Diferentes classes sociais, mas uma coisa em comum. Todas mulheres. Em menos de oito horas, a Polícia Civil registrou três homicídios de mulheres na Região Metropolitana do Recife.
O primeiro crime foi descoberto no início da manhã desta quinta-feira (02/07). O corpo de uma jovem aparentando entre 18 e 20 anos foi encontrado carbonizado em terras do Engenho Caetés, em Ipojuca. A polícia acredita que o local onde o corpo foi deixado é ponto de desova, ou seja, os suspeitos deixaram o corpo lá e atearam fogo em seguida. Havia marcas de pneu de caro nas proximidades.
Por volta das 10h, uma advogada trabalhista morreu a tiros dentro de seu escritório, localizado às margens da BR-101, em Igarassu. O assassino aguardou alguns minutos na recepção para ser atendida por Karina Lígia Cruz Amorim, 41 anos. Ao entrar na sala da vítima, disparou três tiros à queima roupa.
No começo da tarde, o cenário do crime foi um terreno baldio no Complexo Salgadinho, em Olinda. Uma adolescente de 15 anos foi morta com pancadas na cabeça. A mãe dela, que esteve no local, afirmou que a filha era viciada em crack e fazia programas na área.
Da Folha de Pernambuco
PRISCILLA AGUIAR
Um tiro nas costas, associado a um ato de covardia, marcou o fim da carreira do comissário da Polícia Civil, José Reginaldo da Silva Guimarães Júnior, de 45 anos. O profissional foi assassinado durante uma operação de combate ao tráfico de drogas, por volta das 15h30 de ontem, nas proximidades da rua Hilton Mendes Barbosa, no bairro de Tabatinga, em Camaragibe. O policial estava à serviço do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), na tentativa de identificar os responsáveis por um ponto de venda de drogas (boca-de-fumo), que funcionava na área.
Pouco depois do crime, Saulo Marinho Falcão, 26, foi preso no Hospital Português, na Paissandu, para onde se dirigiu em busca de atendimento alegando ter sido ferido durante um assalto. O suspeito deu entrada na unidade de saúde com o nome falso de Moisés, porém foi reconhecido por um dos policiais que participou da operação. Nenhum dos outros três policiais que participavam da ação foram feridos.
Todos estavam à paisana, sem farda e sem colete à prova de balas. Apesar da experiência de quase 22 anos na polícia, o comissário integrava a equipe do Denarc há apenas um mês. Ele teria sido surpreendido pelas costas durante uma troca de tiros, depois de entrar em um beco, e morreu na hora, deixando mulher e cinco filhos.
Cerca de 500 policiais, entre eles delegados, comissários e agentes de diversos grupos e departamentos, a exemplo do Denarc, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e do Grupo de Operações Especiais (GOE), chegaram, pouco a pouco, ao local do crime, para trabalhar ou acompanhar as buscas pelos envolvidos. Ainda abalados com a perda, os colegas reuniram uma equipe para realizar novas rondas pela região, com o apoio da Polícia Militar.
Na manhã de ontem, o comissário foi até a Força Tarefa Sul do DHPP, onde normalmente trabalharia como plantonista, mas descobriu que, devido a mudanças na equipe, não estava escalado para o plantão daquele dia. Em meio a brincadeiras, ele se despediu dos colegas afirmando que iria trabalhar (no Denarc). Carismático, o comissário, conhecido entre os colegas como Júnior do GOE, ingressou na polícia em 17 de novembro de 1987, tendo como primeira lotação a Corregedoria. Ele atuou em nove cidades do Interior do Estado, no serviço de inteligência, no GOE e em outras especializadas, como a Delegacia de Repressão à Roubos e Furtos de Veículos, Delegacia de Repressão ao Estelionato, DHPP e, há cerca de um mês, ingressou na equipe da delegada Maria Helena Fazio, no Denarc.
Ainda abalados com a notícia, os familiares do comissário não quiseram se pronunciar sobre o assunto. A assessoria de Imprensa da Polícia Civil estima que, este ano, outros dois policiais tenham sido assassinados em serviço, entre eles o delegado regional de Caruaru, Fernando Machado.
* Foto de Maurício Ferry
Desde o início de junho, o controle estatístico da violência em Pernambuco foi reforçado pela implantação de pulseiras de identificação para cadáveres. Os lacres numerados são colocados nos corpos pelos peritos do Instituto de Criminalística e servem para tornar o controle estatístico mais eficiente.
“Muitas vezes, os peritos iam a um local de crime com mais de uma vítima e nem todas estavam identificadas. Os cadáveres seguiam como desconhecidos e, posteriormente, ao serem identificados podiam acabar sendo contados duas vezes. Agora, todo o processo ocorre com a vítima atrelada a um número de ordem que não muda”, explicou o gestor da Polícia Científica, Evson Lira.
Mesmo após a liberação do corpo no Instituto de Medicina Legal, a orientação para as famílias é que o corpo seja sepultado com a pulseira, tornando possível a conferência até em casos de exumação.
No último dia 31 de maio, Pernambuco completou seis meses seguidos de queda no número de crimes violentos letais intencionais (CVLIs). Pela primeira vez, desde o período de outubro de 2006 a março de 2007, o Estado ultrapassa seis meses com uma tendência consolidada de redução no somatório dos homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. No comparativo do semestre compreendido entre dezembro de 2008 e maio de 2009 e o período de dezembro de 2007 a maio de 2008, houve um recuo de 5,5% no número de CVLIs. Se o índice admitido for a taxa de CVLI (que considera o crescimento populacional), a queda chega a 6,4%.
Os dados sobre a redução na violência serão divulgados oficialmente na próxima semana pela Agência Condepe/Fidem. Os números apresentados nessa reportagem estão sujeitos à consolidação e foram obtidos na página da Secretaria de Defesa Social na internet.
Os seis meses de recuo na violência coincidem com o período de implantação pelo governo de Pernambuco de um acompanhamento semanal das estatísticas de CVLI nas 217 áreas integradas em que o Estado foi dividido. Agora, os gestores de cada área precisam prestar contas semanais sobre os crimes ocorridos em suas jurisdições, informar como andam as investigações e atualizar boletins de ocorrência eletrônicos.
Além disso, a SDS tem focalizado efetivo e recursos para os chamados “pontos quentes” da violência. Em 2008, 37 comunidades onde se concentravam 44% dos homicídios do Estado eram o alvo preferencial. Este ano, a quantidade de pontos quentes subiu para 44 e deve chegar a 77 em 2010.
A assessoria de comunicação da SDS informou que só vai comentar os seis meses de queda no número de CVLIs após a divulgação dos dados pela Agência Condepe/Fidem.
Há dois anos e meio, o delegado Zanelli Alencar assumiu a Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV) e se deparou com um esquema milionário existente no local. As taxas que a população deveria pagar para utilizar os serviços de vistoria de veículos da especializada não vinham sendo devidamente recolhidas.
Em 2006, ano anterior à chegada de Zanelli, a DRFV arrecadou R$ 70 mil em taxas para os cofres públicos. Em 2007, quando ele acabou com o esquema, a arrecadação subiu para mais de R$ 1,3 milhão. Isso mesmo, mais de R$ 1,2 milhão de diferença. Mais de R$ 1 milhão que deixava de entrar na conta do estado por ano.
Para descobrir onde ia parar esse dinheiro foi designada a delegada de Crimes Contra a Administração Pública, Cláudia Freitas. Até hoje, o inquérito que apura o envolvimento de vários delegados no desvio citado repousa em uma gaveta.
Conversei com a delegada e ela falou que não concluiu ainda o caso devido ao grande volume de trabalho na Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública. Questionei se ela vem sendo pressionada para não encerrar o inquérito por envolver outros delegados. "Não, mas tenho certeza que outros colegas nunca fariam esse trabalho".
Além da delegada Cláudia Freitas, a Corregedoria-Geral da SDS e o Ministério Público deveriam observar esse inquérito. Enquanto os desvios de função envolvem soldados e agentes de polícia, essas instituições mostram empenho nas exclusões. Em um caso envolvendo delegados, ao que parece, está todo mundo muito ocupado...
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