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Ato Público

Coque mostra ao poder público o que significa Paz

Coque mostra ao poder público o que significa Paz

Há um mês, dezenas de policiais civis e militares ocuparam a comunidade do Coque, cravada na área central do Recife, em megaoperação contra a violência. A tal operação chamava-se "Paz no Coque". Eles podiam até querer paz, mas a história toda estava mais com cara de guerra.

Homens encapuzados com pistolas na mão entravam pelos becos daquela comunidade, estigmatizada pela violência. Preocupados com essa abordagem restrita de paz, associada apenas à repressão, o Coque decidiu dar seu grito e mostrar ao poder público, que o esqueceu há anos, o que significa essas três letrinhas juntas.

Nesta quarta-feira (21), a partir das 9h, moradores da comunidade promovem um ato público pela Paz. Realizam uma caminhada, lá mesmo onde nasceram e se criaram,  incluindo a participação de grupos culturais e de representantes de diversas tradições espirituais, entre eles o Lama tibetano Padma Santem.

O PEbodycount apóia a iniciativa. Publico abaixo a carta "Paz no Coque", que será lida durante o evento.

PS: A foto acima foi tirada no Coque há cerca de 30 anos. Passado todo esse tempo, o cenário não mudou muito. Prova de que o local foi esquecido completamente pelo poder público. "Olhai por nós", grita o Coque.

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Carta pública

 Compartilhando uma concepção de Paz no Coque

A paz é um estado ou experiência que, em essência, todo ser humano anseia. Em nossa cidade, vivemos um momento de espanto e medo frente à violência, momento em que várias vozes se alteiam pedindo paz. Também no Coque essas vozes se fazem ouvir. No entanto, com grande freqüência os ouvidos da sociedade sobre o Coque apenas escutam discursos que o representam como refúgio de bandidos, refúgio da morte, da violência, da poluição. São esses discursos que justificam intervenções violentas na comunidade, como se ela fosse um campo de guerra, lugar do inimigo, que deve ser exterminado a todo custo.

Nós, contudo, afirmamos que o Coque é um lugar onde moram, em ruas improvisadas ou não, em casas de alvenaria ou não, seres humanos, pessoas que com certeza anseiam por condições e proposições sociais, culturais, políticas e econômicas que lhes proporcionem possibilidades de uma vida mais ampla.

Para além da tentativa de imposição da 'paz' através da violência – como na ocupação da comunidade e a tentativa de invasão do Núcleo Educacional Irmãos Menores de Francisco de Assis durante a operação policial Paz no Coque, no último dia 24 de outubro – queremos propor novas perguntas: qual é o significado de paz para os moradores e instituições do Coque? Que outras intervenções são possíveis para efetivar uma cultura de paz? Acreditamos que sem dúvida essa resposta inclui uma vida feliz e sem violência.

Dessa forma, o Coque não apenas pede paz, mas também propõe a paz como uma forma de viver em tolerância e solidariedade. É necessário reconhecer que, na comunidade do Coque, entre seus cerca de 45 mil habitantes, também a solidariedade, a tolerância e os valores humanos de amor e liberdade são desejados e vivenciados cotidianamente.

A comunidade é sujeito de ações e estratégias que são desenvolvidas no sentido da promoção da paz e da melhoria da vida. Essa mudança de olhar torna possível considerar a comunidade não apenas como objeto de intervenções, mas como interlocutora indispensável para a construção de quaisquer ações. É preciso, no entanto, que essa interlocução se materialize em um diálogo real, que começa por enxergar o Coque não apenas como um jogo de cartas marcadas onde se aplicam metodologias que simulam participação. É necessário incentivar efetivamente os próprios movimentos locais, desenvolvendo em conjunto novas formas possíveis de diálogo.

Não apenas ao poder público cabe esse desafio. Mas, a toda a cidade, convidamos a enxergar o Coque, e outras comunidades do Recife, não como esse outro, o inimigo, mas sim como parte desse nós, cidade complexa e desigual, mas casa compartilhada por todos, da qual cabe a todos cuidar.

 Assinaturas:

 Núcleo Educacional Irmãos Menores de Francisco de Assis

Observatório de Favelas Recife

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cloves

comentou em 21.11.2007 às 03h29m

Ainda bem que vcs fazm questão de explicitar que apoia movimentos como eses rapazes!! vcs são foda mesmo! Um assunto desses para mim deveria ser capa dos três jornais daqui cara...

uDgEDFgfx

comentou em 01.05.2008 às 18h40m

haha;

julio

comentou em 18.05.2008 às 18h51m

esse governo não tem competencia pra nada pede pra sair miseravel.pernambuco quer gente pra somar.

Ricardo Hellcife

comentou em 20.05.2008 às 11h51m

É essa a segurança pública do nosso Recife ? Levando terror as favelas , exterminando jovens , refugiando os cidadãos em suas próprias casas? Ainda tem gente que diz que a violência está diminuindo mostrando gráficos e números que no mínimo são camuflados ou incertos ( pra menos , claro! ) Mas deixa pra lá , violência no Recife não existe .... isso é bala que colocam na cabeça do povo.

POLICIAL DE PERNAMBUCO

comentou em 17.05.2009 às 14h15m

TEM MINISTRO NA MARCHA DA MACONHA. AS DROGAS SÃO RESPONSÁVEIS POR QUASE TODOS OS ASSALTOS E HOMICÍDIOS. E AGORA O QUE DEVO FAZER COMO POLICIAL? ISSO É UM ABSURDO.

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