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          <title>PEBodyCount - Últimas Notícias do Blog - Artigos</title>
          <link>http://www.pebodycount.com.br/</link>
          <description>Leia as últimas notícias do PEBodyCount - Artigos</description>
		  <language>pt-br</language>
  
          <item>

            <title>Não Matarás</title>
            <link><![CDATA[  http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=871]]> </link>

			<description>
	
				<![CDATA[  
				<p>
				<b><a href='http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=871'>27.06.2008 - violência,homicídios,José Maria Nóbrega</a></b>
				<br><br>
				Por Jos&eacute; Maria N&oacute;brega*
<p>O quinto mandamento b&iacute;blico aqui colocado na verdade &eacute; o t&iacute;tulo do mais novo livro do soci&oacute;logo e pesquisador do IUPERJ, Gl&aacute;ucio Ary Dillon Soares, &quot;N&atilde;o Matar&aacute;s, desenvolvimento, desigualdade e homic&iacute;dios&quot;, lan&ccedil;ado pela editora da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas. Neste trabalho Soares faz um estudo muito instigante e importante sobre o tema da viol&ecirc;ncia, mais especificamente dos homic&iacute;dios, em diversos contextos com rico arcabou&ccedil;o te&oacute;rico e metodol&oacute;gico, mesclando m&eacute;todos qualitativos e quantitativos, desde o m&eacute;todo hist&oacute;rico comparativo at&eacute; o uso de sofisticados modelos estat&iacute;sticos. Obra necess&aacute;ria e imprescind&iacute;vel para jornalistas, soci&oacute;logos, cientistas pol&iacute;ticos, antrop&oacute;logos, historiadores e etc. que trabalham com o tema da viol&ecirc;ncia.<br />
</p>
<p>Gl&aacute;ucio Soares inicia seu trabalho fazendo um levantamento breve da hist&oacute;ria da viol&ecirc;ncia nos s&eacute;culos XIX e XX. Surpreende verificar que pa&iacute;ses com alt&iacute;ssimo n&iacute;vel de desenvolvimento social, econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico, como a Holanda, sustentavam alt&iacute;ssimas taxas de homic&iacute;dios em outros momentos de sua hist&oacute;ria. &quot;Em Amsterd&atilde;, a taxa de homic&iacute;dios por 100 mil habitantes passou de 50 no s&eacute;culo XV a 20 no XVI, a 7,5 no XVII, chegando a 1,4 no XIX&quot; (SOARES, 2008: p.14). Outro ponto relevante &eacute; que em pa&iacute;ses europeus, como a Su&eacute;cia e Holanda, e nos EUA, por exemplo, os dados dispon&iacute;veis remontam a momentos anteriores a pr&oacute;pria coloniza&ccedil;&atilde;o do Brasil. Em nossas plagas os dados s&oacute; est&atilde;o dispon&iacute;veis a partir de 1979, e mesmo assim de suspeita qualidade, principalmente os dados da pol&iacute;cia e das secretarias de seguran&ccedil;a p&uacute;blica ou de defesa social. <br />
</p>
<p>O trabalho n&atilde;o fica apenas no mundo tedioso dos n&uacute;meros e dados estat&iacute;sticos, faz uma grande revis&atilde;o da literatura nacional e internacional a respeito da criminalidade violenta e as suas poss&iacute;veis explica&ccedil;&otilde;es. Analisa o car&aacute;ter estrutural das mortes violentas em diversos contextos sociais, nacionais e internacionais, e aborda as suas covariatas estruturais: o desenvolvimento econ&ocirc;mico e homic&iacute;dio, desenvolvimento social e homic&iacute;dio, urbaniza&ccedil;&atilde;o e homic&iacute;dio, desigualdades espaciais internas das cidades, favelas e o homic&iacute;dio, migra&ccedil;&otilde;es e homic&iacute;dio, vari&aacute;veis s&oacute;ciodemogr&aacute;ficas e homic&iacute;dio, o impacto da religi&atilde;o, da fam&iacute;lia, dos grupos et&aacute;rios e de g&ecirc;nero.</p>
<p>Todas as abordagens baseadas em vari&aacute;veis sociais, econ&ocirc;micas, demogr&aacute;ficas e outras, estas como vari&aacute;veis independentes e a vari&aacute;vel homic&iacute;dio como dependente sendo testadas em modelos estat&iacute;sticos de correla&ccedil;&atilde;o (que averigua o grau de rela&ccedil;&atilde;o entre uma vari&aacute;vel X [independente] e outra vari&aacute;vel Y [explicativa] no caso do estudo a vari&aacute;vel Y=homic&iacute;dio]) e regress&atilde;o (de diversos modelos desde regress&atilde;o simples at&eacute; regress&atilde;o log&iacute;stica e multivariada) para averiguar o impacto das vari&aacute;veis em uma s&eacute;rie hist&oacute;rica.<br />
</p>
<p>O estudo de grande envergadura, ainda passa pela an&aacute;lise metodol&oacute;gica de diversos trabalhos nacionais e internacionais verificando a m&aacute; qualidade dos dados, o subregistro dos crimes, os Estados e munic&iacute;pios com informa&ccedil;&atilde;o irregular e os problemas de multicolinearidade nas an&aacute;lises agregadas do homic&iacute;dio destacando a import&acirc;ncia de an&aacute;lises mais sofisticadas em cima de dados desagregados.</p>
<p><br />
A &uacute;ltima parte do trabalho se debru&ccedil;a em algumas quest&otilde;es te&oacute;ricas do crime. Verifica as teorias do crime e teorias da sociedade aplicadas ao crime no contexto brasileiro fazendo uma desvincula&ccedil;&atilde;o de dados macro e dados micro. Avalia o homic&iacute;dio segundo a racionalidade das ci&ecirc;ncias econ&ocirc;micas, analisa as vari&aacute;veis pol&iacute;ticas, as poss&iacute;veis explica&ccedil;&otilde;es estruturais das cidades colombianas que obtiveram sucesso na redu&ccedil;&atilde;o de seus &iacute;ndices de homic&iacute;dio e alguns programas dirigidos a popula&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, bem como os tipos de homic&iacute;dios e as formas de cataloga&ccedil;&atilde;o das mortes homicidas, que n&atilde;o s&atilde;o uniformes, por isso a dificuldade em se estudar tal fen&ocirc;meno social.</p>
<p><br />
A t&iacute;tulo de conclus&atilde;o, logicamente &eacute; um desafio falar de importante obra das ci&ecirc;ncias sociais e, tamb&eacute;m, a proposta aqui colocada de n&atilde;o levantar cr&iacute;ticas ao trabalho, mas chamar a comunidade como um todo a compartilhar de um estudo que se mostra importante, at&eacute; por que os estudos sobre os homic&iacute;dios s&atilde;o parcos e ainda est&atilde;o engatinhando na academia. Alguns pontos poder&atilde;o ser levados a questionamentos por parte do p&uacute;blico especializado, mas &eacute; de fundamental import&acirc;ncia verificar a eleg&acirc;ncia da escrita e a riqueza das informa&ccedil;&otilde;es que o Gl&aacute;ucio, antes de tudo um humanista, compartilha conosco na sua obra de grande relev&acirc;ncia sobre assunto t&atilde;o pertinente em nossa realidade contempor&acirc;nea.<br />
</p>
<p>* Cientista Pol&iacute;tico, Mestre e Doutorando em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica UFPE, Pesquisador do NIC-UFPE e Professor Universit&aacute;rio.</p>
				<br><br>
  					]]> 
				
  			</description>
			<pubDate>27.06.2008 -0300</pubDate>
			<category>violência,homicídios,José Maria Nóbrega</category>

          </item>
  
          <item>

            <title>Fica Vivo: o novo projeto de segurança do governo de Pernambuco</title>
            <link><![CDATA[  http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=844]]> </link>

			<description>
	
				<![CDATA[  
				<p>
				<b><a href='http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=844'>27.05.2008 - Adriano Oliveira,Fica Vivo</a></b>
				<br><br>
				Por Adriano Oliveira *<br />
<br />

<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;" class="MsoNormal">O vice-governador de Pernambuco, Jo&atilde;o Lyra Neto,  tomou decis&atilde;o importante, a qual merece aplausos: ir&aacute; importar o programa de  seguran&ccedil;a p&uacute;blica de Minas Gerais, o Fica Vivo.&nbsp; Este programa foi implantado na Regi&atilde;o  Metropolitana de Belo Horizonte e j&aacute; apresenta resultados satisfat&oacute;rios. A  concep&ccedil;&atilde;o do Programa &eacute; merit&oacute;ria, e caso seja realizado com as condi&ccedil;&otilde;es  necess&aacute;rias, apresentar&aacute; resultados a m&eacute;dio prazo em Pernambuco. </p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;" class="MsoNormal">Alta freq&uuml;&ecirc;ncia de homic&iacute;dio em dados contextos  sociais precisam ser enfrentados com base em quatro pilares: <em style="">a&ccedil;&otilde;es sociais, media&ccedil;&atilde;o de conflitos,  intelig&ecirc;ncia policial e poder coercitivo</em>. O programa Fica Vivo re&uacute;ne estes  intens. Portanto, estou otimista. </p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;" class="MsoNormal">Contudo, a secretaria de Defesa Social (SDS)  precisa desenvolver minucioso trabalho de pesquisa para identificar as &aacute;reas com  alta freq&uuml;&ecirc;ncia de homic&iacute;dios. A intelig&ecirc;ncia da SDS deve identificar as &aacute;reas  que s&atilde;o dominadas pelo tr&aacute;fico de drogas e que &eacute; palco de constantes conflitos  entre organiza&ccedil;&otilde;es, como as &aacute;reas de Santo Amaro e Jo&atilde;o de Barros.&nbsp;&nbsp; </p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;" class="MsoNormal">Em paralelo, a presen&ccedil;a do Estado &ndash; escolas,  postos de sa&uacute;de, creches, institui&ccedil;&otilde;es coercitivas &ndash; deve ser conferida nas  &aacute;reas com alto n&uacute;mero de homic&iacute;dios e presen&ccedil;a constante do com&eacute;rcio de drogas.  </p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;" class="MsoNormal">Ap&oacute;s o cruzamento e an&aacute;lise das informa&ccedil;&otilde;es  (freq&uuml;&ecirc;ncia criminal <em style="">versus </em>presen&ccedil;a  estatal) chega o momento de construir modelo de gest&atilde;o eficiente para intervir  nos diversos contextos, e, por conseq&uuml;&ecirc;ncia, obter resultados eficazes, no caso,  a redu&ccedil;&atilde;o dos homic&iacute;dios.&nbsp; Para  isto, o Governo do Estado ir&aacute; precisar de institutos de pesquisa, das  prefeituras e das Pol&iacute;cias Civil e Militar. </p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;" class="MsoNormal">Saliento que os munic&iacute;pios devem ser convidados a  intervir nos ambientes criminais atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es sociais. Metas devem ser  estipuladas. A presta&ccedil;&atilde;o de contas precisa existir. &Eacute; imposs&iacute;vel pensar em  modelo de seguran&ccedil;a eficaz sem a contribui&ccedil;&atilde;o da administra&ccedil;&atilde;o municipal.  </p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;" class="MsoNormal">Os famosos Batalh&otilde;es, estruturas que  contrariam modelos de gest&atilde;o eficientes, precis&atilde;o ser extintos, pois desta  forma, oficiais e pra&ccedil;as ser&atilde;o deslocados para os N&uacute;cleos de Pol&iacute;cia que  precisam ser constru&iacute;dos nas &aacute;reas em que o Projeto Fica Vivo ser&aacute; implantado.  As Delegacias da Pol&iacute;cia Civil, pr&oacute;ximas aos N&uacute;cleos de Pol&iacute;cia, precisar&atilde;o de  refor&ccedil;o e estrutura, pois o trabalho de investiga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser  desprezado.&nbsp; </p>
<p style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-indent: 35.4pt; line-height: 150%; text-align: justify;" class="MsoNormal">Os que acompanham meus artigos sabem que h&aacute;  um bom tempo insisto nas a&ccedil;&otilde;es que acabo de novamente de apresentar. S&atilde;o a&ccedil;&otilde;es  simples, que caso implantadas, assim como vem ocorrendo em Minas Gerais, os  homic&iacute;dios ser&atilde;o reduzidos a m&eacute;dio prazo. Por&eacute;m, alerto: a implanta&ccedil;&atilde;o de  programas eficientes sofre resist&ecirc;ncias. Este &eacute; meu receio.</p>
<br />
* Adriano Oliveira &eacute; doutor em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica, pesquisador do Instituto Maur&iacute;cio de Nassau e membro do N&uacute;cleo de Institui&ccedil;&otilde;es Coercitivas da Universidade Federal de Pernambuco 
				<br><br>
  					]]> 
				
  			</description>
			<pubDate>27.05.2008 -0300</pubDate>
			<category>Adriano Oliveira,Fica Vivo</category>

          </item>
  
          <item>

            <title>Criminalidade homicida no mundo</title>
            <link><![CDATA[  http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=820]]> </link>

			<description>
	
				<![CDATA[  
				<p>
				<b><a href='http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=820'>07.05.2008 - crime</a></b>
				<br><br>
				<p>Por Jos&eacute; Maria N&oacute;brega,</p>
<p>A discuss&atilde;o em torno dos indicadores de viol&ecirc;ncia no Brasil, sobretudo de homic&iacute;dios, vem tomando grande espa&ccedil;o na m&iacute;dia. Natural num pa&iacute;s onde os n&uacute;meros da viol&ecirc;ncia alcan&ccedil;am elevados &iacute;ndices. Contudo, h&aacute; na discuss&atilde;o atual uma vac&acirc;ncia no que diz respeito a estudos comparativos entre os mais diversos pa&iacute;ses nos continentes do globo. Outro ponto relevante &eacute; o esclarecimento &agrave; sociedade sobre tais indicadores no sentido de demonstra&ccedil;&atilde;o dos resultados cient&iacute;ficos, como, por exemplo, qual seria o n&uacute;mero adequado de homic&iacute;dios em uma sociedade para avali&aacute;-lo como control&aacute;vel?<br />
Iniciarei pelo fim. O indicador control&aacute;vel de viol&ecirc;ncia homicida foi estipulado pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) na sua Classifica&ccedil;&atilde;o Internacional de Doen&ccedil;as (CID). Este indicador para demonstrar razoabilidade do controle deve ser de 10 homic&iacute;dios por cem mil habitantes (hpcmh), ou seja, em uma sociedade ou comunidade, estado, munic&iacute;pio, bairro etc. que ultrapasse este indicador a OMS considera como sendo caso de epidemiologia. <br />
O Brasil foi inserido entre os pa&iacute;ses de Desenvolvimento Humano Elevado no &uacute;ltimo Relat&oacute;rio de Desenvolvimento Humano (2007/2008). Ao todo esses pa&iacute;ses somam o n&uacute;mero de 70, sendo o Brasil o &uacute;ltimo colocado. Destes, a Am&eacute;rica Latina participa com oito pa&iacute;ses: Argentina (38&ordm; colocado), Chile (40&ordm; colocado), Uruguai (46&ordm; colocado), Costa Rica (48&ordm; colocado), Cuba (51&ordm; colocado), M&eacute;xico (52&ordm; colocado), Trinidade e Tobago (59&ordm; colocado) e o Brasil (70&ordm; colocado). As taxas de homic&iacute;dio por cem mil na Argentina foram de 9,5, do Chile foram de 1,7 hpcmh, do Uruguai foram de 5,6 hpcmh, da Costa Rica foram de 6,2 hpcmh, do M&eacute;xico foram de 13 hpcmh e o Brasil de 27 hpcmh (destaco que Cuba e Trinidade e Tobago n&atilde;o forneceram seus indicadores e o indicador do Brasil &eacute; do ano de 2006 resgatado do Sistema de Informa&ccedil;&otilde;es de Mortalidade-SIM do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, nos demais pa&iacute;ses os indicadores foram retirados da m&eacute;dia anual de 2000 a 2004 do pr&oacute;prio relat&oacute;rio citado). <br />
Dos pa&iacute;ses latino-americanos considerados com desenvolvimento humano elevado o Brasil &eacute; o pior quando o assunto &eacute; viol&ecirc;ncia homicida. O Chile se destaca pelo baix&iacute;ssimo indicador e isso nos traz alguns questionamentos: 1. &eacute; poss&iacute;vel vincular a viol&ecirc;ncia homicida &agrave; cultura, j&aacute; que os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina apresentam hist&oacute;rias de coloniza&ccedil;&atilde;o, explora&ccedil;&atilde;o e ditaduras? 2. O desenvolvimento econ&ocirc;mico pode reduzir as taxas de homic&iacute;dios?<br />
Os pa&iacute;ses com os menores indicadores entre aqueles considerados como sendo de desenvolvimento humano elevado, s&atilde;o os seguintes: Isl&acirc;ndia (1 hpcmh), Noruega (0,8 hpcmh), Irlanda (0,9 hpcmh), Pa&iacute;ses Baixos (1 hpcmh), Dinamarca (0,8 hpcmh), &Aacute;ustria (0,8 hpmch), Luxemburgo (0,9 hpcmh), Hong Kong (China) (0,6 hpcmh), Alemanha (1 hpcmh), Gr&eacute;cia (0,8 hpcmh), Singapura (0,5 hpcmh), Koweit (1 hpcmh), Catar (0,8 hpcmh), Emirados &Aacute;rabes Unidos (0,6 hpcmh), Bar&eacute;m (1 hpcmh), Om&atilde; (0,6 hpcmh) e Ar&aacute;bia Saudita (0,9 hpcmh), todos com 1 ou menos mortes homicida por cem mil habitantes. H&aacute; aqueles pa&iacute;ses de elevada densidade demogr&aacute;fica que apresentam taxas controladas, como &eacute; o caso dos Estados Unidos com 5,6 hpcmh. E outros pa&iacute;ses que apresentam aspectos culturais de proximidade, como Portugal, pa&iacute;s que colonizou o Brasil e que apresenta muitas semelhan&ccedil;as culturais em suas institui&ccedil;&otilde;es, pelo menos historicamente, e que tem uma taxa homicida de 1,8 hpcmh.<br />
Dentre os pa&iacute;ses apresentados o Brasil &eacute; o pior quanto as suas taxas homicidas que cresceram desde 1980 apesar da vis&iacute;vel melhoria da economia. Dos setenta pa&iacute;ses apontados pelo Relat&oacute;rio de Desenvolvimento Humano como sendo aqueles de desenvolvimento humano elevado, apenas o Brasil, com taxa de 27 hpcmh, a R&uacute;ssia, com taxa de 20 hpcmh, Baamas, com taxa de 15,9 hpcmh e o M&eacute;xico, com taxa de 13 hpcmh, s&atilde;o apresentados como pa&iacute;ses em estado epidemiol&oacute;gico de viol&ecirc;ncia segundo a OMS. No caso brasileiro a coisa piora quando desagregamos os n&uacute;meros de homic&iacute;dio por regi&atilde;o e por estados, hoje os primeiros no ranking da viol&ecirc;ncia homicida no Brasil s&atilde;o Pernambuco, Rio de Janeiro e Esp&iacute;rito Santo, com taxas que superam os 50 homic&iacute;dios por cem mil habitantes, uma verdadeira endemia homicida, sobretudo quando comparada aos pa&iacute;ses de elevado desenvolvimento humano.</p>
<p>Jos&eacute; Maria N&oacute;brega &eacute; Cientista Pol&iacute;tico, Doutorando em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica UFPE, Pesquisador do NIC-UFPE e Professor Universit&aacute;rio.<br />
<br />
</p>
				<br><br>
  					]]> 
				
  			</description>
			<pubDate>07.05.2008 -0300</pubDate>
			<category>crime</category>

          </item>
  
          <item>

            <title>A guerra dos números</title>
            <link><![CDATA[  http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=785]]> </link>

			<description>
	
				<![CDATA[  
				<p>
				<b><a href='http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=785'>26.03.2008 - crime,violência,segurança,estatísticas</a></b>
				<br><br>
				&nbsp;
<p>&nbsp;<strong>Por Adriano Oliveira *</strong><br />
</p>
Mais uma vez a guerra dos n&uacute;meros. Quem tem os n&uacute;meros corretos? Eu considero os n&uacute;meros do PE BODY COUNT. N&atilde;o levo em considera&ccedil;&atilde;o os da secretaria de Defesa Social. Quando observo muita &quot;argumenta&ccedil;&atilde;o&quot; fico desconfiado.<br />
&nbsp;<br />
Em dado momento, a SDS afirma que morreram, em 2007, 41 pessoas no feriado santo. Em outro instante, diz que foram assassinados 66 indiv&iacute;duos. Qual o quantitativo verdadeiro?<br />
&nbsp;<br />
N&atilde;o sei a raz&atilde;o, mas a SDS modificou, ao comparar a freq&uuml;&ecirc;ncia de homic&iacute;dios, o per&iacute;odo de apura&ccedil;&atilde;o. Em 2007 foi o per&iacute;odo &quot;X&quot;. Em 2008, o per&iacute;odo &quot;Y&quot;. Como comparar algo em per&iacute;odos diferentes? Imposs&iacute;vel!<br />
&nbsp;<br />
N&atilde;o conhe&ccedil;o o estat&iacute;stico da SDS. Mas gostaria de conhec&ecirc;-lo. Pois desconfio que haja algo de errado na metodologia usada por ele ao coletar os dados. Deste modo, gostaria de conversar com o estat&iacute;stico e verificar se o problema &eacute; meu ou dele.<br />
&nbsp;<br />
S&oacute; posso afirmar que uma cerveja &eacute; melhor do que a outra caso eu experimente ambas &ndash; princ&iacute;pio elementar. Da compara&ccedil;&atilde;o surge o enunciado. Este pode ser verdadeiro ou n&atilde;o. Nas ci&ecirc;ncias sociais quando os enunciados n&atilde;o s&atilde;o verdadeiros, eles em nada contribuem para a explica&ccedil;&atilde;o de dado fen&ocirc;meno.<br />
&nbsp;<br />
Em dezembro de 2006 morreram mais galinhas do que em dezembro de 2007. Caso ocorra comprova&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica, este enunciado pode ser verdadeiro. Saliento, contudo, que a compara&ccedil;&atilde;o est&aacute; correta, pois os per&iacute;odos s&atilde;o similares. Mas se afirmo hoje: quatro galinhas morreram em dezembro de 2006. E posteriormente digo que em dezembro de 2006 morreram 10 galinhas, j&aacute; n&atilde;o posso mais utilizar da compara&ccedil;&atilde;o. Ou se digo: em dezembro de 2006 morreram at&eacute; o dia 20, 10 galinhas. E em dezembro de 2007, at&eacute; o dia 12, morreram 11 galinhas. Tamb&eacute;m n&atilde;o posso comparar.&nbsp;<br />
&nbsp;<br />
Portanto, sugiro ao estat&iacute;stico da SDS que estabele&ccedil;a, criteriosamente, o per&iacute;odo a ser comparado. E que quando dado n&uacute;mero for fornecido, este n&atilde;o pode ser modificado sem explica&ccedil;&atilde;o plaus&iacute;vel. Caso isto ocorra, a informa&ccedil;&atilde;o (o dado) perde a credibilidade.<br />
&nbsp;<br />
Sugiro aos meus leitores que consultem o site do PE BODY COUNT.<br />
<br />
<strong><em>* Adriano Oliveira &eacute; cientista pol&iacute;tico, pesquisador do Instituto Maur&iacute;cio de Nassau e membro do N&uacute;cleo de Institui&ccedil;&otilde;es Coercitivas (NIC) da UFPE.</em></strong>
				<br><br>
  					]]> 
				
  			</description>
			<pubDate>26.03.2008 -0300</pubDate>
			<category>crime,violência,segurança,estatísticas</category>

          </item>
  
          <item>

            <title>A verdade dos homicídios em Pernambuco</title>
            <link><![CDATA[  http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=696]]> </link>

			<description>
	
				<![CDATA[  
				<p>
				<b><a href='http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=696'>24.12.2007 - violência,crime,segurança,homicídios,Insegurança,José Maria Nóbrega</a></b>
				<br><br>
				<p><strong>Jos&eacute; Maria N&oacute;brega*</strong></p>
<p>Em 2006 a popula&ccedil;&atilde;o do Estado de Pernambuco foi de 8.502.602 pessoas. De janeiro at&eacute; novembro daquele ano ocorreram 4.181 homic&iacute;dios. A taxa por cada grupo de 100 mil habitantes em Pernambuco foi de 49,2 para o referido per&iacute;odo. De um ano para o outro sempre h&aacute; um expressivo aumento no quantitativo populacional e isto deve ser levado em considera&ccedil;&atilde;o para analisar a din&acirc;mica dos homic&iacute;dios, por isso &eacute; importante que a an&aacute;lise dessa din&acirc;mica foque as taxas e n&atilde;o apenas os n&uacute;meros, pois se focalizarmos apenas nos n&uacute;meros poderemos ter vis&otilde;es distorcidas da realidade.</p>
<p>Em 2007 a popula&ccedil;&atilde;o do Estado foi de 8.590.845 pessoas, ou seja, um crescimento vegetativo de 88.243 pessoas em todo Pernambuco. De janeiro a novembro deste ano ocorreram 4.149 homic&iacute;dios. A taxa por cada grupo de 100 mil habitantes foi de 48 para o referido per&iacute;odo. Se compararmos os dados dos meses de setembro, outubro e novembro de 2006 com os de 2007 veremos que nestes meses do presente ano apresentam-se menos homic&iacute;dios em rela&ccedil;&atilde;o ao ano de 2006. Em setembro de 2006 foram 352 homic&iacute;dios, no mesmo m&ecirc;s em 2007 foram 325 homic&iacute;dios. Em outubro de 2006 foram 406 homic&iacute;dios, no mesmo m&ecirc;s em 2007 foram 372 (salientar que cresceu em rela&ccedil;&atilde;o ao m&ecirc;s de setembro de 2007). Em novembro de 2006 foram 411 homic&iacute;dios contra 307 do m&ecirc;s de novembro de 2007. H&aacute; uma tend&ecirc;ncia a queda nos n&uacute;meros de homic&iacute;dios nos tr&ecirc;s meses citados, n&atilde;o existe d&uacute;vida quanto a isto.</p>
<p>Em 2006 a m&eacute;dia mensal de homic&iacute;dios de janeiro a novembro foi de 380 mortes por esta causa externa, j&aacute; em 2007 a m&eacute;dia foi de 377,2 mortes por homic&iacute;dio. A taxa mensal da m&eacute;dia de assassinatos de 2006 foi de 4,47 por cada grupo de 100 mil habitantes. Essa mesma taxa em rela&ccedil;&atilde;o a 2007 foi de 4,39 por cada grupo de 100 mil habitantes. Um empate dos dois anos. Estatisticamente n&atilde;o houve diferen&ccedil;a entre as taxas.</p>
<p>Por que o empate se houve mais homic&iacute;dios em 2006 que em 2007? Para se analisar o impacto de uma queda ou crescimento dos homic&iacute;dios a compara&ccedil;&atilde;o num&eacute;rica &eacute; insuficiente, pois diferen&ccedil;as de 500, 400 ou 300 mortes podem ocorrer de um ano para o outro sem, contudo, manter-se uma continuidade. Em 2003, por exemplo, houve 4.517 homic&iacute;dios em Pernambuco, a taxa total do ano foi de 55,3 por cada grupo de 100 mil habitantes, a popula&ccedil;&atilde;o pernambucana no per&iacute;odo foi de 8.161.828 pessoas no total do Estado. No ano seguinte, houve uma queda consider&aacute;vel dos n&uacute;meros, foram 4.174 homic&iacute;dios, ou seja, 343 mortes a menos em rela&ccedil;&atilde;o ao ano anterior, de uma popula&ccedil;&atilde;o de exatos 8.238.849. Praticamente um m&ecirc;s sem homic&iacute;dios em rela&ccedil;&atilde;o ao ano anterior. A taxa foi de 50,7 por cada grupo de 100 mil habitantes. Em 2005 o n&uacute;mero de mortes por homic&iacute;dio voltou a crescer, foi de 4.329 e a taxa de 51,5. Em 2006 novamente tivemos crescimento, 4.638 homic&iacute;dios, o mais alto desde 2002. </p>
<p>Avaliar a din&acirc;mica do homic&iacute;dio &eacute; avaliar as taxas, estas indicam a realidade da viol&ecirc;ncia em qualquer estudo. Esperamos que os indicadores de homic&iacute;dio melhorem, como melhorou em cidades como Bogot&aacute; e Medel&iacute;n, onde o impacto nas taxas foi bastante vis&iacute;vel em per&iacute;odos curtos. Pernambuco ainda espera por pol&iacute;ticas consistentes para a melhoria de seus indicadores. A curto e m&eacute;dio prazo estamos na lacuna.</p>
<p><strong>* Cientista pol&iacute;tico, pesquisador do N&uacute;cleo de Institui&ccedil;&otilde;es Coercitivas (NIC) da UFPE e doutorando em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica da mesma universidade.</strong></p>
				<br><br>
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  			</description>
			<pubDate>24.12.2007 -0300</pubDate>
			<category>violência,crime,segurança,homicídios,Insegurança,José Maria Nóbrega</category>

          </item>
  
          <item>

            <title>Segurança não se resume à polícia</title>
            <link><![CDATA[  http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=695]]> </link>

			<description>
	
				<![CDATA[  
				<p>
				<b><a href='http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=695'>20.12.2007 - Hugo Acero,violência,segurança</a></b>
				<br><br>
				<p>Artigo publicado na Folha de S&atilde;o Paulo em 20/12/2007&nbsp; </p>
<p>Por <strong>HUGO ACERO VEL&Aacute;SQUEZ</strong>,&nbsp;soci&oacute;logo, consultor do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e ex-secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a Cidad&atilde; de Bogot&aacute; (Col&ocirc;mbia) entre 1995 e 2003. Tradu&ccedil;&atilde;o de Clara Allain.</p>
<p>Na Am&eacute;rica Latina, a gest&atilde;o institucional da seguran&ccedil;a dos cidad&atilde;os tem tradicionalmente ficado a cargo das institui&ccedil;&otilde;es armadas, predominando o car&aacute;ter policial e militar. &Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o herdada da Guerra Fria e que persiste hoje na maioria dos pa&iacute;ses da regi&atilde;o.</p>
<p>Pode-se afirmar que os governos democraticamente eleitos ainda n&atilde;o conseguiram conferir um car&aacute;ter civil ao tratamento da quest&atilde;o e menos ainda um tratamento integral a um problema sobre o qual a maioria dos especialistas concorda em dizer que &eacute; complexo e tem causas m&uacute;ltiplas, problema para o qual a resposta policial &eacute; insuficiente e, quando se recorre aos militares, inapropriada.</p>
<p>Falar do tratamento integral da inseguran&ccedil;a sup&otilde;e reconhecer que existem m&uacute;ltiplas viol&ecirc;ncias e muitos fatos que afetam a conviv&ecirc;ncia dos cidad&atilde;os. S&atilde;o viol&ecirc;ncias que v&atilde;o desde as psicol&oacute;gicas e f&iacute;sicas registradas no interior dos lares, nas comunidades e nas ruas, em raz&atilde;o de conflitos diversos, at&eacute; as viol&ecirc;ncias cometidas por criminosos e delinq&uuml;entes.</p>
<p>Tamb&eacute;m sup&otilde;e reconhecer que existem fatos que afetam a conviv&ecirc;ncia cidad&atilde;, como a resolu&ccedil;&atilde;o violenta dos conflitos e a sensa&ccedil;&atilde;o de intranq&uuml;ilidade e inseguran&ccedil;a gerada pela presen&ccedil;a de lixo nas ruas, pela falta de ilumina&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, pela deteriora&ccedil;&atilde;o dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos, pelo barulho, pela mendic&acirc;ncia e pela invas&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico.</p>
<p>Para fazer frente a esses problemas, &eacute; necess&aacute;rio tra&ccedil;ar e executar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas integrais de conviv&ecirc;ncia e seguran&ccedil;a dos cidad&atilde;os. <br />
Essas pol&iacute;ticas devem partir da premissa b&aacute;sica de que as a&ccedil;&otilde;es ter&atilde;o que ser empreendidas num espectro amplo, que abrange desde o n&iacute;vel preventivo -entendido como a preven&ccedil;&atilde;o do aparecimento de riscos e o controle de sua difus&atilde;o- at&eacute; os n&iacute;veis leg&iacute;timos de coer&ccedil;&atilde;o dentro do Estado de Direito.</p>
<p>Ou seja, &eacute; preciso contar com uma pol&iacute;tica p&uacute;blica que preveja, dissuada e exer&ccedil;a o uso leg&iacute;timo da for&ccedil;a para fazer frente a atos que sejam criminosos e violentos.Uma pol&iacute;tica p&uacute;blica que seja desenvolvida dentro do quadro do Estado de Direito, respeitando os direitos humanos.</p>
<p>Uma pol&iacute;tica que, no &acirc;mbito preventivo, desenvolva programas e projetos que fortale&ccedil;am a cultura cidad&atilde;, o controle dos riscos (desarmamento, aten&ccedil;&atilde;o ao consumo de &aacute;lcool e outras drogas, preven&ccedil;&atilde;o e assist&ecirc;ncia a emerg&ecirc;ncias) e a aten&ccedil;&atilde;o a grupos vulner&aacute;veis (jovens, prostitutas, indigentes, migrantes) e que promova programas para aproximar a Justi&ccedil;a do cidad&atilde;o, favorecendo a resolu&ccedil;&atilde;o pac&iacute;fica de conflitos familiares, interpessoais e comunit&aacute;rios.</p>
<p>Uma pol&iacute;tica p&uacute;blica que fortale&ccedil;a os organismos de seguran&ccedil;a e Justi&ccedil;a para que, de maneira profissional, realizem trabalhos de coleta de informa&ccedil;&otilde;es, investiga&ccedil;&atilde;o criminal, persegui&ccedil;&atilde;o e captura de criminosos, julgamento e condena&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Uma pol&iacute;tica p&uacute;blica que fortale&ccedil;a o sistema carcer&aacute;rio, para que este possa cumprir as fun&ccedil;&otilde;es de puni&ccedil;&atilde;o exemplar do delinq&uuml;ente, com cumprimento da pena com estrita disciplina e respeito pelos direitos humanos, de ressocializa&ccedil;&atilde;o e de reinser&ccedil;&atilde;o social dos condenados.</p>
<p>S&atilde;o essas as caracter&iacute;sticas de uma pol&iacute;tica integral que deve ser implementada pelos governos nacionais e locais democraticamente eleitos, independentemente de serem de direita, de centro ou de esquerda. <br />
O importante &eacute; que a pol&iacute;tica de seguran&ccedil;a deve ser tratada sob uma &oacute;tica civil, com um respons&aacute;vel que coordene todas as a&ccedil;&otilde;es e institui&ccedil;&otilde;es envolvidas nos programas e projetos e que tamb&eacute;m coordene o trabalho com outras inst&acirc;ncias governamentais importantes, como as &aacute;reas da educa&ccedil;&atilde;o, da sa&uacute;de, do desenvolvimento urbano e dos transportes, entre outros, para melhorar a conviv&ecirc;ncia e a seguran&ccedil;a dos cidad&atilde;os.</p>
<p>Foi sob essa perspectiva de integralidade que foram implementadas as pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a e conviv&ecirc;ncia de Bogot&aacute; e Medell&iacute;n, na Col&ocirc;mbia, cujos resultados s&atilde;o internacionalmente reconhecidos pela redu&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia verificada.</p>
<p>No caso de Bogot&aacute;, passou-se de um &iacute;ndice de 80 homic&iacute;dios para cada 100 mil habitantes, em 1994, para 23 homic&iacute;dios por 100 mil habitantes em 2003 -e hoje s&atilde;o 18 homic&iacute;dios por 100 mil habitantes. No caso de Medell&iacute;n, a redu&ccedil;&atilde;o foi de 174 homic&iacute;dios por 100 mil habitantes para 36 homic&iacute;dios para cada 100 mil habitantes. </p>
				<br><br>
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  			</description>
			<pubDate>20.12.2007 -0300</pubDate>
			<category>Hugo Acero,violência,segurança</category>

          </item>
  
          <item>

            <title>Grupos de extermínio de PE: um assunto de cinema</title>
            <link><![CDATA[  http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=611]]> </link>

			<description>
	
				<![CDATA[  
				<p>
				<b><a href='http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=611'>15.10.2007 - </a></b>
				<br><br>
				Por Breno Rocha - Presidente do Sindicato dos Agentes e Servidores no Sistema Penitenci&aacute;rio do Estado de Pernambuco<br />
<br />
Temos assistido &agrave; euf&oacute;rica comemora&ccedil;&atilde;o do governo Eduardo pela pris&atilde;o de grupos de exterm&iacute;nio em Pernambuco, e de fato, as referidas pris&otilde;es merecem, por si, serem mesmo comemoradas. &eacute; muito importante tirar de circula&ccedil;&atilde;o assassinos que comercializam a cruenta capacidade de exterminar o seu semelhante.<br />
<br />
Entretanto, h&aacute; algo que transparece da atitude comemorativa do governo, que nos indica uma grave falha no tratamento do problema: ele, o problema, &eacute; apresentado de forma tal que se sugere ter tido sua solu&ccedil;&atilde;o no momento da pris&atilde;o. E, a&iacute; que se enganam Eduardo e sua equipe.<br />
<br />
O problema do alto &iacute;ndice de homic&iacute;dios no nosso Estado n&atilde;o se esgota com a pris&atilde;o de &quot;matadores&quot;.<br />
<br />
Neste momento, eu poderia enveredar a reda&ccedil;&atilde;o deste artigo pelo caminho da desestrutura vivida no sistema penitenci&aacute;rio estadual e falar na catastr&oacute;fica justaposi&ccedil;&atilde;o entre tal fragilidade e 20, quem sabe 30 exterminadores de seres humanos juntos e j&aacute; organizados detidos no interior de nossas combalidas pris&otilde;es.<br />
<br />
Mas, n&atilde;o seguirei esse caminho &eacute; at&eacute; por compreender que o senhor leitor e a senhora leitora, extremamente habilidosos como s&atilde;o, j&aacute; compreenderam os riscos que estamos todos n&oacute;s correndo em juntar nos p&aacute;tios de nossas cadeias criminosos t&atilde;o perigosos com outros que, n&atilde;o sendo t&atilde;o perigosos quanto, os idolatram &eacute; gra&ccedil;as a um certo &quot;glamour&quot; com o qual se reveste no submundo do crime os bandidos que se viram dignos de tamanha aten&ccedil;&atilde;o da imprensa, da sociedade e at&eacute; do pr&oacute;prio Governador.<br />
<br />
Vou, ent&atilde;o, procurar abordar o problema &quot;um tom acima&quot;... a partir do seu aspecto &quot;conceitual&quot;:<br />
<br />
Como tratar o problema da pr&aacute;tica de exterm&iacute;nio no Estado de Pernambuco? Eis uma pergunta de resposta extremamente complicada... O Governo Eduardo Campos apresenta os elementos b&aacute;sicos que indiquem que poder&aacute; resolver o problema? Bom, j&aacute; esta &eacute; de mais simples resposta.<br />
<br />
Neste caso, respondamos &agrave; segunda em primeiro lugar, que tal resposta nos conduzir&aacute; &agrave; solu&ccedil;&atilde;o da primeira.<br />
<br />
Nietzsche, o fil&oacute;sofo alem&atilde;o, foi quem nos revelou que &quot;a vida imita a arte&quot;, e tal revela&ccedil;&atilde;o em muito nos auxilia a entender a forma do recrudescimento da viol&ecirc;ncia (institucional ou n&atilde;o) nos nossos tempos.<br />
<br />
Se t&iacute;nhamos, h&aacute; d&eacute;cadas atr&aacute;s, a partir do imagin&aacute;rio popular alimentado principalmente pelo cinema, vil&otilde;es e mocinhos que dosavam dentro de um senso politicamente correto suas a&ccedil;&otilde;es violentas, aos poucos, mas, definitivamente, essa pr&aacute;tica foi se aviltando at&eacute; passarmos do &quot;duelo ao p&ocirc;r do sol&quot;, no qual o her&oacute;i disparava na m&atilde;o do vil&atilde;o, tanto para demonstrar habilidade quanto para impor sua superioridade moral &eacute; o her&oacute;i nunca matava, nem mesmo se seu advers&aacute;rio fosse o pr&oacute;prio vil&atilde;o &eacute;, at&eacute; o &quot;Juiz Dread&quot;, personagem vivido por Silvester Stalone, o qual, com prerrogativas institucionais, fazia exatamente o que faz qualquer &quot;matador&quot; no territ&oacute;rio pernambucano: identificava, ca&ccedil;ava, julgava, condenava e executava numa mesma seq&Atilde;&frac14;&ecirc;ncia do filme, isto &eacute;, sem perder nenhum tempo com os &quot;ritos do processo&quot;.<br />
<br />
Mas, n&atilde;o apenas o aviltamento das rela&ccedil;&otilde;es de &quot;justi&ccedil;a&quot; entre &quot;her&oacute;is&quot; e &quot;bandidos&quot; se incorporaram &quot;estilisticamente&quot; ao cotidiano criminal pernambucano, ou seja, n&atilde;o apenas ao &quot;vil&atilde;o deixou de ser merecida a cadeia (destino indefect&iacute;vel dos vil&otilde;es no cinema rom&acirc;ntico), sendo essa substitu&iacute;da pela execu&ccedil;&atilde;o sum&aacute;ria. Tamb&eacute;m absorvemos do cinema a falsa id&eacute;ia de que tudo, absolutamente tudo se resolve no &quot;The End&quot;.<br />
<br />
Como se a vida fosse um filme, aprendemos que os momentos existenciais dos outros &eacute; e &agrave;s vezes cremos que at&eacute; os nossos &eacute; se extinguem com um gesto m&aacute;gico, numa cena glamurosa.<br />
<br />
Da&iacute; aceitamos os programas policiais televisivos, todos, invariavelmente, sem solu&ccedil;&atilde;o de continuidade. Neles, cada assunto, ou melhor, cada caso se resolve em si mesmo e, quase sempre, com a morte do &quot;vil&atilde;o&quot;. Assim, temos nosso pr&oacute;prio &quot;filme&quot;: in&eacute;dito e di&aacute;rio...<br />
<br />
&quot;Fulano tinha 17 anos, se envolveu com drogas, praticou v&aacute;rios assaltos, alguns estupros... foi exterminado.&quot; A&iacute; est&aacute; nosso &quot;roteiro&quot;, que vem sendo interpretado cotidianamente. Assim, deste modo, &quot;Fulano&quot; deixa de ser HUMANO e passa a ser &quot;personagem&quot; de um roteiro com final determinado. Assim, tamb&eacute;m, de um certo modo, deixa de haver culpados pelo seu tr&aacute;gico fim, a n&atilde;o ser ele mesmo, pois, j&aacute; conhecia o &quot;roteiro&quot;, se aceitou o papel, &quot;foi por que quis&quot;.<br />
<br />
Ora, n&atilde;o se trata de demonizar a Arte pela matan&ccedil;a geral que se institui nos centros urbanos nos nossos dias, calma, senhora, n&atilde;o &eacute; isso. Mas, de apresentar como &quot;a vida tem imitado o v&iacute;deo numa rela&ccedil;&atilde;o na qual abandonamos a capacidade de refletir sobre os nossos problemas, buscando instituir-lhes solu&ccedil;&otilde;es como quem aplica um sistema de &quot;m&uacute;ltipla-escolha&quot;, abandonando sempre a decis&atilde;o anterior, caso esta n&atilde;o se demonstre adequada. Sem nem por um momento refletir sobre o motivo de tal inadequa&ccedil;&atilde;o, ou no que a pr&oacute;xima decis&atilde;o possa comportar-se, tamb&eacute;m, inadequadamente.<br />
<br />
Veja-se, por exemplo, as declara&ccedil;&otilde;es do Governo e do pr&oacute;prio Governador sobre a pris&atilde;o dos grupos de exterm&iacute;nio: completamente &quot;cinematogr&aacute;ficas&quot;!<br />
<br />
O Governo institui para o caso um verdadeiro (e, julgo eu, perigoso) &quot;happy end&quot;, como se o problema se encerrasse na pris&atilde;o dos acusados. Ou seja, assim como o &quot;Juiz Dread&quot; o Governo &quot;identificou, ca&ccedil;ou, prendeu&quot; e, pelo que parece, &quot;julgou, condenou e executou&quot; os envolvidos. Afinal, para onde eles v&atilde;o, tomando-se como refer&ecirc;ncia o discurso do governo, ap&oacute;s sua pris&atilde;o? Eles SOMEM? Desaparecem junto com o problema? Tudo acaba? L&ecirc;-se &quot;The End&quot; e sobem os cr&eacute;ditos?<br />
<br />
N&atilde;o (in)FELIZMENTE n&atilde;o &eacute; assim que ocorre. Apesar de ser assim que age e pensa o Governo Eduardo.<br />
<br />
Como uma de suas primeiras medidas Governamentais, Eduardo separou o Sistema Penitenci&aacute;rio do Sistema de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Estado. Nossas pris&otilde;es, a partir de ent&atilde;o, passam a integrar o sistema de DESENVOLVEIMENTO SOCIAL E DIREITOS HUMANOS.<br />
<br />
Medida que nos traz diversas reflex&otilde;es, entre elas, que em Pernambuco o &quot;Desenvolvimento Social&quot; advir&aacute; das pris&otilde;es, n&atilde;o das escolas e, por isso, talvez, nossas escolas estejam t&atilde;o abandonadas...Ou mesmo que Direitos Humanos esteja afeito &agrave;s pris&otilde;es e n&atilde;o &agrave;s Pol&iacute;cias... quem sabe a&iacute; esteja revelado um &quot;vale-tudo&quot; para prender, em prol da reden&ccedil;&atilde;o do Desenvolvimento Social...<br />
<br />
De fato, no entanto, compreendemos apenas que a Seguran&ccedil;a P&uacute;blica n&atilde;o &eacute; encarada, em Pernambuco, de forma hol&iacute;stica, com come&ccedil;o meio e fim. Mas, como flashes e recortes. E, deste modo, o frio e calculista homicida que levou &aacute; cabo, junto com seus comparsas, 1000 pessoas em um ano, depois de preso passa IMEDIATAMENTE para a categoria do &quot;BOM SELVAGEM&quot; rousseauriano!<br />
<br />
Uma vez que foi &quot;identificado, ca&ccedil;ado, preso&quot; e exposto como trof&eacute;u pelo implac&aacute;vel ca&ccedil;ador de bandidos perigosos, este roteiro j&aacute; se extinguiu e a&iacute;, come&ccedil;a outro, no qual o mesmo &quot;ator&quot; assume outro personagem, o do &quot;bom selvagem&quot; que ir&aacute; trocar uma vida proporcionada, por exemplo, por um dep&oacute;sito com mais de 200 mil reais em mercadorias, pelo curso de fazedor de bolas, oferecido gentilmente pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a.<br />
<br />
Neste novo roteiro o &quot;script&quot; funciona assim: o &quot;bandido&quot; chega a uma &quot;terra do nunca&quot;: O Pres&iacute;dio (terra do nunca, pois nunca tem rem&eacute;dios, nunca tem alimenta&ccedil;&atilde;o suficiente, nunca tem &aacute;gua para higiene pessoal, nunca tem m&eacute;dico para lhe atender, etc). Neste exato momento aparece o Sr. Fernando Matos (Secret&aacute;rio de Direitos Humanos) e estende-lhe a m&atilde;o benevolente, dizendo: Se tu abdicardes de um passado de crimes e viol&ecirc;ncia e do conforto que o dinheiro criminoso te proporcionou, te matricularei num excelente curso de Eletricista de Autos e podereis, caso saias vivo da &quot;Terra do Nunca&quot; sobreviver do suor do teu trabalho...&quot;Obviamente&quot; que o novo cidad&atilde;o ir&aacute; aceitar, afinal, esta tem sido a receita de &iacute;ndices de reincid&ecirc;ncia t&atilde;o baixos (cerca de 75%, no Brasil e/ou na Su&eacute;cia, invariavelmente).<br />
<br />
Cardinot (j&aacute; que citei dois fil&oacute;sofos ao longo do artigo, por que n&atilde;o citar mais um?) vive dizendo: estamos enxugando gelo! E ele tem raz&atilde;o, pelo menos nesse caso.<br />
<br />
N&atilde;o podemos mais aceitar que a quest&atilde;o da seguran&ccedil;a p&uacute;blica seja tratada dessa forma: com flashes e recortes... &agrave; base da m&uacute;ltipla-escolha.<br />
<br />
O Governo Eduardo n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es de resolver o problema, simplesmente por ter uma vis&atilde;o m&iacute;ope e destorcida dele. Por encar&aacute;-lo como uma quest&atilde;o &quot;de pol&iacute;cia&quot; e por isso, n&atilde;o apresentar solu&ccedil;&otilde;es de continuidade ao tratamento da quest&atilde;o.<br />
<br />
Uma vis&atilde;o rom&acirc;ntica e equivocada do papel e da quest&atilde;o prisional n&atilde;o apenas gera motins e rebeli&otilde;es no interior das cadeias, mas, joga pelo ralo milh&otilde;es de reais investidos no policiamento preventivo, ostensivo, judici&aacute;rio... na pol&iacute;tica educacional, na cultural...<br />
<br />
Enquanto n&atilde;o se entender que o sistema penitenci&aacute;rio &eacute; um importante componente da &quot;espada do Leviat&atilde;&quot; e que, por isso, o medo de ser preso, contemporaneamente, deveria ser incorporado &agrave;s &quot;raz&otilde;es que fazem os homens optarem pela paz&quot; (cf. Hobbes) seguiremos &quot;enxugando gelo&quot; e gastando todos nossos esfor&ccedil;os com &quot;Stalones&quot;, quando o que precisamos &eacute; de um pouco mais de Foucault.
				<br><br>
  					]]> 
				
  			</description>
			<pubDate>15.10.2007 -0300</pubDate>
			<category></category>

          </item>
  
          <item>

            <title>Dona Lindu, homicídios e os crucificados</title>
            <link><![CDATA[  http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=610]]> </link>

			<description>
	
				<![CDATA[  
				<p>
				<b><a href='http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=610'>15.10.2007 - </a></b>
				<br><br>
				Adriano Oliveira &eacute; Doutor em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e vice-coordenador do N&uacute;cleo de Estudos de Institui&ccedil;&otilde;es Coercitivas da UFPE.<br />
<br />
Acredito que a seguran&ccedil;a p&uacute;blica s&oacute; poder&aacute; existir com efic&aacute;cia caso todos, em algum instante, deixem de lado alguns interesses. Neste caso, todos devem dar a sua contribui&ccedil;&atilde;o para o provimento da seguran&ccedil;a. Estado e indiv&iacute;duos devem fazer a sua parte. Reconhe&ccedil;o, tamb&eacute;m, que qualquer Estado t&ecirc;m as suas limita&ccedil;&otilde;es fiscais. Portanto, o poder p&uacute;blico deve definir as suas prioridades. E quais s&atilde;o? <br />
<br />
Diante da discuss&atilde;o enfadonha, chata e demag&oacute;gica sobre o parque de Boa Viagem, onde o verde deve se sobrepor ao concreto, constato que os defensores do parque, assim como o prefeito Jo&atilde;o Paulo, est&atilde;o esquecendo do principal problema do bairro de Boa Viagem: inseguran&ccedil;a e faveliza&ccedil;&atilde;o. Para caminhar, existe o cal&ccedil;ad&atilde;o. Portanto, qual deve ser a prioridade da prefeitura do Recife? <br />
<br />
N&atilde;o tenho d&uacute;vida: em vez de a prefeitura construir o Parque Dona Lindu, ela deve investir na urbaniza&ccedil;&atilde;o das favelas de Boa Viagem. Parece proposta demag&oacute;gica, mas n&atilde;o &eacute;. Novamente, questiono: qual deve ser a prioridade do poder p&uacute;blico diante da car&ecirc;ncia de bens p&uacute;blicos por parte da popula&ccedil;&atilde;o? <br />
<br />
Um parque ou uma escola? Um posto de sa&uacute;de que funcione ou um parque? Ilumina&ccedil;&atilde;o ou um parque? Ruas cal&ccedil;adas ou um parque? Enfim, melhoria da qualidade de vida dos moradores das diversas comunidades pobres de Boa Viagem ou um parque? Seguran&ccedil;a ou um parque? <br />
<br />
Friso que n&atilde;o sou contra a constru&ccedil;&atilde;o do parque Dona Lindu. Por&eacute;m, discuto se ele &eacute; prioridade diante das necessidades do Recife, especificamente do bairro de Boa Viagem. E, em particular, da garantia da seguran&ccedil;a de todos. Apenas Pol&iacute;cias n&atilde;o &eacute; suficiente. <br />
<br />
Assim como me incomoda a discuss&atilde;o sobre o parque, estou surpreso em saber que no &uacute;ltimo final de semana, de acordo com o BLOG PEbodycount, cerca de 50 pessoas foram assassinadas.&nbsp; Para minha surpresa, a Secretaria de Defesa Social, atrav&eacute;s da assessoria de comunica&ccedil;&atilde;o disse que o n&uacute;mero de mortes apurados pelo BLOG PEbodycount n&atilde;o procede (Jornal do Commercio, 22/05/2007). Ser&aacute;? Ent&atilde;o, pergunto: desejo saber o n&uacute;mero de mortes por meio da SDS. Fui no site da secretaria, &agrave;s 17:21 de ontem, e n&atilde;o encontrei nenhuma informa&ccedil;&atilde;o. <br />
<br />
Diante disto, pensei em ligar para os membros do Pacto pela Vida. Mas, desisti, pois, ap&oacute;s uma nova leitura do Pacto, verifiquei que n&atilde;o existe nenhuma proposta eficaz e racional para enfrentar os homic&iacute;dios. Neste caso, tenho como refer&ecirc;ncia, quando desejo saber o n&uacute;mero de mortes em Pernambuco, o BLOG PEbodycount.<br />
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Diante destes n&uacute;meros, acredito que o secret&aacute;rio de Defesa social esteja chateado com os membros do Pacto pela Vida. Pois, eles prometeram que no per&iacute;odo de um ano, o n&uacute;mero de homic&iacute;dios ser&aacute; reduzido em cerca de 12% (de onde adveio este porcentual?). Suponho que os membros do Pacto esqueceram de combinar esta meta com o secret&aacute;rio de Defesa Social e com o coronel Meira. Contudo, em maio do pr&oacute;ximo ano, caso a redu&ccedil;&atilde;o proposta n&atilde;o ocorra, sobrar&aacute; para quem? &eacute; &oacute;bvio: para ambos os citados. Infelizmente!
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			<pubDate>15.10.2007 -0300</pubDate>
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            <title>Marcador de Homicídios</title>
            <link><![CDATA[  http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=609]]> </link>

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				<p>
				<b><a href='http://www.pebodycount.com.br/post/postUnico.php?post=609'>15.10.2007 - </a></b>
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				Ronidalva de Andrade Melo<br />
Advogada e Cientista Social<br />
Pesquisadora da Funda&ccedil;&atilde;o Joaquim Nabuco<br />
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Se h&aacute; 50 anos atr&aacute;s, pergunt&aacute;ssemos a pessoas bem informadas o que era ou pra que servia um Marcador de homic&iacute;dios, certamente a resposta seria uma outra pergunta, o que &eacute; isso ?<br />
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Hoje a resposta parece clara: trata-se de um sinal dos tempos, um instrumento necess&aacute;rio, reivindicado pelo tra&ccedil;o cultural consolidado numa sociedade que instituiu a banaliza&ccedil;&atilde;o da vida.<br />
O Marcador de Homic&iacute;dios &eacute; um contador que traduz, em n&uacute;meros, a perda de vidas por causas externas violentas. Continuamente &eacute; poss&iacute;vel saber quantos morrem em nome de nenhuma causa. Os que s&atilde;o alvo preferencial na morte anunciada e dos que, esporadicamente, se desgarram da rede de prote&ccedil;&atilde;o que os cercam e engrossam as lastim&aacute;veis estat&iacute;sticas da mortandade. A partir dessa realidade o Marcador de Homic&iacute;dios desloca o conte&uacute;do que parecia-lhe exclusivo e passa a agregar id&eacute;ia de instrumento de contagem, uma inst&acirc;ncia de cidadania.<br />
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Usando fontes diversas, produzidas, pela m&iacute;dia, pelos &oacute;rg&atilde;os oficiais ou pela experi&ecirc;ncia cotidiana das comunidades esse instrumento pode permitir uma clara leitura das perdas di&aacute;rias, sugerindo a atitude de disposi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria &agrave; indigna&ccedil;&atilde;o de cada dia. O funcionamento &eacute; simples, da exist&ecirc;ncia e notifica&ccedil;&atilde;o do fato, instaura-se a averigua&ccedil;&atilde;o e a confirma&ccedil;&atilde;o, definidos os dados e os indicadores, imp&otilde;e-se o registro. O caminho investigativo assimila os ind&iacute;cios que comprovem a informa&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o despreza discursos, principalmente aqueles, advindos dos saberes subordinado, por vezes, permeados pele emo&ccedil;&atilde;o. Tudo, absolutamente tudo, pode ser &uacute;til para se chegar ao fato indicado.<br />
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Desde que crivadas e cruzadas, as informa&ccedil;&otilde;es enfrentam o teste da confiabilidade e s&atilde;o dispostas ao conhecimento p&uacute;blico cujo acompanhamento da realidade da sociedade e a avalia&ccedil;&atilde;o do que tem sido feito para proteger vidas sejam a que classe social, etnia, religi&atilde;o, g&ecirc;nero, idade e grau de instru&ccedil;&atilde;o perten&ccedil;am. O Marcador de Homic&iacute;dios n&atilde;o s&oacute; informa, ele pode e deve formar a consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica cidad&atilde;, que reclama, cobra e exige controle social, enfrentamento eficaz das for&ccedil;as criminosas, interdi&ccedil;&atilde;o de desvios, implementa&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de a&ccedil;&otilde;es efetivas, puni&ccedil;&atilde;o, objetivos reais dirigidos &agrave; execu&ccedil;&atilde;o da pena e, consolida&ccedil;&atilde;o dos valores &eacute;ticos da sociedade.<br />
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Seu uso pode apontar as &aacute;reas vulner&aacute;veis e desmascarar a possibilidade de ilhas de seguran&ccedil;a onde se abrigam os privilegiados. Sua proclama&ccedil;&atilde;o estampa um sentimento de vergonha. O seu sucesso nos denuncia o atentado a nossa cren&ccedil;a e a nossa esperan&ccedil;a em apagar a triste realidade que nossa gera&ccedil;&atilde;o deixa como heran&ccedil;a cruel ao futuro, mas em contrapartida nos impele a confiar que ainda somos capazes de rodar sobre nossos pr&oacute;prios p&eacute;s e fazer o caminho de volta, em busca de dias melhores. Diante de uma iniciativa t&atilde;o inc&ocirc;moda embora imperiosa, sentimos a fragilidade que nos cerca, por isso entendemos que sua exist&ecirc;ncia &eacute; necess&aacute;ria, importante e inadi&aacute;vel, pois fala a nosso favor, como um grito de alerta da nossa inseguran&ccedil;a, di&aacute;ria.<br />
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Investir nesse instrumento &eacute; forma racional de resist&ecirc;ncia para que n&atilde;o nos rendamos, escondidos por tr&aacute;s dos artif&iacute;cios da ind&uacute;stria de seguran&ccedil;a e, a aparente confian&ccedil;a de que somos imunes. Contudo, acompanhar a desenvoltura do Marcador de Homic&iacute;dio com coragem e responsabilidade compartilhadas possibilita que, num dia n&atilde;o muito distante, enfrente-se o horror que, de forma assustadora, cada vez mais se espalha no nosso imposs&iacute;vel ch&atilde;o.
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			<pubDate>15.10.2007 -0300</pubDate>
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