilde;o dedicam tempo a apurar os assassinatos que t&ecirc;m por v&iacute;timas os moradores de Ciudad Bol&iacute;var. </p>
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<p>JC &ndash; A sua pesquisa descobriu quem est&aacute; por tr&aacute;s dos homic&iacute;dios em Ciudad Bol&iacute;var? </p>
<p>LILIA &ndash; A grande massa da popula&ccedil;&atilde;o de l&aacute; &eacute; formada por desplazados (ind&iacute;genas, afro-descendentes e camponeses expulsos de suas terras pelo conflito entre as guerrilhas de esquerda e de direita). Sabemos que o paramilitarismo (guerrilha de Direita) realiza recrutamento for&ccedil;ado em algumas &aacute;reas de Ciudad Bol&iacute;var. Os jovens que se recusam a cooperar s&atilde;o amea&ccedil;ados ou mortos. </p>
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<p>JC &ndash; Mesmo com um prefeito de esquerda esse lado social n&atilde;o est&aacute; sendo contemplado? </p>
<p>LILIA &ndash; H&aacute; um esfor&ccedil;o de atendimento de necessidades b&aacute;sicas, inspirado no Programa Fome Zero, do seu pa&iacute;s. No entanto, o importante s&atilde;o mudan&ccedil;as estruturais de sa&uacute;de, moradia e educa&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o est&atilde;o sendo observadas, mesmo com um prefeito de esquerda. Talvez porque precisem de a&ccedil;&otilde;es em outros n&iacute;veis de poder. </p>
<p>Banco de dados localiza &aacute;reas com maior taxa de delitos<br />
Publicado em 30.04.2006 </p>
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Em 1995, a Prefeitura de Bogot&aacute; criou o Sistema Unificado de Informa&ccedil;&atilde;o de Viol&ecirc;ncia e Delinq&uuml;&ecirc;ncia (Suivd). Um banco de dados alimentado por seis institui&ccedil;&otilde;es que localiza os pontos da cidade onde h&aacute; a ocorr&ecirc;ncia de homic&iacute;dios, suic&iacute;dios, acidentes de tr&acirc;nsito e mais sete tipos de delitos considerados graves. A iniciativa foi inspirada no programa Desenvolvimento, Seguran&ccedil;a e Paz (Desepaz), realizado pelo prefeito Rodrigo Guerreiro, na cidade de Cali, tamb&eacute;m na Col&ocirc;mbia, entre 1992 e 1994.
<p>O programa desenvolvido em Cali foi o primeiro a dar um enfoque epidemiol&oacute;gico &agrave; viol&ecirc;ncia na Col&ocirc;mbia. Nessa diretriz, contabilizar dados sobre v&iacute;timas e vetores da criminalidade era o primeiro passo para enfrentar o problema com propriedade. Em seguida, &eacute; necess&aacute;rio identificar as causas e os fatores de risco, depois p&ocirc;r em pr&aacute;tica as a&ccedil;&otilde;es de enfrentamento e, por &uacute;ltimo, analisar e avaliar a efetividade das iniciativas de preven&ccedil;&atilde;o. </p>
<p>Al&eacute;m dos dados da Pol&iacute;cia Nacional (do Centro de Investiga&ccedil;&otilde;es Criminol&oacute;gicas e das Inspetorias), o Suivd recebe informa&ccedil;&otilde;es do Instituto Nacional de Medicina Legal, da Secretaria Distrital de Tr&acirc;nsito, Secretaria Distrital de Sa&uacute;de, das Unidades de Media&ccedil;&atilde;o e Concilia&ccedil;&atilde;o e do Departamento Administrativo de Bem-Estar Social. </p>
<p>O princ&iacute;pio da transpar&ecirc;ncia nas informa&ccedil;&otilde;es sobre viol&ecirc;ncia tamb&eacute;m se traduziu no interc&acirc;mbio de experi&ecirc;ncias entre a Pol&iacute;cia Nacional e as universidades. Quase cinco mil policiais foram capacitados nas universidades de Bogot&aacute; e as portas das esta&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;cia da capital colombiana foram abertas para os pesquisadores. </p>
<p>Pr&ecirc;mio atestam avan&ccedil;os<br />
Publicado em 30.04.2006 </p>
<p>&nbsp;</p>
Nos &uacute;ltimos quatro anos, Bogot&aacute; recebeu tr&ecirc;s pr&ecirc;mios internacionais em reconhecimento aos avan&ccedil;os registrados no combate &agrave; criminalidade. As distin&ccedil;&otilde;es foram conferidas pelo Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em 2002, pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), em 2003, e pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Cultura (Unesco), em 2004.
<p>Os pr&ecirc;mios n&atilde;o dizem apenas que Bogot&aacute; &eacute; hoje mais segura do que nos anos 90. Atestam que a qualidade de vida dos moradores da cidade melhorou em todos os sentidos. Nas ruas e pra&ccedil;as n&atilde;o ocorrem apenas menos crimes. Na verdade, as vias se tornaram o grande ponto de encontro dos bogotanos, seja nos grandes eventos p&uacute;blicos e privados, seja nos mais de cem quil&ocirc;metros de ciclovias ou apenas para caminhadas ao ar livre. </p>
<p>Diferentemente do Recife, onde caminhar &agrave; noite em qualquer bairro &eacute; uma temeridade, explorar as oito &aacute;reas de Bogot&aacute; onde ficam os p&oacute;los de divers&atilde;o, &eacute; uma atra&ccedil;&atilde;o. As ruas s&atilde;o absolutamente livres para os pedestres. Nem mesmo os t&aacute;xis podem parar ao longo das vias. </p>
<p>Por outro lado, praticamente cada quadra tem um estacionamento para os carros particulares. A proibi&ccedil;&atilde;o de estacionar vale para todas as ruas da capital. Imposta inicialmente para evitar atentados com carros-bomba, a medida teve um segundo efeito: reduziu em mais de 30% o n&uacute;mero de furtos de ve&iacute;culos. </p>
<p>&ldquo;Sempre sa&iacute;mos &agrave; noite para &lsquo;rumbiar&rsquo; (o equivalente a ir para a balada na Col&ocirc;mbia) sem qualquer receio&rdquo;, conta a publicit&aacute;ria Maria del Pilar Aulestia. &ldquo;N&atilde;o vemos problema em deixar o carro no estacionamento, mas, na maioria das vezes, &eacute; mais pr&aacute;tico chamar um t&aacute;xi&rdquo;, completa a tamb&eacute;m publicit&aacute;ria Paola Duarte. </p>
<p>As duas s&atilde;o freq&uuml;entadoras dos bares e restaurantes do Parque da Rua 93. As amigas relatam que sempre que saem em grupo, uma das pessoas n&atilde;o ingere bebida alco&oacute;lica, ficando respons&aacute;vel pela dire&ccedil;&atilde;o do ve&iacute;culo no retorno para casa. </p>
<p>As interven&ccedil;&otilde;es urban&iacute;sticas ajudaram a tornar a capital colombiana uma cidade atrativa para moradores e visitantes. Ainda este ano, a prefeitura planeja desenvolver um p&oacute;lo universit&aacute;rio. &ldquo;Bogot&aacute; tem tradi&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea educacional e vamos criar um eixo de universidades na &aacute;rea central da cidade para atrair ainda mais estudantes de outras regi&otilde;es e at&eacute; do exterior. Essas e outras iniciativas como o Festival Internacional de Teatro s&atilde;o a&ccedil;&otilde;es da prefeitura para consolidar a variedade de atra&ccedil;&otilde;es que a metr&oacute;pole oferece&rdquo;, ressalta o subsecret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a, Andres Restrepo. </p>
<p>Aos domingos e feriados, 121 quil&ocirc;metros de ruas e avenidas s&atilde;o fechados para os ciclistas. &Eacute; poss&iacute;vel cortar toda a cidade de bicicleta e, segundo c&aacute;lculos da Secretaria de Transporte, cerca de 700 mil pessoas freq&uuml;entam as ciclorrotas. O sucesso &eacute; tanto que o passeio j&aacute; ficou conhecido como a &ldquo;praia dos bogotanos&rdquo;. </p>
<p>Potencial tur&iacute;stico reconhecido<br />
Publicado em 30.04.2006 </p>
<p>&nbsp;</p>
Jornais como El Pa&iacute;s (Espanha) e New York Times (Estados Unidos) e publica&ccedil;&otilde;es do porte da Travel + Leisure (uma das revistas de turismo mais prestigiadas dos Estados Unidos) e da Lonely Planet (mais famosa editora de guias de viagem do mundo) elegeram este ano Bogot&aacute; um dos melhores destinos na Am&eacute;rica do Sul. Todos os textos mandam seus leitores esquecerem a imagem de cidade dominada pelas drogas e sacudida por combates entre guerrilheiros. A garantia &eacute; de que os viajantes v&atilde;o conhecer uma capital cosmopolita e ao mesmo tempo cheia de riquezas hist&oacute;ricas, al&eacute;m da vida noturna agitada e de uma gastronomia para todos os paladares. Do total de estrangeiros que visitaram Bogot&aacute; em 1999, apenas 5% viajaram para fazer turismo. Em 2003, esse percentual subiu para 20%.
<p>&ldquo;H&aacute; oito anos, quando comecei a trabalhar como taxista, os poucos turistas que apareciam por aqui passavam poucos dias e chegavam temerosos com as not&iacute;cias de viol&ecirc;ncia. Hoje em dia, j&aacute; chegam fam&iacute;lias inteiras que se divertem n&atilde;o s&oacute; em Bogot&aacute;, mas em outros departamentos (Estados) e cidades. Abandonei o t&aacute;xi de rua e comprei um carro executivo apenas para servir aos turistas dos hot&eacute;is&rdquo;, relata o motorista Luiz Alberto Rincon. </p>
<p>A maioria dos turistas estrangeiros que visitam Bogot&aacute; vem dos Estados Unidos, Venezuela, Equador e Espanha. Os &ldquo;gringos&rdquo; correspondem a 30% do total de visitantes. Os demais s&atilde;o provenientes de cidades vizinhas e do interior do pa&iacute;s. </p>
<p>&ldquo;Viajo com freq&uuml;&ecirc;ncia para a Col&ocirc;mbia desde 1997. Lembro que naquela &eacute;poca, ao chegar ao aeroporto, encontrava um carro blindado e uma escolta para me levar para o hotel. Nos &uacute;ltimos anos, esses cuidados foram desnecess&aacute;rios e me sinto totalmente seguro quando estou no pa&iacute;s&rdquo;, diz um alto executivo da Johnson &amp; Johnson, que pediu para ter o nome preservado e esteve em Bogot&aacute; e Medel&iacute;n no m&ecirc;s passado. </p>
<p>Outro setor que s&oacute; teve a ganhar com a melhoria da seguran&ccedil;a foi o de bares e restaurantes. Penalizados inicialmente com a imposi&ccedil;&atilde;o da lei seca, os empres&aacute;rios comemoraram a flexibiliza&ccedil;&atilde;o do hor&aacute;rio de restri&ccedil;&atilde;o, em 1998, para as 3h. Hoje, a venda de bebida alco&oacute;lica &eacute; liberada. Apenas nos bairros que apresentam &iacute;ndices altos de criminalidade a proibi&ccedil;&atilde;o foi mantida. </p>
<p>&ldquo;Quem teve a vis&atilde;o para compreender que a lei seca era necess&aacute;ria naquele momento soube se adequar &agrave; restri&ccedil;&atilde;o e hoje comemora uma amplia&ccedil;&atilde;o de mercado e a consolida&ccedil;&atilde;o de Bogot&aacute; como cidade plural, segura e atrativa&rdquo;, avalia o consultor do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento, Hugo Acero.</p>
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Decis&atilde;o pol&iacute;tica, planejamento de a&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas com focos bem definidos contra a criminalidade e prioridade para o combate &agrave; viol&ecirc;ncia nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de todas as &aacute;reas. A receita foi uma das propostas sugeridas, ontem, durante quatro horas de debate na mesa-redonda Recife-Bogot&aacute;, Converg&ecirc;ncias e Desafios, promovida pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunica&ccedil;&atilde;o e realizada no audit&oacute;rio do JC, em Santo Amaro.
<p>O autor da sugest&atilde;o, o soci&oacute;logo mineiro Jos&eacute; Luiz Ratton, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), defendeu a&ccedil;&otilde;es r&aacute;pidas e integradas de todos os poderes e inst&acirc;ncias governamentais envolvidos com o problema. &ldquo;Podemos fazer alguma coisa com o que temos. A experi&ecirc;ncia de Bogot&aacute; (Col&ocirc;mbia) nos mostra que isso &eacute; poss&iacute;vel&rdquo;, enfatizou o estudioso. &ldquo;Se os recursos s&atilde;o escassos, devem ser usados nos principais focos, como reduzir as mortes intencionais violentas&rdquo;, acrescentou. </p>
<p>As discuss&otilde;es no JC reuniram, ainda, o diretor da Escola Superior de Magistratura de Pernambuco, desembargador Jones Figueiredo, o procurador-geral de Justi&ccedil;a, Francisco Sales, o secret&aacute;rio de Defesa Social, Rodney Miranda, o presidente da Comiss&atilde;o de &Eacute;tica da Assembl&eacute;ia Legislativa, Ant&ocirc;nio Moraes (PSDB), o vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira, e o coordenador do Gabinete de Apoio Jur&iacute;dico &agrave;s Organiza&ccedil;&otilde;es Populares (Gajop), Fernando Mattos, al&eacute;m do rep&oacute;rter especial do JC Eduardo Machado, do jornalista Laurindo Ferreira, diretor-adjunto de Reda&ccedil;&atilde;o do jornal, e Eduardo Lemos, conselheiro do Sistema JC. </p>
<p>O encontro foi para debater a seguran&ccedil;a p&uacute;blica no Recife a partir da experi&ecirc;ncia de Bogot&aacute;, retratada pelo rep&oacute;rter Eduardo Machado em caderno especial publicado no &uacute;ltimo domingo. Ele passou 15 dias na capital boliviana conhecendo as a&ccedil;&otilde;es que reduziram os &iacute;ndices de criminalidade nos &uacute;ltimos dez anos. A taxa de homic&iacute;dios no ano passado chegou a ser quase tr&ecirc;s vezes menor que a recifense. L&aacute;, de cada 100 mil habitantes, 23,2 s&atilde;o assassinados. Aqui, s&atilde;o 67,9 por 100 mil moradores. &ldquo;N&atilde;o h&aacute; transforma&ccedil;&atilde;o sem mobiliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, justificou Laurindo Ferreira na abertura da mesa-redonda. </p>
<p>Representantes das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e da sociedade civil concordaram, durante o debate, que o atual sistema de seguran&ccedil;a est&aacute; ultrapassado e que &eacute; preciso investir mais no setor, equipar e qualificar a pol&iacute;cia, integr&aacute;-la ao Judici&aacute;rio e ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico, reformar o sistema penitenci&aacute;rio e ampliar a defensoria p&uacute;blica. Como tamb&eacute;m desenvolver, nas cidades, a&ccedil;&otilde;es municipais de preven&ccedil;&atilde;o &agrave; criminalidade, sobretudo, com educa&ccedil;&atilde;o e reordenamento do espa&ccedil;o urbano. Tudo isso somado &agrave; participa&ccedil;&atilde;o da sociedade nos programas e fiscaliza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas. </p>
<p>&ldquo;Temos que superar o modelo arcaico de seguran&ccedil;a p&uacute;blica e caminhar para o controle social&rdquo;, defendeu Fernando Mattos, coordenador do Gajop, cobrando efetivo funcionamento dos f&oacute;runs de participa&ccedil;&atilde;o da sociedade e acesso f&aacute;cil a informa&ccedil;&otilde;es. &ldquo;N&atilde;o adianta colocar um delegado ou um oficial como coordenador de &aacute;rea se a sociedade local n&atilde;o sabe quantos inqu&eacute;ritos foram gerados e devidamente conclu&iacute;dos&rdquo;, comentou. </p>
<p>O procurador-geral Francisco Sales lembrou a falta de comunica&ccedil;&atilde;o entre as institui&ccedil;&otilde;es e o d&eacute;ficit de pessoal. H&aacute; 185 cargos vagos de promotores no Estado. Conforme o desembargador Jones Figueiredo, tamb&eacute;m faltam 450 servidores no judici&aacute;rio estadual. O secret&aacute;rio de Defesa Social, Rodney Miranda, concorda com uma ampla reforma nas pr&aacute;ticas da seguran&ccedil;a p&uacute;blica e a necessidade de maior integra&ccedil;&atilde;o com a sociedade e as prefeituras. Mas lembrou que as discuss&otilde;es levam tempo e que medidas precisam ser tomadas, mesmo que sejam impopulares, como a lei seca. &ldquo;A cada dia de discuss&atilde;o, s&atilde;o 14 jovens da periferia mortos&rdquo;, observou. O vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira, alega que a PCR est&aacute; mapeando a viol&ecirc;ncia na cidade e que a repress&atilde;o policial, com ocupa&ccedil;&atilde;o de bairros, n&atilde;o resolver&aacute; o problema. </p>
				<br><br>
  					]]> 
				
  			</description>
			<pubDate>28.11.2007 -0300</pubDate>
			<category>violência,crime,segurança</category>

          </item>
  
          <item>

            <title>Infância despedaçada</title>
            <link><![CDATA[  http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=619]]> </link>

			<description>
	
				<![CDATA[  
				<p>
				<b><a href='http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=619'>15.10.2007 - </a></b>
				<br><br>
				<p class="MsoNormal"><strong style="">Publicado em 13.07.2005</strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong style="">&nbsp;</strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong style="">Eduardo Machado</strong></p>
<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p class="MsoNormal">Este caderno especial, que marca os 15 anos do Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente, conta hist&oacute;rias de personagens reais, mas que tiveram a identidade protegida por nomes fict&iacute;cios. Reproduz fragmentos de uma inf&acirc;ncia dilacerada pela prostitui&ccedil;&atilde;o, com depoimentos dram&aacute;ticos colhidos ao longo 10,3 mil quil&ocirc;metros percorridos pelos nove Estados nordestinos. Hist&oacute;rias como a de Sebastiana, uma crian&ccedil;a de apenas 10 anos (foto), que substituiu os sonhos de menina pela companhia de motoristas em bol&eacute;ias de caminh&otilde;es em Trindade, Sert&atilde;o de Pernambuco. Mais um vi&eacute;s tr&aacute;gico numa regi&atilde;o que tem se notabilizado pela maneira cruel com que trata seus filhos. No Nordeste, 60% da popula&ccedil;&atilde;o vive abaixo da linha de pobreza, o n&uacute;mero de homic&iacute;dios de jovens &eacute; um dos mais altos do pa&iacute;s e o trabalho infantil uma dolorosa realidade. A reportagem que segue at&eacute; a p&aacute;gina 8 foi escrita por Eduardo Machado, com fotos de Arnaldo Carvalho e Rodrigo Lobo.</p>
<p class="MsoNormal">&nbsp;</p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>INF&Acirc;NCIA DESPEDA&Ccedil;ADA II</strong><strong><br />
Sexo f&aacute;cil e barato nas capitais<br />
</strong>Publicado em 13.07.2005</p>
<p style="" class="MsoNormal"><em>A reportagem do JC registrou nas principais cidades do Nordeste o drama das crian&ccedil;as e adolescentes que se prostituem e s&atilde;o v&iacute;timas de abuso sexual dentro de casa</em></p>
<p class="MsoNormal">Em sete das nove capitais nordestinas, a cena &eacute; recorrente. Nas avenidas dos bairros de luxo ou mesmo nas ruas mais movimentadas da periferia, meninas acima de 14 anos se oferecem para programas sexuais. Com exce&ccedil;&atilde;o de Teresina (PI) e de S&atilde;o Lu&iacute;s (MA), onde o <strong>JC</strong> n&atilde;o localizou pontos de prostitui&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas p&uacute;blicas, nas demais capitais, adolescentes fazem programas at&eacute; mesmo durante o dia. </p>
<p style="" class="MsoNormal">As duas cidades com maior incid&ecirc;ncia de adolescentes entre as garotas de programa s&atilde;o Recife e Natal (RN). Na capital pernambucana, a explora&ccedil;&atilde;o sexual de adolescentes ocorre em plena luz do dia, na Avenida Artur Lima Cavalcante, no bairro de Santo Amaro, Zona Norte da capital pernambucana. Entre as v&aacute;rias jovens que ficam ao longo da via esperando clientes, duas adolescentes de 17 anos. O absurdo foi denunciado h&aacute; seis meses, mas elas continuam l&aacute;. Durante a noite, o quadro &eacute; semelhante na Avenida Conselheiro Aguiar, na Zona Sul da cidade. Meninas de at&eacute; 15 anos disputam espa&ccedil;o com as &ldquo;veteranas&rdquo;. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Em Natal, a explora&ccedil;&atilde;o sexual tem pelo menos tr&ecirc;s endere&ccedil;os. As Praias dos Artistas e de Ponta Negra e a Avenida da Integra&ccedil;&atilde;o, na periferia da cidade. Nesses locais, as adolescentes chegam a ser maioria em alguns pontos. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;Para todos os efeitos, a gente est&aacute; na aula agora. Ficamos aqui s&oacute; at&eacute; as 23h40, quando passa o &uacute;ltimo &ocirc;nibus. A&iacute; a gente volta e diz que ficou fazendo trabalho na sala de aula at&eacute; mais tarde&rdquo;, contam Tatiana e Adriana, ambas com 17 anos, moradoras do bairro Bela Vista e que se prostituem na Praia dos Artistas. </p>
<p style="" class="MsoNormal">As adolescentes cobram R$ 50 por um programa e asseguram que s&oacute; transam se o parceiro fizer uso da camisinha. As duas moram com os pais e t&ecirc;m namorado. Os programas s&atilde;o um segredo compartilhado apenas por elas. &ldquo;Quando a gente quiser, a gente p&aacute;ra. Isso &eacute; s&oacute; para comprar as coisas que gostamos, cr&eacute;dito para o celular, roupas&rdquo;, garantem. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Alguns metros adiante, as primas Helo&iacute;sa e Selma, 17 e 15 anos, moradoras da comunidade de M&atilde;e Lu&iacute;za, pr&oacute;xima &agrave; Praia dos Artistas, esperam os clientes ao lado de uma colega maior de idade. Helo&iacute;sa &eacute; t&atilde;o magra e pequena que parece ter menos que 15 anos. &ldquo;A gente sai para ter dinheiro para beber e fumar. Eu gosto mesmo &eacute; de mulher, fa&ccedil;o programa com homem porque &eacute; o jeito&rdquo;, diz Selma. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Em Aracaju, a nova orla de Atalaia n&atilde;o tem atra&iacute;do apenas turistas interessados em desfrutar dos parques, quadras esportivas e restaurantes. O incremento no fluxo de visitantes trouxe tamb&eacute;m um aumento no n&uacute;mero de garotas nas ruas. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Violeta, 18, e Cristiana, 16, enfrentam uma viagem de uma hora de &ocirc;nibus do bairro Fernando Collor at&eacute; a beira-mar. H&aacute; seis meses, elas fazem programas e ganham entre R$ 150 e R$ 300 por semana. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;Quando minha m&atilde;e pergunta de onde vem o dinheiro, eu digo que &eacute; da bolsa do governo&rdquo;, explica Cristiana, participante do Programa Crian&ccedil;a Cidad&atilde;, da Prefeitura de Aracaju. Pela manh&atilde;, a adolescente freq&uuml;enta aulas de computa&ccedil;&atilde;o para fazer jus a uma ajuda de custo de R$ 50. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Violeta diz que faz programas para poder sustentar a filha de 2 anos. &ldquo;Fa&ccedil;o isso para que a minha filha n&atilde;o tenha que se submeter nunca a coisa parecida&rdquo;, afirma a jovem. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Em Fortaleza, impressiona a quantidade de garotas de programa nas Praias de Meireles e Iracema. Em grupos, elas abordam principalmente os turistas estrangeiros, sem constrangimento e oferecem os servi&ccedil;os sexuais. Apesar de tanta atividade expl&iacute;cita, as adolescentes relutam em admitir que s&atilde;o menores, por causa de uma grande campanha estadual de conscientiza&ccedil;&atilde;o e da realiza&ccedil;&atilde;o de uma CPI local da explora&ccedil;&atilde;o sexual, que vem reprimindo as maiores redes de aliciadores do Cear&aacute;. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>INF&Acirc;NCIA DESPEDA&Ccedil;ADA III</strong><strong><br />
Sem perspectiva, jovens v&atilde;o parar nas ruas e se vendem at&eacute; por R$ 1<br />
</strong>Publicado em 13.07.2005</p>
<p class="MsoNormal">A explora&ccedil;&atilde;o sexual mostra sua face mais cruel quando suas v&iacute;timas s&atilde;o pressionadas pela fome e falta de perspectivas e transforma-se dramaticamente numa quest&atilde;o de sobreviv&ecirc;ncia. Em algumas capitais nordestinas, meninas expostas ao relento e ao risco da vida nas ruas acabam aceitando propostas at&eacute; de R$ 1 para fazer um programa. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Renata, 14 anos, mora na Pra&ccedil;a dos Mart&iacute;rios, Centro de Macei&oacute; (AL). A menina &ldquo;divide&rdquo; o endere&ccedil;o com ningu&eacute;m menos que o governador Ronaldo Lessa, j&aacute; que a pra&ccedil;a onde reside fica em frente ao Pal&aacute;cio dos Mart&iacute;rios, sede do governo alagoano. A poucos metros do gabinete de Lessa, Renata ocupa os bancos da pra&ccedil;a com outros meninos e meninas em situa&ccedil;&atilde;o de rua. Perdeu as contas de quantas vezes foi violentada e espancada. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;J&aacute; levei at&eacute; tiro. Vi uma amiga minha morrer depois de um programa. O cara disparou contra mim tamb&eacute;m, mas eu escapei. Tenho um filho de 1 ano e 4 meses. Ele mora com a minha m&atilde;e. N&atilde;o sei quem &eacute; o pai porque eu transava sem camisinha&rdquo;, conta Renata, que &eacute; usu&aacute;ria de maconha e cola de sapateiro. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Nas poucas vezes em que se distancia do mundo real, Renata consegue sonhar. Queria ao menos conseguir um emprego de empregada dom&eacute;stica, s&oacute; para ter onde comer e dormir todos os dias. &ldquo;Quando n&atilde;o fa&ccedil;o programas, pe&ccedil;o esmola. Nos programas, cobro R$ 5, mas j&aacute; fiz at&eacute; por R$ 1&rdquo;, admite a menina, sem esconder o constrangimento. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Em Natal (RN), Luciana e as outras colegas que fazem ponto entre um poste e um muro de um terreno baldio s&atilde;o conhecidas como &ldquo;as meninas de R$ 1,99&rdquo;. Instaladas numa rua mal iluminada e ao lado de um matagal f&eacute;tido, as garotas fazem programas por tr&aacute;s da parede. Pedem inicialmente R$ 10, mas como a maioria da clientela &eacute; formada por trabalhadores que moram na &aacute;rea, acabam aceitando bem menos. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;Digo a minha m&atilde;e que passo a noite pedindo esmola. Ela &eacute; dom&eacute;stica e meu pai &eacute; pedreiro, s&oacute; que est&atilde;o os dois sem trabalhar. Tenho mais dois irm&atilde;os e a gente passa muita necessidade&rdquo;, relata Luciana, que veste roupas rasgadas e carrega uma mochila velha e suja. &ldquo;Ando sempre com a bolsa para guardar comida e outras coisas que ganho nas ruas.&rdquo; </p>
<p style="" class="MsoNormal">Luciana e as colegas de ponto relatam que sofrem com a viol&ecirc;ncia das pessoas que passam de carro pelo local, geralmente homens. Muitas vezes, os motoristas param e ficam &ldquo;mexendo&rdquo; com elas, amea&ccedil;ando at&eacute; bater quando as meninas se recusam a chegar perto dos ve&iacute;culos. &ldquo;A gente vai para tr&aacute;s do muro e come&ccedil;a a jogar pedra. Esses caras ficam inventando que a gente rouba e faz arrua&ccedil;a na rua&rdquo;, denuncia a adolescente. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>MIGRA&Ccedil;&Atilde;O</strong> &ndash; Em Jo&atilde;o Pessoa (PB), a Praia de Tamba&uacute; concentra o maior n&uacute;mero de garotas de programa. Muitas das jovens dizem que s&atilde;o do interior da Para&iacute;ba e at&eacute; mesmo de Pernambuco. &ldquo;Eu morava em Olinda. Vim para c&aacute; porque aqui tem menos meninas nas ruas que no Recife. H&aacute; mais ou menos um ano, eu e meu namorado vivemos do que eu ganho fazendo programas&rdquo;, diz Maria das Gra&ccedil;as, 17, que, mesmo em uma noite de temporal na capital paraibana, fez dois programas, cobrando R$ 30, cada um. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Questionada se o namorado concorda com o fato de ela se prostituir, Maria das Gra&ccedil;as explica que o rapaz, um vendedor com 20 anos de idade, desempregado, aceita a situa&ccedil;&atilde;o porque n&atilde;o tem como sustent&aacute;-la. &ldquo;Um dia vou sair disso&rdquo;, prev&ecirc;, esperan&ccedil;osa. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>INF&Acirc;NCIA DESPEDA&Ccedil;ADA</strong><strong><br />
An&uacute;ncio dissimula explora&ccedil;&atilde;o<br />
</strong>Publicado em 13.07.2005</p>
<p style="" class="MsoNormal"><em>Classificados de jornais da regi&atilde;o s&atilde;o usados por agenciadores de prostitutas que ignoram restri&ccedil;&otilde;es e oferecem programas com jovens</em></p>
<p class="MsoNormal">O oferecimento de servi&ccedil;os sexuais nas capitais nordestinas extrapola as cal&ccedil;adas de ruas e avenidas movimentadas. At&eacute; mesmo an&uacute;ncios classificados de jornais s&atilde;o utilizados por agenciadores de garotas de programa para atrair clientes. Apesar de a maioria dos peri&oacute;dicos exigir que o anunciante comprove ser maior de idade, n&atilde;o h&aacute; como garantir que, ap&oacute;s a divulga&ccedil;&atilde;o do telefone de contato, adolescentes n&atilde;o sejam inclu&iacute;das entre as prostitutas. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Um exemplo claro disso ocorreu em  S&atilde;o Lu&iacute;s, capital do Maranh&atilde;o, no dia 6 de junho. O <strong>JC</strong> entrou em contato com uma adolescente de 17 anos, que desde os 15 fazia programas por interm&eacute;dio de uma ag&ecirc;ncia. O canal para chegar at&eacute; a garota foi um an&uacute;ncio classificado publicado em um dos jornais de maior circula&ccedil;&atilde;o da cidade. </p>
<p style="" class="MsoNormal">O texto do an&uacute;ncio chama aten&ccedil;&atilde;o diante dos demais porque d&aacute; apenas o nome da suposta garota de programa e as observa&ccedil;&otilde;es: &ldquo;18 aninhos, iniciante&rdquo;. Uma conversa r&aacute;pida pelo telefone j&aacute; demonstra que a descri&ccedil;&atilde;o do classificado &eacute; falsa. O nome divulgado &eacute; inventado, a adolescente tem 17 anos e n&atilde;o &eacute; iniciante. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;O meu cach&ecirc; custa R$ 50. Podemos marcar no motel ou no hotel onde voc&ecirc; est&aacute; hospedado. Garanto que voc&ecirc; n&atilde;o vai se decepcionar&rdquo;, assegura a jovem. </p>
<p style="" class="MsoNormal">O encontro &eacute; marcado em um bar da Avenida Litor&acirc;nea, em S&atilde;o Lu&iacute;s. Uma hora depois, a adolescente chega e, mesmo com a maquiagem carregada, &eacute; poss&iacute;vel notar que se trata de uma menor de idade. Rafaele conta que come&ccedil;ou a fazer programas quando ainda morava com a m&atilde;e, no Bairro Oper&aacute;rio, periferia da capital maranhense. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;J&aacute; fiz parte de duas ag&ecirc;ncias. Eu e outras meninas com menos de 18 anos. A gente s&oacute; atende em mot&eacute;is e, quando algu&eacute;m diz que &eacute; de fora, ligamos para o hotel e checamos se o cara est&aacute; hospedado l&aacute; mesmo&rdquo;, explica Rafaele. A adolescente revela que o an&uacute;ncio no jornal d&aacute; resultados e que dificilmente passa um dia sem fazer um programa. &ldquo;J&aacute; comprei televis&atilde;o, arm&aacute;rio, roupas, sapatos. At&eacute; j&aacute; gastei R$ 800 num trabalho de macumba para conquistar um homem casado por quem me apaixonei&rdquo;, detalha a adolescente, que tamb&eacute;m atende clientes indicados por uma ag&ecirc;ncia de acompanhantes que fica com 50% do valor do programa. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>LUXO &ndash;</strong> No Recife, h&aacute; uma rede de acompanhantes de alto n&iacute;vel, inclusive adolescentes, para quem pode pagar R$ 150 por um programa. Os contatos s&atilde;o feitos pelo celular e os encontros ocorrem nas su&iacute;tes dos mot&eacute;is mais caros da cidade. Para ter acesso a esse esquema &eacute; preciso ser indicado por um cliente j&aacute; conhecido dos agenciadores. </p>
<p style="" class="MsoNormal">A reportagem conseguiu manter contato com uma adolescente de 15 anos que faz parte do esquema. Ela contou que a maioria dos programas que realiza &eacute; com grupos de homens de meia-idade e casados, que alugam as maiores su&iacute;tes dos mot&eacute;is de luxo para festas reservadas. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;Minha m&atilde;e n&atilde;o sabe de nada. Eu pe&ccedil;o dinheiro a ela para comprar uma roupa e completo o valor com o que eu ganho nos programas. Ningu&eacute;m desconfia. Isso vai ser s&oacute; por um tempo, at&eacute; eu entrar na faculdade e garantir o meu futuro&rdquo;, garante a adolescente, que mora no bairro de Jardim S&atilde;o Paulo, Zona Oeste do Recife, e estuda em uma escola p&uacute;blica no per&iacute;odo da noite. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>INF&Acirc;NCIA DESPEDA&Ccedil;ADA II</strong><strong><br />
Redes internacionais alimentam 37 mil sites de pedofilia<br />
</strong>Publicado em 13.07.2005</p>
<p class="MsoNormal">O Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef) estima que existam cerca de 37 mil p&aacute;ginas ativas da internet que envolvam explora&ccedil;&atilde;o sexual, pornografia e pedofilia. No dia 7 de junho, a Pol&iacute;cia Federal deflagrou a Opera&ccedil;&atilde;o Anjo da Guarda, que efetuou pris&otilde;es em nove Estados brasileiros para reprimir uma rede internacional de pedofilia. No Nordeste, o Maranh&atilde;o foi o &uacute;nico Estado-alvo da opera&ccedil;&atilde;o. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Em Pernambuco, ainda n&atilde;o houve registro de pornografia envolvendo crian&ccedil;as e adolescentes sendo divulgada pela internet. No entanto, o Instituto de Criminal&iacute;stica est&aacute; periciando um computador apreendido na casa de um t&eacute;cnico de inform&aacute;tica alem&atilde;o, preso em flagrante por manter rela&ccedil;&otilde;es sexuais com uma adolescente de 16 anos, no m&ecirc;s de abril. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Al&eacute;m de manter rela&ccedil;&otilde;es sexuais, o estrangeiro fotografou a menina e uma amiga dela de 18 anos nuas. O alem&atilde;o estava no Brasil desde julho do ano passado. Ele foi autuado por explora&ccedil;&atilde;o sexual de menor e por tentativa de corrup&ccedil;&atilde;o ativa, j&aacute; que teria tentado subornar os dois policiais militares que atenderam o pedido de socorro das v&iacute;timas. O crime ocorreu na casa do suspeito, uma mans&atilde;o na beira-mar de Pau Amarelo, em Paulista, Regi&atilde;o Metropolitana do Recife. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;A c&acirc;mera que apreendemos na resid&ecirc;ncia do estrangeiro tinha v&aacute;rias fotos das duas jovens nuas e, em algumas, o acusado aparece beijando uma das meninas. Era uma m&aacute;quina digital e apreendemos o computador dele para verificar se existiam outras imagens pornogr&aacute;ficas de adolescentes e se o suspeito divulgava as fotos pela internet&rdquo;, explicou o delegado titular da Ger&ecirc;ncia de Pol&iacute;cia da Crian&ccedil;a e do Adolescente, Zanelli Alencar. </p>
<p style="" class="MsoNormal">O estrangeiro passou um m&ecirc;s preso no Centro de Triagem e Observa&ccedil;&atilde;o Criminol&oacute;gica Professor Everardo Luna, em Abreu e Lima, no Grande Recife. No fim de maio passado, a Justi&ccedil;a concedeu habeas corpus ao acusado, mas vai manter o passaporte dele retido at&eacute; que o processo seja julgado na Comarca de Paulista. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>INF&Acirc;NCIA DESPEDA&Ccedil;ADA</strong><strong><br />
Nas estradas, abusos s&atilde;o escancarados<br />
</strong>Publicado em 13.07.2005</p>
<p style="" class="MsoNormal"><em>Apesar da presen&ccedil;a de policiais, os postos fiscais existentes nas rodovias nordestinas t&ecirc;m se tornado pontos de explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes </em></p>
<p class="MsoNormal">Os postos fiscais existentes nas rodovias nordestinas deveriam ser o primeiro referencial de cidadania para quem cruza as divisas dos Estados do Nordeste. Nesses locais, todos vigiados por policiais militares, as cargas dos caminh&otilde;es s&atilde;o aferidas e as notas fiscais carimbadas para cobran&ccedil;a de impostos. Apesar do car&aacute;ter disciplinador, as &aacute;reas ao redor desses postos t&ecirc;m se tornado ponto de prostitui&ccedil;&atilde;o, sobretudo ao longo das BRs-101 e 116, que cruzam o Pa&iacute;s de ponta a ponta. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Em um levantamento divulgado h&aacute; dois meses, a Coordena&ccedil;&atilde;o de Intelig&ecirc;ncia e a Divis&atilde;o de Combate ao Crime do Departamento de Pol&iacute;cia Rodovi&aacute;ria Federal (PRF), em Bras&iacute;lia, identificou 844 pontos de explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes nas rodovias brasileiras. O estudo da PRF relaciona postos de combust&iacute;veis, bares, restaurantes, hot&eacute;is e mot&eacute;is como os locais onde meninas e meninos se oferecem para fazer sexo pago com os viajantes. </p>
<p style="" class="MsoNormal">O <strong>JC</strong> percorreu 10,3 mil quil&ocirc;metros de estradas pelos nove Estados nordestinos e confirmou que muitas jovens pobres est&atilde;o perdendo a inf&acirc;ncia nas bol&eacute;ias dos caminh&otilde;es, fazendo programas at&eacute; por R$ 5. Durante duas noites, a reportagem acompanhou a movimenta&ccedil;&atilde;o em postos fiscais de Pernambuco e do Cear&aacute;. Nos dois locais, as cenas se repetiram. Dezenas de meninas, adolescentes, mulheres e travestis disputavam o dinheiro dos caminhoneiros que aguardavam a vez de terem as cargas fiscalizadas nos postos. Os programas eram acertados na margem da pista e realizados nas cabines. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Em Xex&eacute;u, cidade distante 152  quil&ocirc;metros do Recife, basta cair a noite para as meninas come&ccedil;arem a chegar, vindas de outras cidades de Pernambuco ou do Estado vizinho de Alagoas. Patr&iacute;cia, 16 anos, e J&uacute;lia, 17, nasceram em Escada, na Mata Sul pernambucana, mas atualmente moram em Joaquim Gomes (AL). &ldquo;A gente pega uma carona com o primeiro caminhoneiro que aparecer l&aacute; em Joaquim Gomes at&eacute; o posto fiscal. Fazemos uns tr&ecirc;s programas e voltamos em outra carona&rdquo;, contam as meninas, que dizem pedir R$ 30 aos clientes, mas admitem j&aacute; ter feito sexo por apenas R$ 10. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Patr&iacute;cia saiu de casa, em Escada, para poder fazer os programas com maior liberdade. Ela vive na resid&ecirc;ncia de J&uacute;lia, em Joaquim Gomes, e diz que gasta os cerca de R$ 100 que ganha por semana com comida e roupas. &ldquo;Comecei a fazer isso porque via minhas amigas fazendo a mesma coisa. Na casa da minha m&atilde;e, todo mundo est&aacute; desempregado. Ela n&atilde;o tem como me sustentar&rdquo;, argumenta a adolescente, que n&atilde;o sabe ler e escrever e s&oacute; freq&uuml;entou a escola quando era crian&ccedil;a. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;Eu queria ser professora, mas n&atilde;o tenho mais cabe&ccedil;a para estudar. A gente vai ficando nessa vida e acaba esquecendo do resto&rdquo;, conta J&uacute;lia, que usa um bon&eacute;, o que ressalta ainda mais sua apar&ecirc;ncia infantil. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>ABORDAGEM &ndash;</strong> Em pouco mais de uma hora, cada uma das garotas fez um programa por R$ 30. Questionadas se os clientes n&atilde;o se preocupam com o risco de serem flagrados fazendo sexo com menores de idade, as duas s&atilde;o enf&aacute;ticas: &ldquo;Quando a gente diz a idade, a&iacute; &eacute; que eles ficam doidos para levar a gente para o caminh&atilde;o o mais r&aacute;pido poss&iacute;vel.&rdquo; </p>
<p style="" class="MsoNormal">Em Penaforte, cidade do Sert&atilde;o cearense que faz limite com Salgueiro, em Pernambuco, as meninas mais novas tamb&eacute;m s&atilde;o as preferidas. Ana Paula, 16, e Juliana, 18, saem todo dia de Sousa, na Para&iacute;ba, de carona nos caminh&otilde;es, at&eacute; Penaforte. No posto fiscal, fazem programas por R$ 10 e R$ 5. &ldquo;O caminhoneiro sabe que, por ele ter dado a carona at&eacute; o posto, a gente faz o programa de gra&ccedil;a&rdquo;, conta Juliana. </p>
<p style="" class="MsoNormal">As duas garotas frisam que viajam para longe de casa n&atilde;o por medo dos pais, mas pelo fato de os postos fiscais concentrarem uma clientela maior. Ana Paula relata que come&ccedil;ou a fazer programas h&aacute; seis meses, depois que saiu de casa em conseq&uuml;&ecirc;ncia de uma briga com o padrasto. &ldquo;Eu n&atilde;o gostava dele e minha m&atilde;e n&atilde;o me dava raz&atilde;o. A&iacute; resolvi me virar sozinha. Ela sabe que fa&ccedil;o isso e n&atilde;o diz nada contra&rdquo;, garante. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Usu&aacute;rias de maconha e bebida alco&oacute;lica, as duas jovens parecem resignadas com a vida que levam. Enquanto conversam, vasculham com o canto dos olhos os corredores formados pelos caminh&otilde;es em busca dos motoristas rec&eacute;m-chegados. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;A hora certa &eacute; quando os caras est&atilde;o indo ou voltando dos banheiros. A gente chega e vai logo dizendo o pre&ccedil;o. &Eacute; muito dif&iacute;cil voltar para casa sem fazer um programinha&rdquo;, ressalta Ana Paula. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>VISTA GROSSA</strong> &ndash; Toda a movimenta&ccedil;&atilde;o das adolescentes e dos motoristas ocorre diante de policiais militares, que n&atilde;o tomam nenhuma atitude para combater a prostitui&ccedil;&atilde;o infantil. No posto fiscal de Penaforte, uma equipe da PM cearense chegou a fazer uma fiscaliza&ccedil;&atilde;o em um bar onde v&aacute;rios caminhoneiros bebiam, no dia 29 de junho, mas nenhum homem acompanhado de adolescentes chegou a ser revistado ou chamado para dar explica&ccedil;&otilde;es. </p>
<p style="" class="MsoNormal">O levantamento da Pol&iacute;cia Rodovi&aacute;ria Federal levou em conta um per&iacute;metro de 60 mil quil&ocirc;metros em 462 munic&iacute;pios de todo o Pa&iacute;s. O relat&oacute;rio foi entregue no dia 13 de maio ao secret&aacute;rio nacional de Direitos Humanos, Nilm&aacute;rio Miranda. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>INF&Acirc;NCIA DESPEDA&Ccedil;ADA II</strong><strong><br />
Usu&aacute;ria de crack, menina de 13 anos foge de institui&ccedil;&otilde;es para se prostituir<br />
</strong>Publicado em 13.07.2005</p>
<p class="MsoNormal">Treze anos. Violentada aos 7 por um tio. Desde ent&atilde;o moradora de rua. Usu&aacute;ria de crack, cola de sapateiro, coca&iacute;na e maconha. Essa &eacute; a hist&oacute;ria de Keila, &oacute;rf&atilde; de pai e m&atilde;e que vive pelas ruas de Feira de Santana (BA), cidade distante 100  quil&ocirc;metros de Salvador. A adolescente j&aacute; passou por todas as institui&ccedil;&otilde;es de prote&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio, mas continua fazendo programas, sobretudo com os caminhoneiros que param nos postos da cidade, ao longo da BR-116. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Keila freq&uuml;entou a escola at&eacute; os 9 anos. Conseguiu iniciar a 2&ordf; s&eacute;rie do ensino b&aacute;sico, mas diz que n&atilde;o tem mais paci&ecirc;ncia para &ldquo;ficar sentada escutando&rdquo;. Com a agita&ccedil;&atilde;o caracter&iacute;stica dos consumidores de crack, a menina choca com a naturalidade que encara se submeter a explora&ccedil;&atilde;o sexual e a pequenos furtos. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;Adoro essa &eacute;poca de S&atilde;o Jo&atilde;o. A cidade fica cheia, a gente ganha dinheiro, as ruas ficam lotadas e a gente entra nas lojas e pega um bocado de roupa &lsquo;emprestada&rsquo;&rdquo;, ironiza a adolescente. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Ela conhece todos os pontos de reuni&atilde;o de meninos e meninas em situa&ccedil;&atilde;o de rua de Feira de Santana. Keila garante que n&atilde;o precisa repartir o dinheiro que ganha com mais ningu&eacute;m, mas nas duas institui&ccedil;&otilde;es do munic&iacute;pio visitadas pela reportagem, pelas quais a adolescente j&aacute; passou, os t&eacute;cnicos informaram que ela chegou a praticar at&eacute; assaltos na companhia de garotos mais velhos. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;N&atilde;o quero falar dessas hist&oacute;rias. N&atilde;o s&oacute; tem eu de menina que mora na rua aqui em Feira de Santana. Sei de outras com 9 anos que j&aacute; saem com os caminhoneiros l&aacute; do posto at&eacute; por R$ 5. Eu n&atilde;o gosto daqui, tenho um namorado em Salvador e vou morar l&aacute;, na casa dele. A gente vai &lsquo;ganhar&rsquo; muito cord&atilde;o dos gringos l&aacute; no Farol da Barra&rdquo;, diz Keila, confirmando que convive com outros jovens que praticam furtos. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Apesar de todo esse hist&oacute;rico, a dura experi&ecirc;ncia da jovem em anos de viv&ecirc;ncia na rua some quando o rumo da conversa deixa um pouco de lado a realidade do dia-a-dia e entra no campo dos projetos futuros. &ldquo;Eu queria ser desenhista. Fazer uns quadros bem bonitos e sair espalhando por a&iacute;. Tamb&eacute;m gosto de dan&ccedil;ar seresta, pagode e reggae. Um dia ainda vou dan&ccedil;ar em uma banda&rdquo;, sonha a adolescente. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>INF&Acirc;NCIA DESPEDA&Ccedil;ADA III</strong><strong><br />
Movimento do p&oacute;lo gesseiro atrai centenas de garotas para Trindade<br />
</strong>Publicado em 13.07.2005</p>
<p class="MsoNormal">Levada por um tio adolescente, Sebastiana, 10 anos, moradora do munic&iacute;pio de Trindade, no Sert&atilde;o pernambucano, passou a freq&uuml;entar os postos de gasolina da cidade, em dezembro do ano passado. Mesmo tendo sido obrigada a raspar a cabe&ccedil;a recentemente por causa de uma infec&ccedil;&atilde;o no couro cabeludo, Sebastiana fazia programas por R$ 10 com os caminhoneiros que cruzam o p&oacute;lo gesseiro do interior de Pernambuco. Segundo o Conselho Tutelar do munic&iacute;pio, cerca de 300 caminh&otilde;es trafegam pela cidade todos os dias, transportando o gesso das minas e f&aacute;bricas existentes na regi&atilde;o. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Depois que o caso de Sebastiana foi denunciado ao Conselho Tutelar, a fam&iacute;lia da menina foi avisada e a garota proibida de sair de casa &agrave; noite. H&aacute; duas semanas, ela n&atilde;o freq&uuml;enta mais o posto. O tio aliciador mudou de cidade. Na casa onde vive com o pai, a m&atilde;e e dois irm&atilde;os, a menina n&atilde;o tem nenhum brinquedo. A renda da fam&iacute;lia &eacute; de R$ 260 por m&ecirc;s, sal&aacute;rio do irm&atilde;o mais velho, que &eacute; gari. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;N&atilde;o vou voltar mais ao posto, n&atilde;o. Eu queria trabalhar numa casa. Varrer, limpar, lavar trem (lou&ccedil;a)&rdquo;, revela Sebastiana enumerando seus planos. A menina sabe ler, mas abandonou a escola porque era v&iacute;tima de chacota dos colegas. &ldquo;Era um bando de meninos perturbadores que ficavam falando porque eu tinha ferida na cabe&ccedil;a e piolho&rdquo;, recorda. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Sebastiana tem vergonha de contar o que fazia &agrave; noite nos postos de gasolina. &ldquo;Eu entrava no caminh&atilde;o, o homem tirava a minha roupa e fazia as coisas.&rdquo; &Eacute; como ela relata o ato a que era submetida em troca de R$ 5, pois a outra metade do pagamento ficava com o tio. O dinheiro servia apenas para pagar um lanche. No &uacute;ltimo dia 28, a comida do dia na casa da fam&iacute;lia era feij&atilde;o com farinha. </p>
<p style="" class="MsoNormal">O pai de Sebastiana, Jos&eacute; Ant&ocirc;nio, 63 anos, garante que vai denunciar o cunhado &agrave; pol&iacute;cia, se ele voltar a aliciar sua filha. &ldquo;A gente vive numa situa&ccedil;&atilde;o muito dif&iacute;cil. Minha mulher &eacute; fraca da cabe&ccedil;a, o menino mais novo tamb&eacute;m e esse meu cunhado, que &eacute; de menor, se aproveitava para levar a menina para fazer essas coisas. N&atilde;o vou deixar isso acontecer de novo, se ele aparecer vou denunciar.&rdquo; </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>INF&Acirc;NCIA DESPEDA&Ccedil;ADA IV</strong><strong><br />
Relat&oacute;rio do Conselho Regional de Medicina acusa caminhoneiros<br />
</strong>Publicado em 13.07.2005</p>
<p class="MsoNormal">Um relat&oacute;rio divulgado no &uacute;ltimo dia 9 de junho pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) reacendeu a discuss&atilde;o sobre a explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes nas das rodovias do Estado. Uma caravana de diretores da entidade, que percorreu 60 munic&iacute;pios com o objetivo de fiscalizar as condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o, acabou se deparando com um quadro tr&aacute;gico: meninas e meninos vendendo o corpo nas margens das estradas. Na maioria dos casos, caminhoneiros pagam R$ 5 para fazer sexo com adolescentes, mas foram anotados casos extremos, como uma menina de 7 anos que praticava sexo oral por R$ 0,10, em Caruaru, no Agreste do Estado. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;Infelizmente, o que encontramos foi um quadro terr&iacute;vel em todo o interior do Estado, com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; explora&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes. Isso &eacute; uma quest&atilde;o de sa&uacute;de p&uacute;blica porque, al&eacute;m dos danos psicol&oacute;gicos, essas jovens est&atilde;o sendo contaminadas com doen&ccedil;as sexualmente transmiss&iacute;veis e ficando gr&aacute;vidas cada vez mais cedo&rdquo;, ressalta o presidente do Cremepe, Ricardo Paiva. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Paiva defende um trabalho mais integrado para enfrentar a quest&atilde;o da explora&ccedil;&atilde;o sexual em Pernambuco.  De acordo com o presidente do Cremepe, mesmo nas cidades onde j&aacute; est&aacute; em funcionamento o Projeto Sentinela, os avan&ccedil;os s&atilde;o t&iacute;midos na repress&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o do problema. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;J&aacute; come&ccedil;amos a nos articular com ONGs de defesa dos direitos das crian&ccedil;as e das mulheres, com o poder p&uacute;blico e com outros &oacute;rg&atilde;os de classe para reunir for&ccedil;as e tratar o combate &agrave; explora&ccedil;&atilde;o como prioridade. Acho que o foco principal tem de ser a preven&ccedil;&atilde;o. &Eacute; preciso evitar que esses meninos e meninas sejam cooptados pelos aliciadores e passem a vender o corpo dessa maneira&rdquo;, pontua Paiva. </p>
<p style="" class="MsoNormal">A caravana do Cremepe encontrou os piores casos de explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes ao redor das cidades-p&oacute;lo do interior. Caruaru, no Agreste, e Palmares, na Mata Sul, s&atilde;o dois exemplos de onde a prostitui&ccedil;&atilde;o infantil &eacute; facilmente encontrada. &ldquo;O pior &eacute; que existem muito poucas institui&ccedil;&otilde;es oferecendo alguma alternativa para as adolescentes que est&atilde;o sendo convidadas a entrar no esquema&rdquo;, finaliza o presidente do Cremepe. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), a elevada taxa de gravidez entre as jovens &eacute; apontada pelo Censo 2000. De acordo com esses dados, a &uacute;nica faixa et&aacute;ria em que n&atilde;o h&aacute; redu&ccedil;&atilde;o da fecundidade &eacute; a de meninas entre 15 e 19 anos. Em 2000, para cada grupo de mil adolescentes, 90 tinham pelo menos um filho, 20% a mais que o registrado em 1980. Uma an&aacute;lise dos partos realizados pelo Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS), em 1999, demonstrou que 27% dos procedimentos tiveram como pacientes meninas de 10 a 19 anos, totalizando 756.553 adolescentes gr&aacute;vidas naquele ano. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>CAMPANHA</strong> &ndash; Para o presidente da Uni&atilde;o Brasileira dos Caminhoneiros (Ubcam), Jos&eacute; Em&iacute;dio Natan Neto, a inclus&atilde;o da categoria entre os principais aliciadores de crian&ccedil;as e adolescentes j&aacute; foi verdade no passado, mas n&atilde;o corresponderia mais com a realidade atual. &ldquo;Antigamente eu recebia aqui no sindicato dezenas de cartas de rapazes e mo&ccedil;as pedindo que a gente localizasse os pais deles. Esses jovens eram filhos de rela&ccedil;&otilde;es de beira de estrada que nunca conheceram seus genitores. Isso hoje n&atilde;o acontece mais. Essa quest&atilde;o da prostitui&ccedil;&atilde;o infantil est&aacute; restrita &agrave;s &aacute;reas mais remotas do interior do Pa&iacute;s&rdquo;, arrisca Natan. </p>
<p style="" class="MsoNormal">O presidente da Ubcam assegura que a categoria est&aacute; disposta a participar das campanhas de conscientiza&ccedil;&atilde;o e combate &agrave; explora&ccedil;&atilde;o sexual a que forem convidados. &ldquo;N&atilde;o queremos que essa imagem de agente do mal das estradas fique na cabe&ccedil;a das pessoas. Somos trabalhadores e n&atilde;o concordamos de jeito nenhum com isso&rdquo;, frisa o sindicalista. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Jos&eacute; Natan relata ainda que, em  Minas Gerais, onde fica a sede da Ubcam, j&aacute; foi iniciada uma campanha que prega a carona respons&aacute;vel. &ldquo;Pegar viajantes na beira da pista &eacute; um costume antigo dos carreteiros em todo o Pa&iacute;s. Sabemos que n&atilde;o vamos extinguir isso, mas queremos que os companheiros tenham responsabilidade n&atilde;o s&oacute; com a quest&atilde;o da prostitui&ccedil;&atilde;o infantil, mas tamb&eacute;m com rela&ccedil;&atilde;o aos assaltos&rdquo;, finaliza Natan. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>INF&Acirc;NCIA DESPEDA&Ccedil;ADA</strong><strong><br />
Crime tamb&eacute;m &eacute; cometido em  fam&iacute;lia<br />
Publicado em 13.07.2005</strong></p>
<p style="" class="MsoNormal"><em>O combate &agrave; explora&ccedil;&atilde;o sexual de menores n&atilde;o se limita a acabar com as redes especializadas. Em muitos casos a viol&ecirc;ncia ocorre em casa </em></p>
<p class="MsoNormal">No primeiro domingo de maio deste ano, o flanelinha Severino, 42 anos, resolveu visitar o vizinho Jorge, detido por atentado violento ao pudor, desde agosto do ano passado, no Pres&iacute;dio Siridi&atilde;o Durval, em Macei&oacute; (AL). Severino estava acompanhando do filho ca&ccedil;ula, Leandro, de 13 anos. A visita acabou horas mais tarde em uma delegacia, onde Jorge, o presidi&aacute;rio, foi autuado em flagrante por novo atentado ao pudor. Severino, pai de Leandro, foi indiciado como co-autor do crime. A v&iacute;tima: o menino Leandro, que sofreu atentado violento ao pudor numa cela do pres&iacute;dio. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Segundo a delegada de crimes contra a crian&ccedil;a e o adolescente de Alagoas, Ana Lu&iacute;za Nogueira, o pai de Leandro foi indiciado porque n&atilde;o justificou o motivo de ter deixado o filho, sozinho, na cela com um detento preso por crime sexual. A pol&iacute;cia investiga informa&ccedil;&otilde;es de que o pai teria recebido R$ 10 para que o preso violentasse o adolescente. &ldquo;Como foi flagrante, tivemos apenas dez dias para concluir o inqu&eacute;rito, mas o pai foi indiciado como co-autor&rdquo;, informa a policial. </p>
<p style="" class="MsoNormal">O Minist&eacute;rio P&uacute;blico de Alagoas determinou o aprofundamento das investiga&ccedil;&otilde;es porque h&aacute; a possibilidade de o flagrante ter revelado apenas a ponta de uma rede de explora&ccedil;&atilde;o sexual nos pres&iacute;dios daquele Estado. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;Acreditamos que outros adolescentes podem estar sendo explorados em v&aacute;rias unidades carcer&aacute;rias de Alagoas, por isso queremos mais detalhes sobre o caso&rdquo;, explica a promotora Marluce Falc&atilde;o de Oliveira. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Na casa do adolescente Leandro Silva, as irm&atilde;s e a av&oacute; do estudante n&atilde;o acreditam que o flanelinha Severino da Silva tenha &ldquo;vendido&rdquo; o pr&oacute;prio filho para um presidi&aacute;rio. &ldquo;Meu genro est&aacute; doente desde que tudo isso aconteceu. O safado &eacute; esse Jorge, que n&atilde;o soube respeitar a amizade que n&oacute;s todos t&iacute;nhamos com ele. Foi uma decep&ccedil;&atilde;o muito grande o que ele fez com meu neto&rdquo;, assevera a dona de casa Maria de Lurdes, av&oacute; de Leandro. </p>
<p style="" class="MsoNormal">O adolescente, visivelmente constrangido com a viol&ecirc;ncia sofrida, tamb&eacute;m n&atilde;o culpa o pai. Leandro diz que j&aacute; tinha ido outras duas vezes ao pres&iacute;dio e nada de errado aconteceu. &ldquo;Meu pai ficava sempre do meu lado, mas desta vez resolveu tomar banho em outra parte do pavilh&atilde;o. Assim que ficou sozinho comigo, Jorge trancou a cela, me jogou na cama e fez o que queria. Eu gritei e a&iacute; apareceram uns homens, que bateram muito nele. N&atilde;o perd&ocirc;o o que Jorge fez, n&atilde;o. Meu pai est&aacute; revoltado at&eacute; hoje com isso&rdquo;, recorda o garoto. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Leandro foi levado para o Instituto de Medicina Legal alagoano, onde foi constatada a viol&ecirc;ncia sexual e recolhido s&ecirc;men do acusado. O pai do garoto permanece respondendo ao inqu&eacute;rito em  liberdade. Ele n&atilde;o foi localizado para contar a sua vers&atilde;o do epis&oacute;dio. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>ENTREVISTA/ MARIA L&Iacute;LIAN</strong><strong><br />
&ldquo;Eu quero casar com ele&rdquo;<br />
</strong>Publicado em 13.07.2005</p>
<p style="" class="MsoNormal"><em>No dia 1&ordm; de junho, o <strong>JC</strong> esteve em Bel&eacute;m-PB, para conhecer a hist&oacute;ria de Maria L&iacute;lian, 10 anos, gr&aacute;vida de seis meses do padrasto, de 29 anos. Ao chegar &agrave; cidade, a menina foi localizada na cadeia p&uacute;blica. Tinha ido visitar o acusado. &ldquo;Quero casar com ele&rdquo;, afirmou a garota. </em></p>
<p class="MsoNormal">J<strong>ORNAL DO COMMERCIO </strong>&ndash; Quando voc&ecirc; descobriu que estava gr&aacute;vida? </p>
<p style="" class="MsoNormal">M<strong>ARIA L&Iacute;LIAN</strong> &ndash; <em>Foi quando eu estava com dois meses. Pensei que era anemia e fui ao m&eacute;dico com uma amiga que mora na rua (Centro da cidade). Fizeram um exame e fiquei sabendo. </em></p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; E voc&ecirc; contou para a sua m&atilde;e? </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>L&Iacute;LIAN</strong> &ndash; <em>N&atilde;o. S&oacute; contei para Manoel. </em></p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; E o que ele disse? </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>L&Iacute;LIAN </strong>&ndash; <em>Nada. S&oacute; que a gente ia ficar junto. </em></p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; Manoel for&ccedil;ou voc&ecirc; a fazer sexo com ele? </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>L&Iacute;LIAN</strong> &ndash; <em>N&atilde;o. Do mesmo jeito que ele quis, eu quis. </em></p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; Quando voc&ecirc; come&ccedil;ou a se relacionar com o seu padrasto? </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>L&Iacute;LIAN</strong> &ndash; <em>N&atilde;o sei, faz tempo. Desde o ano passado. </em></p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; Voc&ecirc; n&atilde;o achou errado manter essa rela&ccedil;&atilde;o com o marido da sua m&atilde;e e pai dos seus dois irm&atilde;os? </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>L&Iacute;LIAN</strong> &ndash; <em>Ele e a minha m&atilde;e n&atilde;o tinham mais nada. A gente s&oacute; morava tudo junto. </em></p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; A pol&iacute;cia diz que a sua m&atilde;e sabia de tudo e permitia que voc&ecirc; se relacionasse com seu padrasto porque n&atilde;o tinha para onde ir com os filhos. Isso &eacute; verdade? </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>L&Iacute;LIAN</strong> &ndash; <em>&Eacute; n&atilde;o. M&atilde;e n&atilde;o sabia de nada. A gente s&oacute; ficava junto quando ela n&atilde;o estava. Ela vinha muito para a casa</em> <em>da minha av&oacute; porque tem problema de alergia e precisava ficar indo para a rua ver o m&eacute;dico. </em></p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; Voc&ecirc; j&aacute; teve namorado? </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>L&Iacute;LIAN</strong> &ndash; <em>N&atilde;o. </em></p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; Onde voc&ecirc; estava antes? </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>L&Iacute;LIAN</strong> &ndash; <em>No pres&iacute;dio. Fui levar bolacha e fumo para ele. </em></p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; Seu padrasto cometeu um crime. Ele engravidou voc&ecirc;, uma menina de 10 anos. Por isso, ele est&aacute; preso. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>L&Iacute;LIAN</strong> &ndash; <em>(Interrompendo) Eu quero casar com ele.</em> </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; Com o seu padrasto preso,como voc&ecirc;s v&atilde;o se manter? </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>L&Iacute;LIAN</strong> &ndash; <em>N&atilde;o sei. Por enquanto, a gente vai ficar na casa do meu av&ocirc;. </em></p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; A sua professora disse que voc&ecirc; &eacute; uma boa aluna e mostrou suas notas. Como voc&ecirc; acha que vai ser sua vida daqui para frente, com uma filha? </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>L&Iacute;LIAN</strong> &ndash; <em>Vou deixar a menina com m&atilde;e e continuar na escola. Quero cri&aacute;-la com todo o carinho.</em> </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>INF&Acirc;NCIA DESPEDA&Ccedil;ADA II</strong><strong><br />
Pol&iacute;cia paraibana indicia agricultor por engravidar a enteada de 10 anos<br />
</strong>Publicado em 13.07.2005</p>
<p class="MsoNormal">&ldquo;Lila vai ter uma menina. &Eacute; de pai.&rdquo; Essa frase &eacute; de uma garotinha de 3 anos, moradora da &aacute;rea rural de Bel&eacute;m, uma pequena cidade do Agreste paraibano, irm&atilde; de Maria L&iacute;lian, 10 anos, gr&aacute;vida de sete meses do padrasto. Confirmando as pesquisas sobre o assunto, que apontam pais, padrastos e parentes pr&oacute;ximos como respons&aacute;veis por 70% dos abusos contra crian&ccedil;as e adolescentes, Maria L&iacute;lian foi seduzida pelo trabalhador rural Manoel, 29, marido da m&atilde;e dela h&aacute; sete anos, em setembro do ano passado. Passou a manter rela&ccedil;&otilde;es sexuais com o padrasto em  casa. Em dezembro, um m&ecirc;s ap&oacute;s ter menstruado pela primeira vez, ficou gr&aacute;vida. </p>
<p style="" class="MsoNormal">O caso s&oacute; chegou ao conhecimento das autoridades paraibanas no fim de maio deste ano, quando Maria L&iacute;lian se dirigiu ao Hospital de Bel&eacute;m por n&atilde;o estar se sentindo bem. O m&eacute;dico de plant&atilde;o determinou a realiza&ccedil;&atilde;o de uma ultra-sonografia e confirmou que a menina estava gr&aacute;vida havia seis meses. O caso foi levado ao conhecimento do Minist&eacute;rio P&uacute;blico da Para&iacute;ba, que determinou a abertura de inqu&eacute;rito. &ldquo;Fiquei chocado. Tenho uma filha de 10 anos e ela ainda brinca de boneca&rdquo;, diz o promotor de Bel&eacute;m, Jo&atilde;o An&iacute;sio Chaves Neto. </p>
<p style="" class="MsoNormal">A delegada Viviane Magalh&atilde;es indiciou o trabalhador rural por estupro e pediu a pris&atilde;o tempor&aacute;ria do acusado. A m&atilde;e da menina, Jucileide, 32, tamb&eacute;m foi responsabilizada. &ldquo;Apesar de n&atilde;o ter for&ccedil;ado a menina, o acusado cometeu crime de estupro. A m&atilde;e tinha conhecimento do que estava acontecendo e n&atilde;o fez nada para proteger a filha porque dependia financeiramente do companheiro&rdquo;, ressalta a delegada. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>INF&Acirc;NCIA DESPEDA&Ccedil;ADA</strong><strong><br />
ONGs apostam na conscientiza&ccedil;&atilde;o de adolescentes<br />
</strong>Publicado em 13.07.2005</p>
<p style="" class="MsoNormal"><em>Institui&ccedil;&otilde;es que atuam em quatro capitais do Nordeste lutam para ajudar v&iacute;timas de abuso e explora&ccedil;&atilde;o a recome&ccedil;ar a vida ap&oacute;s trauma</em></p>
<p class="MsoNormal">Fortalecer a auto-estima, oferecer alternativas, integrar a fam&iacute;lia no atendimento. Em torno desses tr&ecirc;s valores b&aacute;sicos gira o trabalho de quatro organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais visitadas pelo <strong>JC</strong> no Recife, em Macei&oacute; (AL), em Teresina (PI) e em Natal (RN). As quatro ONGs t&ecirc;m como alvo meninos e meninas v&iacute;timas de abuso e explora&ccedil;&atilde;o sexual e v&ecirc;m conseguindo auxiliar muitos deles a superar os traumas e a reescrever seus objetivos de vida. </p>
<p style="" class="MsoNormal">No Recife, a Casa de Passagem funciona h&aacute; 15 anos e prioriza o fortalecimento da personalidade das 95 meninas de 7  a 17 anos que atende atualmente. As garotas s&atilde;o v&iacute;timas de abuso, estupro, neglig&ecirc;ncia e explora&ccedil;&atilde;o sexual e chegam &agrave; institui&ccedil;&atilde;o encaminhadas pelos Conselhos Tutelares. Segundo a supervisora de sa&uacute;de mental da casa, Cristina Vasconcelos, as atividades da ONG elevam a auto-estima das meninas ao mesmo tempo que oferecem novas alternativas de vida. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;Muitas meninas chegam aqui dizendo que se sentiam como lixo. Ningu&eacute;m se importava com elas, com o que sentiam ou pensavam. Aqui, n&oacute;s incentivamos o protagonismo. Damos import&acirc;ncia &agrave;s opini&otilde;es das jovens e delegamos responsabilidades a todas para que elas compreendam a import&acirc;ncia dos seus atos&rdquo;, destaca Cristina. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Para &Aacute;tila Vieira Corr&ecirc;a, coordenador do Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua em Macei&oacute; e educador do Centro Er&ecirc;, a integra&ccedil;&atilde;o dos jovens &agrave; sociedade pode se dar atrav&eacute;s da educa&ccedil;&atilde;o, do esporte, da m&uacute;sica ou de qualquer outra atividade que contribua para a constru&ccedil;&atilde;o da identidade do indiv&iacute;duo. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;Nosso trabalho aqui em Macei&oacute; est&aacute; voltado para meninos e meninas em situa&ccedil;&atilde;o de rua que precisam de uma oportunidade para desenvolver seus potenciais e encontrar caminhos para um desenvolvimento pleno&rdquo;, ressalta o educador &Aacute;tila. </p>
<p style="" class="MsoNormal">O Centro Er&ecirc; conta com uma unidade na capital alagoana e um rec&eacute;m-adquirido abrigo na cidade de Marechal Deodoro, a dez quil&ocirc;metros de Macei&oacute;. </p>
<p style="" class="MsoNormal">No Piau&iacute;, a Casa de Zabel&ecirc; &eacute; o &oacute;rg&atilde;o de refer&ecirc;ncia no atendimento a meninas v&iacute;timas de abuso e explora&ccedil;&atilde;o sexual. Com 30 funcion&aacute;rios e uma estrutura completa de salas de aula, estudo e trabalho, a ONG vem mudando o destino de muitas adolescentes, abrindo as portas para o mundo da moda. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;N&oacute;s temos uma oficina de moda que funciona tanto para dar uma profiss&atilde;o &agrave;s meninas, quanto para elevar a auto-estima delas, que se sentem valorizadas com a possibilidade de se tornarem estilistas, modelos, costureiras&rdquo;, explica a coordenadora t&eacute;cnica da Casa de Zabel&ecirc;, Karla Miranda. </p>
<p style="" class="MsoNormal">A experi&ecirc;ncia dos profissionais da Casa de Zabel&ecirc; est&aacute; sendo compartilhada com t&eacute;cnicos de 50 munic&iacute;pios piauienses numa oficina ministrada durante o m&ecirc;s de julho. A capacita&ccedil;&atilde;o faz parte de um projeto que visa melhorar a qualidade no atendimento &agrave; crian&ccedil;a e ao adolescente no Estado. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>RENASCER</strong> &ndash; A coordenadora da Casa Renascer, de Natal, K&eacute;sia Ara&uacute;jo, acumula uma dupla responsabilidade. Al&eacute;m de cuidar diretamente do atendimento das 50 meninas v&iacute;timas de abuso e explora&ccedil;&atilde;o sexual ligadas &agrave; casa, a assistente social &eacute; a representante regional do Comit&ecirc; de Enfrentamento da Explora&ccedil;&atilde;o Sexual de Crian&ccedil;as e Adolescentes no Nordeste. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Nos &uacute;ltimos meses, K&eacute;sia vem participando de debates e congressos sobre o tema em todas as capitais nordestinas, tendo como miss&atilde;o mobilizar os demais agentes governamentais e os do terceiro setor para o combate do problema. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;Meu trabalho como coordenadora regional consiste em sensibilizar e mobilizar todos os atores desse cen&aacute;rio para enfrentar a quest&atilde;o e fortalecer as a&ccedil;&otilde;es de governo e das ONGs no combate &agrave; explora&ccedil;&atilde;o sexual&rdquo;, explica. </p>
<p style="" class="MsoNormal">A Casa Renascer funciona em Natal h&aacute; 14 anos. Dez profissionais prestam atendimento psicossocial &agrave;s meninas que freq&uuml;entam a ONG em um turno e t&ecirc;m o rendimento escolar acompanhado em  outro. Cerca de 60% das jovens atendidas s&atilde;o v&iacute;timas de abuso sexual. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>INF&Acirc;NCIA DESPEDA&Ccedil;ADA II</strong><strong><br />
Curso de moda resgata menina que aos 14 anos come&ccedil;ou a se prostituir<br />
</strong>Publicado em 13.07.2005</p>
<p class="MsoNormal">Aos 14 anos, Fab&iacute;ola, moradora da periferia de Teresina-PI, recebeu o convite de uma amiga para uma sa&iacute;da a tr&ecirc;s. O combinado era que ela e a colega iriam para um motel com um homem e receberiam dinheiro por isso. As roupas novas da amiga e as promessas de que tudo acabaria rapidamente foram suficientes para que a adolescente aceitasse perder a virgindade por R$ 40, com um desconhecido. Hoje, dois anos depois, Fab&iacute;ola assegura que os programas s&atilde;o apenas uma amarga lembran&ccedil;a e que ela, agora, &eacute; quem decide seu futuro. </p>
<p style="" class="MsoNormal">&ldquo;Pela manh&atilde; eu fa&ccedil;o curso de moda, &agrave; tarde trabalho como vendedora na loja da Casa de Zabel&ecirc; e, &agrave; noite, estudo. Sinto que tenho responsabilidade com as outras meninas daqui e que n&atilde;o posso decepcionar nem elas nem as tias.&rdquo; </p>
<p style="" class="MsoNormal">Quando fala em responsabilidade, a adolescente se refere aos congressos e encontros do terceiro setor, nos quais representa as outras cem meninas atendidas na Casa de Zabel&ecirc;, ONG que h&aacute; oito anos investe na forma&ccedil;&atilde;o profissional de jovens como alternativa para quem foi v&iacute;tima de abuso e explora&ccedil;&atilde;o sexual. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Fab&iacute;ola mora em uma casa simples, dividida com duas irm&atilde;s e um cunhado. A irm&atilde; mais nova, de 14 anos, tamb&eacute;m &eacute; atendida pela institui&ccedil;&atilde;o. &ldquo;A situa&ccedil;&atilde;o dela &eacute; pior. Ela foi violentada pelo pai (que n&atilde;o &eacute; o mesmo de Fab&iacute;ola) e ficou muito revoltada. Tenho tentado ajudar ao m&aacute;ximo para que ela n&atilde;o volte para essa vida&rdquo;, ressalta a adolescente, que tinha como clientes donos de postos de gasolina e comerciantes do bairro S&atilde;o Joaquim, onde reside. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Quando fazia programas, Fab&iacute;ola ganhava de R$ 40 a R$ 80 por noite. Agora, como estagi&aacute;ria da loja de roupas da Casa de Zabel&ecirc;, recebe bolsa de R$ 150. &ldquo;Ganho menos, mas hoje tenho orgulho do que eu fa&ccedil;o. Mudei muito depois que entrei aqui. Se n&atilde;o fosse esse apoio, acho que n&atilde;o teria resistido e voltaria a sair com os homens.&rdquo; </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>INF&Acirc;NCIA DESPEDA&Ccedil;ADA III</strong><strong><br />
Unicef lan&ccedil;a selo para garantir direitos das crian&ccedil;as do Semi-&Aacute;rido<br />
</strong>Publicado em 13.07.2005</p>
<p class="MsoNormal">O Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef) lan&ccedil;ou em abril passado o Selo Unicef Munic&iacute;pio Aprovado. A iniciativa &eacute; um reconhecimento internacional que a cidade pode alcan&ccedil;ar pelo resultado dos seus esfor&ccedil;os na melhoria da qualidade de vida das crian&ccedil;as e dos adolescentes. O projeto come&ccedil;ou no ano 2000, no Cear&aacute;, e este ano foi estendido aos nove Estados nordestinos e &agrave; regi&atilde;o do Semi-&Aacute;rido do Esp&iacute;rito Santo e de Minas Gerais. </p>
<p style="" class="MsoNormal">De acordo com a oficial de projetos do escrit&oacute;rio do Unicef para Pernambuco, Para&iacute;ba e Alagoas, Ana Azevedo, a concess&atilde;o do selo obedece ao monitoramento de tr&ecirc;s eixos: impacto social, gest&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e participa&ccedil;&atilde;o social. &ldquo;Cada um dos eixos possui v&aacute;rios itens que v&atilde;o ser acompanhados obedecendo a crit&eacute;rios preestabelecidos. No caso da explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes, o munic&iacute;pio precisar&aacute; ter um Conselho Tutelar em funcionamento pleno para poder ter esse ponto aprovado&rdquo;, explica. </p>
<p style="" class="MsoNormal">O objetivo do Unicef com o projeto &eacute; impulsionar a implementa&ccedil;&atilde;o das metas do Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente atrav&eacute;s de uma estrat&eacute;gia de mobiliza&ccedil;&atilde;o social dirigida aos munic&iacute;pios. Al&eacute;m disso, a institui&ccedil;&atilde;o do selo fortalece uma pr&aacute;tica de monitoramento da situa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as e dos adolescentes nos n&iacute;veis municipal e estadual. </p>
<p style="" class="MsoNormal">Est&atilde;o na &aacute;rea de abrang&ecirc;ncia do projeto 1.171 munic&iacute;pios do Semi-&Aacute;rido brasileiro. Cerca de 11 milh&otilde;es de crian&ccedil;as e adolescentes vivem nessa regi&atilde;o. &ldquo;A nossa meta &eacute; melhorar todos os indicadores de qualidade de vida dos jovens do Semi-&Aacute;rido brasileiro atrav&eacute;s da concess&atilde;o do selo como uma distin&ccedil;&atilde;o internacional aos administradores municipais&rdquo;, atesta a oficial de projetos. </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>INF&Acirc;NCIA DESPEDA&Ccedil;ADA</strong><strong><br />
&ldquo;&Eacute; preciso mudar a cultura&rdquo;<br />
</strong>Publicado em 13.07.2005</p>
<p style="" class="MsoNormal"><em>Senadora Patr&iacute;cia Saboya presidiu CPMI e revela que algumas autoridades que deveriam zelar pela inf&acirc;ncia colaboram com a explora&ccedil;&atilde;o</em></p>
<p class="MsoNormal">De junho de 2003  a julho de 2004, a senadora cearense Patr&iacute;cia Saboya Gomes (sem partido) presidiu a Comiss&atilde;o Parlamentar Mista de Inqu&eacute;rito (CPMI) que investigou a explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes no Brasil. A comiss&atilde;o esteve em 22 Estados e registrou casos absurdos de autoridades envolvidas em aliciamento de meninos e meninas, abuso sexual e at&eacute; abortos clandestinos. A quantidade de den&uacute;ncias recebidas pela CPMI foi t&atilde;o grande que at&eacute; hoje, um ano ap&oacute;s o seu encerramento, os desdobramentos dos trabalhos continuam expondo o desrespeito aos direitos das crian&ccedil;as. &ldquo;&Eacute; preciso ousar nos investimentos sociais e, sobretudo, conscientizar as pessoas para a necessidade de uma mudan&ccedil;a cultural. Recentemente, o governo do Cear&aacute; n&atilde;o aceitou um v&ocirc;o charter vindo da It&aacute;lia porque recebeu a informa&ccedil;&atilde;o de que traria um grupo interessado em turismo sexual. S&atilde;o decis&otilde;es dif&iacute;ceis como essa, que marcam uma posi&ccedil;&atilde;o e iniciam essa mudan&ccedil;a de postura&rdquo;, avaliou a senadora. </p>
<p style="" class="MsoNormal">J<strong>ORNAL DO COMMERCIO</strong> &ndash; Durante os trabalhos da CPMI, a senhora conseguiu levantar o perfil dos aliciadores de crian&ccedil;as e adolescentes no Brasil? </p>
<p style="" class="MsoNormal">P<strong>ATR&Iacute;CIA SABOYA GOMES</strong> &ndash; <em>Para a nossa surpresa, em muitos dos casos que analisamos, as pessoas que estavam fomentando a explora&ccedil;&atilde;o eram aquelas que deviam ser respons&aacute;veis pela prote&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as. Pol&iacute;ticos, policiais e magistrados estavam por tr&aacute;s de muitos crimes, mas o perfil foi bem diversificado em todo o Brasil. Na Regi&atilde;o Nordeste, por exemplo, a explora&ccedil;&atilde;o est&aacute; muito ligada ao turismo. </em></p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; A impunidade dos aliciadores alimenta a explora&ccedil;&atilde;o sexual? </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>PATR&Iacute;CIA</strong> &ndash; <em>Quem alicia as meninas e meninos e quem utiliza esses servi&ccedil;os s&atilde;o criminosos. Essas pessoas se aproximam das v&iacute;timas se passando por amigos, oferecendo roupas, jantares em restaurantes caros, festas e, ap&oacute;s ganhar a confian&ccedil;a das crian&ccedil;as e adolescentes, passam a explor&aacute;-las. O que vimos &eacute; que essas redes de explora&ccedil;&atilde;o se formam e se dissolvem rapidamente. &Eacute; um processo din&acirc;mico, cujos respons&aacute;veis v&ecirc;m se aprimorando para deixar cada vez menos rastros. &Eacute; o que acontece muito na internet hoje. Pedimos a quebra de sigilo telem&aacute;tico (de dados) de v&aacute;rias pessoas no in&iacute;cio da CPMI e o resultado dessa investiga&ccedil;&atilde;o s&oacute; veio a aparecer recentemente, quando a Pol&iacute;cia Federal desbaratou uma rede internacional de pedofilia com base nos dados que solicitamos.</em> </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; A senhora acredita que o Nordeste lidera o n&uacute;mero de casos por causa da pobreza? </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>PATR&Iacute;CIA</strong> &ndash; <em>Considero a pobreza e a falta de oportunidade como fatores que fazem parte do problema, mas a explora&ccedil;&atilde;o &eacute; muito mais uma quest&atilde;o cultural. O que existe sempre, em todos os n&iacute;veis, &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o de poder dos adultos sobre as crian&ccedil;as ou do rico sobre o pobre. </em></p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; A CPMI conseguiu levantar dados concretos sobre n&uacute;meros de casos, ou seja, definiu um diagn&oacute;stico da explora&ccedil;&atilde;o sexual de crian&ccedil;as e adolescentes no Brasil? </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>PATR&Iacute;CIA</strong> &ndash; <em>N&atilde;o nos arriscamos a falar sobre n&uacute;meros. A capta&ccedil;&atilde;o desse tipo de informa&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; muito prec&aacute;ria no Brasil. O que dificulta ainda mais, com destaque para os casos de abuso sexual, &eacute; que em muitos casos o agressor &eacute; um parente pr&oacute;ximo da v&iacute;tima e a viol&ecirc;ncia acaba n&atilde;o sendo denunciada. Poucos Estados possuem uma estrutura para receber as den&uacute;ncias e tomar as provid&ecirc;ncias necess&aacute;rias. </em></p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>JC</strong> &ndash; A Secretaria Especial de Direitos Humanos divulgou uma pesquisa no in&iacute;cio do ano (matriz intersetorial) que &eacute; a refer&ecirc;ncia no assunto. A senhora recebeu esses dados? </p>
<p style="" class="MsoNormal"><strong>PATR&Iacute;CIA</strong> &ndash; <em>A pesquisa &eacute; muito interessante. No entanto, n&atilde;o quer dizer que a explora&ccedil;&atilde;o sexual s&oacute; exista nas cidades citadas. O que pode ter ocorrido &eacute; que nesses